Sim, essa lista contém apenas um livro. Março teve 321 dias, mas não foi o suficiente para manter alguma leitura.
Será que o professor que trabalha em dois turnos tem algum tempo para uma literatura de entretenimento ou atualização? Dificilmente.

Esse mês li:
Ansiedade: Como enfrentar o mal do século - Augusto Cury.

Achei o livro muito bom. Augusto Cury fala, entre outras coisas, sobre como estamos adoecendo os nossos jovens, fazendo com que, desde cedo, estes tenham preocupações com o futuro e vivam temendo problemas que ainda não chegaram.
Nós vivemos com a mente no futuro enfrentando dificuldades que provavelmente nunca se concretizarão. Enquanto isso deixamos de desfrutar o presente.
Em alguns momentos a leitura se torna repetitiva, e confesso que pulei alguns parágrafos, mas no geral valeu a pena para saber mais como reconhecer essa doença e enfrentá-la.


Depois de algum tempo sem atualizações, quero agradecer aos leitores que continuam fiéis, mesmo com essa ausência. 
Como somos todos livro-maníacos, a melhor forma de fazer isso é com um sorteio de livro!
O sorteado será O teorema Katherine de John Green.


Sinopse


Se o assunto é relacionamento, o tipo de garota de Colin Singleton tem nome- Katherine. E, em se tratando de Colin e Katherines, o desfecho é sempre o mesmo- ele leva o fora. Já aconteceu muito. Dezenove vezes, para ser exato. Após o mais recente e traumático pé na bunda, o Colin que só namora Katherines resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-garoto prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão- elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam. Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

 Regras: Ter endereço de entrega no Brasil.
Seguir as instruções do sorteador abaixo.

 a Rafflecopter giveaway


Teixeira e Sousa foi um escritor de origem muito humilde, mestiço, mas que escreveu o primeiro romance romântico brasileiro, O filho do pescador (1843). Segundo Alfredo Bosi, sua escrita fica abaixo mesmo da de Macedo (Aquele d’A Moreninha).
O romance era o entretenimento das massas naquela época, isso dos que eram alfabetizados e podia ainda pagar por livros, Teixeira e Sousa teria a influência de autores mais populares da subliteratura francesa. Bosi ressalta que hoje a cultura de massa é estudada, porém naquela época isso não acontecia, portanto autores como Teixeira e Sousa ficaram muito tempo ‘por fora’ do que é considerado cultura.
Essa postagem será atualizada com o resumo ou resenha do romance O filho do pescador.
Para quem também se interessar pela leitura, deixo abaixo o link para download.

Resumo – O filho do pescador

Contrariando os conselhos do pai, Augusto se casa com uma bela jovem que acaba de ficar viúva, vítima de um naufrágio, Laura. O pai alerta que um casamento movido apenas pelo amor à beleza física trará apenas arrependimentos, pois a beleza é passageira.
Casado com Laura e após a morte de seu pai, Augusto vai lhe dar razão, Laura mostra um gênio forte e caprichoso, mas acaba se tornando mais amorosa após um incêndio na casa onde moram, no qual Augusto está perto da morte, conseguindo sobreviver apenas com o auxílio de um escravo que arrisca a própria vida para salva-lo (!!)
O casal muda-se para a cidade, enquanto aguarda a reforma da casa em que viviam, Augusto se ausenta por algumas noites para assistir a reforma e sempre deixa Laura avisada de quando não retornará. Em uma dessas ocasiões, ele resolve voltar para casa e encontra um homem fugindo pela janela, mas uma escrava bonita assegura que tratava-se de uma vista para ela.
Mal sabe ele que o vulto era o seu melhor amigo, Florindo, que junto com Laura planeja sua morte. Poucas linhas depois, o narrador sempre interagindo com o leitor informa do velório de Augusto e das lágrimas da viúva, que em seguida troca confissões nos momentos de intimidade com Florindo. Laura revela que fugiu de casa aos doze anos com o companheiro que faleceu no naufrágio, de onde foi salva por Augusto e pelo escravo João.
Florindo mostra remorso por ter se juntado a ela para matar o homem que a salvou. Ele vai embora, para a revolta de Laura, que logo encontra outro amante para livrar-se de Florindo. Dessa vez, Marcos é o seu cúmplice, ele sem hesitação procura Florindo, executa-o e volta para os braços da viúva loira. Eles levam um susto ao ver Florindo de volta a janela e chegam à conclusão de que o tiro não foi suficiente para mata-lo, ele teria conseguido andar até a casa, mas morreu em seguida. A dupla enterra a vítima no jardim.
Em seguida, Laura conhece um jovem e belo caçador,  eles se encantam instantaneamente pela beleza um do outro. Ele pede por carta um encontro ao qual ela manda uma carta aceitando. No horário do encontro, entretanto, Laura encontra Marcos, que tenta matá-la, ela é salva, mas não reconhece o seu salvador. O homem que a salva manda que Marcos abandone o Rio de Janeiro e não procure mais a viúva.
Marcos vai embora, porém, ele é ladrão, procurado e tem inimigos, um deles causando a sua morte. Livre, Laura pode pensar em casar com o jovem caçador, ele comunica ao padrinho, mas ouve uma negativa. O padrinho marca um encontro para revelar o motivo de sua posição. Lá, revela todos os crimes e segredos de Laura. Ela fugiu de casa aos doze anos, teve um filho aos quatorze e foi abandonada pelo companheiro que levou o filho. Com um novo amante, ela viveu por alguns anos, antes do naufrágio.
O pai de seu filho deixou o menino com o padrinho, que termina revelando que se trata de Emiliano, o jovem caçador!
Mais, ele observava Laura desde o casamento com Augusto e pela descrição soube se tratar da mãe de seu afilhado, observando um homem comprar veneno para rato, ele interferiu para que o mesmo levasse um remédio que faria com que pensassem causar a morte, mas na verdade, Augusto estava em um sono profundo, que só especialistas reconheceriam. Ele interferiu também para substituir o corpo e tratar a vítima de envenenamento. Augusto esteve o tempo inteiro vivo e escondido observando os crimes de Laura.
Mãe e filho se emocionam e Emiliano pede que perdoem a sua mãe. Alega que as mulheres são julgadas de forma mais severa pelos mesmos crimes que os homens cometem e não são julgados. Laura jura que se arrepende e é perdoada, desde que fique em um convento.
Desde então esta mulher caída é olhada com desprezo; seu nome é acompanhado de um epípeto de infâmia; sua presença revela uma idéia de menospreço… justo castigo de sua fraqueza, é bem verdade! E por que não sofre outro tanto o seu vil sedutor?
(…) mas nos vícios contra a castidade, nos vícios contra a fidelidade conjugal, nós nos esquecemos dos castigos que os seguem contra os homens, e só os aplicamos contra as mulheres!
Essa é a defesa do filho para a mãe que vive em uma sociedade que julga normal que uma mulher sofra abusos do marido e mesmo que uma menina de doze anos seja seduzida por uma homem experiente que deveria dissuadi-la da ideia de abandonar o lar paterno.
“Todavia, o homicídio pode algumas vezes ser justificado pela defesa da própria vida, da honra, da fazenda, etc.
O adultério, porém, nunca será justificável; não obstante, alguém haverá tão indulgente que queira minorar sua intensidade por causa de alguns maus tratos, abusos de alguns maridos, faltas de certos necessários, etc., porém bem miseráveis são semelhantes desculpas, mas demo-las de barato.”
Eu fiquei intrigada com esse livro, com a apresentação de uma personagem como Laura, que é interiormente tão diferente do ideal do romantismo e ainda por cima não termina com a morte como punição dos seus pecados



Emma sempre teve um ‘crush’ pelo bonitão da faculdade, Dexter. Dexter nunca havia notado Emma até a festa de formatura, quando a achou muito bonita. Os dois queriam relaxar em um lugar mais tranquilo da festa e acabaram conversando em uma noite que acabou em beijos no quarto que ela dividia com uma amiga.
Emma é uma garota que quer mudar o mundo, cheia de ideais e sonha em ser escritora, não tem exatamente ideia do que vai fazer com o diploma. Dexter pode viajar pelo mundo com o dinheiro dos pais enquanto pensa nisso.
Apesar das diferenças, eles continuam mantendo contato através das longas cartas que Emma escreve para ele os rápidos cartões-postais que Dexter envia para ela. Confissões são trocadas sobre a vida, carreira, família, relacionamentos amorosos. Através do tempo a amizade continua com menos ou mais intensidade.
Eles são a pessoa um do outro, com quem querem conversar sempre que algo importante acontece. Um romance não está nos planos deles. Dexter se torna famoso na tv, Emma descobre que ser a melhor aluna não ajuda muito na vida real, desiste dos planos de uma companhia de teatro independente, passa por moradias horríveis, empregos infelizes e pensa em voltar a morar com os pais.
Na fase em que suas personalidades mais destoa chegam a romper a amizade, embora um magnetismo sempre os empurra um para o outro, pois são sempre o melhor amigo um do outro.
Um dia é um livro que me respondeu bem à pergunta se vale a pena ler um livro cuja história já vimos em um filme. Vale muito a pena, mesmo sabendo o final, o final não é só o que interessa, importa o caminho, a trajetória dos personagens, as características e detalhes que só o livro pode trazer.
Achei o formato muito parecido com Simplesmente acontece ou Love, Rose. Uma grande amizade que vai se transformando em amor romântico. Gosto de ler as ambições dos personagens. A infelicidade e frustração de Emma muitas vezes se reflete no estado do lugar onde ela mora e trabalha. Isso é muito interessante, pois nos leva a pensar nos indivíduos que se acomodam com uma moradia ou emprego medíocre, certamente assim como Emma nessa fase, muitas vezes nos falta autoconfiança para entender que merecemos algo melhor e que é possível lutar por isso.
Sempre manter as verdadeiras amizades, sempre lutar pelo que acredita na vida são algumas belas lições desse livro.
Meta de Leitura para 2014
“Viver cada dia como se fosse o último” — esse era o conselho convencional, mas na verdade quem tinha energia para isso? E se chovesse ou você estivesse de mau humor? Simplesmente não era prático. Era bem melhor tentar ser boa, corajosa, audaciosa e se esforçar para fazer a diferença. Não exatamente mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor. Seguir em frente, com paixão e uma máquina de escrever elétrica e trabalhar duro em… alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Alegrar os amigos, permanecer fiel aos próprios princípios, viver com paixão, bem e plenamente. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se houver oportunidade.


[ com spoilers]
Estive lá fora é um romance de Ronaldo Correia de Brito ambientada na repressiva Recife dos tempos da ditadura militar. Frequentemente obras histórias e literárias falam sobre os movimentos dos militantes no Sudeste, digamos o ‘centro do pais’, então essa é uma oportunidade de ver um ângulo do Recife.
O principal foco do romance Estive lá fora é o do personagem Cirilo, um hippie, estudante de medicina, que na verdade não está em uma das fronteiras, direita ou esquerda. Cirilo teme no que a esquerda se tornou ao redor do mundo, mas também não é a favor dos rumos da direita no país.
Seu irmão Geraldo é um líder da militância estudantil, vive na clandestinidade, preso algumas vezes, sempre mudando de nome e endereço com a namorada Fernanda e a família teve sua morte.Não pode manter contato nem mesmo com Cirilo para não revelar sua localidade, mas o faz uma vez.
Cirilo está em um triângulo amoroso com os amigos Paula e Leonardo. Ambos têm a chave do apartamento dela, mas o acordo não funciona, assim ele tenta esquecer Paula e se envolve com uma estudante que encontrou fugindo da polícia, Rosa. Ela estuda artes e faz aquarelas, porém se mostra fria para o romance sempre o deixando frustrado.
Cirilo sempre o peso de ser o filho responsável da família, o que economiza para mandar dinheiro, o que estuda medicina para não decepcionar os pais, sentindo-se na obrigação de compensar a rebeldia de Geraldo. Isso o deixa rancoroso sobre o irmão.
Ele segue sua rotina entre as aulas de medicina e o emprego temporário como professor, onde frequentemente chega atrasado, um dia Fernanda o encontra e revela que Rosa é uma espiã. Ela só estava com ele para descobrir o endereço de Geraldo e notadamente perdeu o interesse quando ele mostrou que não sabia do irmão.
O passado da família também está presente na narrativa tanto com a história dos pais dos estudantes, como a de um tio que cometeu um crime e se afogou. As imagens se misturam na mente de Cirilo quando os amigos o buscam para contar que Geraldo foi baleado. No caminho que Cirilo procura prolongar, ele para para subir numa ponte e essas imagens estão em sua mente, o irmão levado pelas águas, o tio levado pelas águas.