Baseando-so nas informações de Massaud Moisés, desde a origem mais remota da palavra “romance”, seu significado invocava uma proximidade particular com o povo, com o que se poderia denominar a massa da população. Como informa Moisés, romance designava as línguas faladas pelos povos sob o domínio romano, passando em seguida a nomear as obras literárias da mesma população. Com o passar do tempo, a palavra foi empregada com diversos sentidos na área literária até consolidar-se com o significado atual.

Surgindo em meados do século XVIII junto com o Romantismo, esse gênero literário encaixou-se adequadamente ao momento histórico. Desses eventos pode-se deduzir que o romance é uma forma literária que deve buscar a representatividade da diversidade humana.
Nota-se que na segunda metade do século XVIII, época em que a burguesia estava em ascensão, era essa a classe mais representada nos enredos dos romances. É desnecessário ser um grande estudioso da área literária para estar ciente de que o personagem do romance não tem, desde então, abrangido uma grande diversificação de classes sociais e raças.

Desde que me entendo por leitora, procuro personagens semelhantes a mim, nós, leitoras negras, temos que procurar a identificação com mocinhas loiras pois essas são maioria nos livros e televisão. Mas a representatividade é fundamental para a adesão do leitor. Há teorias de que não há tantos personagens negros porque as pessoas brancas não conseguem se identificar com eles, portanto haveria um público reduzido ao passo que os negros já estão acostumados a não se ver refletidos nas diversas formas de arte.

Sabendo que o romance tem, além do entretenimento, uma função de registro de uma época e sociedade, teme-se que grandes histórias deixam de ser contadas ou lidas pelo fato de que a maioria dos escritores são homens e brancos, não interessados em escrever personagens negros e ainda há poucos escritores negros, especialmente mulheres negras escrevendo e sendo divulgados e lidos.
Ainda pode-se formar que “a personagem (...) representa a possibilidade de adesão afetiva e intelectual do leitor, pelos mecanismos de identificações, projeção, transferência etc. personagem vive o enrêdo e as ideias, e os torna vivos.“ (CANDIDO, 1998, p 39)

[...] o problema da verossimilhança no romance depende desta possibilidade de um ser fictício, isto é, algo que, sendo uma criação da fantasia, comunica a impressão da mais lídima verdade existencial. Podemos dizer, portanto, que o romance se baseia, antes de mais nada, num certo tipo de relação entre o ser vivo e o ser fictício, manifestada através da personagem, que é a concretização deste. (CANDIDO, 1976, p. 40)

Utilizando os pressupostos de Moisés e Antonio Candido, eu fiz o meu TCC da pós-graduação sobre a mulher negra na literatura enfocando o romance de Conceição Evaristo, Ponciá Vicêncio, há muitos trabalhos acadêmicos nessa área, mas o que nós precisamos ainda é divulgar mais essas obras para que cheguem ao público interessado.

Essa postagem será uma página fixa aqui do Histórias que eu atualizarei sempre que possível com os livros que eu conheço com personagens negros. Minha preocupação não é apenas com o engajamento, sempre vi a literatura em primeiro lugar como entretenimento, por isso atualizarei lentamente com livros que li e gostei. 
As sinopses serão todas do Skoob. 

Durante minhas pesquisas encontrei essa postagem muito interessante.

Há tempos que reparei que dos livros onde os negros são citados são livros que falam em sua maioria sobre a escravidão, ou algo triste que o povo negro viveu. Eu acho super interessante, mas eu sinto falta de ver protagonistas negros em histórias do cotidiano, vivendo um grande amor, liderando empresas... espero que me entendam.
Roberta Ormenzinda 
 Alguns desses livros que a Roberta indicou são os próximos da minha lista.

Acrescento ainda os seguintes artigos:

http://lucianabarreto.com/escritoras-negras-no-brasil/

 http://desacato.info/15-autoras-negras-da-literatura-brasileira/



 Livros com protagonistas negros

 

Americanah ( - Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze.

Um defeito de cor ( Ana Maria Gonçalves) -  Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.

Ponciá Vicêncio ( Conceição Evaristo) - Exemplo de romance afro-brasileiro, falando da identidade negra, Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, vai de encontro à tese segundo a qual a escrita dos descendentes de escravos estaria restrita ao conto e à poesia.

Homem Invisível ( Ralph Ellison) - Este romance é um clássico da literatura americana. Publicado nos Estados Unidos pela primeira vez em 1952, tem sido constantemente republicado, citado, comentado. É desses livros que marcam não só a literatura, mas influenciam também a maneira como a sociedade reflete sobre seus problemas: a expressão "homem invisível" tornou-se uma metáfora da situação do negro na sociedade americana.
Muitas coisas extraordinárias acontecem nessa história, algumas chocantes e brutais, outras tristes e comoventes - sempre com elementos de ironia e do burlesco que aparece em lugares inesperados. As muitas pessoas que o herói encontra em sua caminhada desde uma universidade para negros no Sul racista dos Estados Unidos até o Harlem, em Nova York, são notavelmente significativas. Com elas, ele se envolve em surpreendentes aventuras, levado por suas próprias ilusões e pela duplicidade e cegueira dos outros.

 Hibisco Roxo (Protagonista e narradora de Hibisco Roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente "branca" e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narraas aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente. 

A cor púrpura ( Alice Walker) - O livro narra a comovente trajetória de uma mulher negra na racista América do início do século passado. A Cor Púrpura é um romance feminista sobre a força e dignidade do espírito humano. Aline Walker foi vencedora do Prêmio Pulitzer em 1983.

O templo dos meus familiares ( Alice Walker) - São dois casamentos em crise e um terceiro que há muito se encontra abalado. Um professor de história das guerrilhas e uma professora de estudos femininos que se torna massagista tentam se aproximar mais, ao mesmo tempo que procuram se libertar das amarras sociais. Um astro de rock e sua mulher, uma latino-americana refugiada, são separados por uma improvável "outra mulher". E um delicado pintor e sua musa de cabelos de prata - no último ciclo de suas vidas inumeráveis - são companheiros há tantos anos que são virtualmente intercambiáveis.
Ao falarem sobre si mesmos e restabelecerem vínculos com fragmentos esquecidos do passado, eles revelam inquietantes verdades sobre as relações entre os sexos, as raças e as espécies durante nossa estada neste planeta.
Escrevendo ousadamente sobre temas que são tabu, costurando com mestria uma narrativa a um tempo lírica e forte, Alice Walker confirma por que é considerada a grande voz da literatura afro-americana. Desfiando uma espécie de Mil e uma Noites que vêm e vão no tempo e entre mais de um continente, Walker procura despertar seus leitores para a trama intrincada de uma tapeçaria colorida: a vida no mundo atual.
Lily cresceu na convicção de que, acidentalmente, matou uma mãe quando tinha apenas quatro anos. Do que então aconteceu, ela não foi tão boa como as suas recordações mas também o relato do pai. Ágora, aos catorze anos, tem saudades da mãe, a quem conhece mais de quem grava uma terrura, e sente uma desesperada necessidade de perdão. Vive com o pai, violento e autoritário, em uma quinta da Carolina do Sul, e tem apenas uma amiga, Rosaleen, uma criada negra que parece severo esconde um coração doce. Na década de 60, uma Carolina do Sul é um sítio onde uma segregação é mesmo realidade. Quando, para tentar fazer valer o seu direito de voto recusado, Rosaleen é presa e espancada, Lily decidir agir. Fugidas à justiça e ao pai de Lily, elas seguem o rasto deixado por uma mulher que morreu dez anos antes e encontra refúgio na casa de três excêntricas irmãs apicultoras. Para Lily esta vai ser uma viagem de descoberta, não fazer o mundo, mas também fazer aquilo que envolve o passado de sua mãe. 



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