Nesse vídeo eu falo um pouco sobre o livro Branca como a neve, vermelha como o sangue de Alessandro D'Avenia. O romance é narrado pelo protagonista, Leo.
Comecei a ler porque foi o eleito no meu clube do livro no whats e  o começo foi meio difícil porque o Leo é o típico adolescente insuportável que odeia tudo, escola, professores, etc.
Ele é apaixonado por uma colega da escola chamada Beatriz. Ela é a ruiva a que o título alude.
Ele também tem uma melhor amiga chamada Silvia, que é uma menina muito legal, aquela pessoa que é um porto seguro para ele, que está sempre presente quando ele precisa.
apesar do desprezo que o Leo tem pelos professores, acaba tendo uma espécie de amizade com o professor de História e Filosofia que ele chama de sonhador e o ajuda bastante a amadurecer.
Acontece que Leo não tem coragem de se declarar para Beatriz e descobre que ela tem leucemia.
Ele fica muio revoltado com Deus e com a vida porque não pode entender o sofrimento da garota que ele ama.
Nesse percurso, ele conta com silvia, os pais e o professor para entender que é preciso correr atrás de seus sonhos, mas nem sempre, nem todos serão realizados.


Fragmentos - Branca como o leite, vermelha como o sangue ( Alessandro D'Avenia)




Un segreto è fare tutto come se, fare tutto come se vedessi solo il sole, vedessi solo il sole, vedessi solo il sole... E non qualcosa che non c’è...
 “Um segredo é/ fazer tudo como se,/ fazer tudo como se/ eu visse apenas o sol,/ eu visse apenas o sol,/ eu visse apenas o sol.../ E não algo que não existe...” (N. T.)

Uma vez eu li num livro que o amor não existe para nos fazer felizes, mas para demonstrar o quanto é grande a nossa capacidade de suportar a dor.

O ruim da vida é que ela não tem manual de instrução. Em geral você segue as regras, e, se o celular não funciona, existe a garantia. Você o devolve e te dão um novo. Com a vida, não. Se ela não funciona, não te dão uma nova, você deve manter aquela que já tem, usada, suja e funcionando mal. E, quando ela não funciona, a gente perde o apetite.



erudito inglês do século XVI Francis Bacon catalogou o processo: "Alguns livros são para se experimentar, outros para serem engolidos, e uns poucos para se mastigar e digerir".

Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos.

A maior parte das vezes, para escapar ao sofrimento refugiamo-nos no futuro. Julgamos que a pista do tempo tem uma linha marcada para lá da qual o sofrimento presente há-de cessar.

A história é tão leve como a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como uma pena, como poeira ao vento, como uma coisa que há-de desaparecer amanhã.

Faz-me pensar naquele jornalista que andava a organizar em Praga uma campanha de assinaturas para conseguir a amnistia dos presos políticos. Tinha perfeita consciência de que a campanha não ajudaria os presos. O seu verdadeiro objectivo não era libertar presos, mas mostrar que ainda havia gente sem medo. Dava espectáculo, mas não podia fazer outra coisa. Não podia escolher entre a acção e o espectáculo. Só tinha uma escolha: dar espectáculo ou não fazer nada. Há situações em que o homem está condenado a dar espectáculo. A sua luta contra o poder silencioso (contra o poder silencioso do outro lado do ribeiro, contra a polícia metamorfoseada em microfones mudos escondidos na parede) é como um grupo de teatro a fazer frente a um exército

Não há mérito nenhum em portarmo-nos bem com os nossos semelhantes. Tereza é forçada a ser correcta com os outros habitantes da aldeia, porque senão deixaria de poder lá viver, e, até com o próprio Tomas, é obrigada a portar-se como uma esposa desvelada porque ela precisa dele. Será sempre impossível determinar com um mínimo de segurança em que medida é que as nossas relações com outrem resultam dos nossos sentimentos, do nosso amor, do nosso desamor, da nossa benevolência ou do nosso ódio, e em que medida é que estão previamente condicionadas pelas relações de forças existentes entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma.

Mas sobretudo: nenhum ser humano pode presentear outro com um idílio. Só o animal pode fazê-lo porque não foi expulso do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dilacerantes, sem evolução. Karenine ia traçando em torno de Tereza e de Tomas o círculo da sua vida fundada na repetição e também esperava o mesmo deles. 

Milan Kundera


Eu estou aqui para muito mais protagonistas negras na televisão e no cinema. Hoje conheci a série Pitch, onde uma mulher é uma estrela do baseball que é contratada para jogar em um grande time com homens.
Eu nunca gostei tanto de baseboll. Bem, eu nunca gostei de beisebol, na verdade, nunca me interessei, mas a série é bem mais do que isso, pelo que vi até agora.
É a superação de Ginny Baker em um meio onde muitos torcem por ela, mas especialmente seus colegas duvidam e esperam sua derrota e ela sabe disso.

Série Pitch Ginny Baker

Série Pitch Ginny Baker

Série Pitch Ginny Baker

Ginny Baker foi treinada pelo pai para ser a melhor, ele exige muito dela ao ponto de nunca estar satisfeito. Talvez ele soubesse desde cedo que dela seria cobrado muito mais do que dos homens.
Todos esperam um mínimo derrape para decretar seu fracasso e a superioridade masculina no esporte.

Série Pitch Ginny Baker kid

Série Pitch Ginny Baker kid

Série Pitch Ginny Baker

Apesar de ainda estar no começo, eu recomendo muito a série Pitch, temos poucas referências e acredito que Ginny Baker vai nos dar muitas vitorias e motivos para torcer.



Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um esquisso. Mas nem mesmo ''esquisso'' é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro. Tomas repete em silêncio o provérbio alemão, einmal isr keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é pura e simplesmente como não viver

Tomas ainda não sabia que as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.

Em todas as línguas derivadas do latim, a palavra compaixão forma-se com o prefixo ''com'' e a raiz ''passio'' que, na sua origem, significa sofrimento. Noutras línguas, como, por exemplo, em checo, em polaco, em alemão, em sueco, a palavra traduz-se por um substantivo formado por um prefixo equivalente seguido da palavra ''sentimento'' (em checo: sou-cir; em polaco: wspol-czucie; em alemão: Mit-gefühl; em sueco: med-känsla). Nas línguas derivadas do latim, a palavra compaixão significa que ninguém pode ficar indiferente ao sofrimento de outrem; ou, de outra maneira: sente-se sempre simpatia por quem sofre.

Não há nada mais pesado do que a compaixão. Mesmo a nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, por outro, no lugar de outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos.

Ao contrário de Parménides, parece que Beethoven considerava o peso como algo de positivo. Der schwer gefasste Entschluss, a decisão gravemente pesada está associada à voz do destino (Es muss sein!); o peso, a necessidade e o valor são três noções íntima e profundamente ligadas: só é grave o que é necessário, só tem valor o que pesa. A origem desta convicção situa-se na música de Beethoven e, sendo embora possível (senão provável) que seja mais da responsabilidade dos seus exegetas do que do próprio compositor, hoje quase todos nós a partilhamos: para nós, a grandeza de um homem reside no fato de carregar com o seu destino como Atlas carregava aos ombros a abóbada dos céus. O herói beethoveniano é um halterofilista de pesos metafísicos.

Numa aula de trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer uma experiência para confirmar uma dada hipótese científica. Mas o homem, porque só tem uma vida, não tem qualquer possibilidade de verificar as hipóteses através da experiência e nunca poderá saber se teve ou não razão em obedecer aos seus sentimentos.


Ao lembrar-se do que Tereza dissera de Z., Tomas constatava que a história do grande amor da sua vida não estava marcada por um ''Es muss sein'', mas antes por um ''Es konnte auch anders sein'': podia muito bem ser de outra maneira...

Mas havia mais uma coisa: um livro aberto em cima da mesa. Nunca ninguém abrira um livro numa mesa daquele café. Para Tereza, o livro era o santo e a senha de uma irmandade secreta. Para enfrentar o mundo grosseiro que a rodeava não tinha, com efeito, senão uma arma: os livros que ia buscar à biblioteca municipal e que eram sobretudo romances; lia-os aos montes, de Fielding a Thomas Mann. Davam-lhe uma oportunidade de evasão imaginária, arrancando-a a uma vida que não lhe oferecia satisfação de espécie nenhuma, mas, enquanto simples objectos, também tinham um sentido. Gostava de andar na rua com livros debaixo do braço. Eram para ela o que a bengala era para os dandies do século passado. Distinguiam-na dos outros. (A comparação entre o livro e a bengala

O acaso tem destes sortilégios, a necessidade, não. Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.

Enquanto as pessoas são novas e as partituras musicais das suas vidas ainda só vão nos primeiros compassos, podem compô-las em conjunto e até trocarem temas (como Tomas e Sabina trocaram o tema do chapéu de coco). Porém, quando se conhecem numa idade mais madura, as suas partituras musicais já estão mais ou menos acabadas e cada palavra, cada objecto, tem um significado diferente na partitura de cada uma. 

Séculos depois, o filósofo americano de origem espanhola George Santayana acrescentou: "Há livros em que as notas de rodapé, ou os comentários rabiscados por algum leitor nas margens, são mais interessantes do que o texto. O mundo é um desses livros"

O erudito inglês do século XVI Francis Bacon catalogou o processo: "Alguns livros são para se experimentar, outros para serem engolidos, e uns poucos para se mastigar e digerir".

Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos.

Milan Kundera