Um dos personagens mais importantes em Loney é o cenário. Algo sombrio e chuvoso que pode fascinar leitores melancólicos como eu. Eu poderia passar o dia lendo sobre o lugar. O narrador é o outro personagem mais importante porque é ele que nos prende até a última linha, mesmo sem ser uma história com grandes acontecimentos.
Smith e Hanny são irmãos muito unidos, Smith é o responsável pelo irmão, que é mudo. A família, especialmente a mãe esperam um milagre que possa curar Hanny, por isso eles sempre vão para esse vilarejo onde há poucas pessoas, quase sempre muita chuva e o perigo que o mar representa, sempre ameaçando ultrapassar as barreiras e afogar as pessoas. Apesar disso, o lugar é visto como especial para a religiosa Esther, mãe dos garotos e ela tem certeza que lá vai acontecer o milagre.
O padre que os acompanhava nas peregrinações falece de uma forma misteriosa e Esther, sempre autoritária e controladora implica com os hábitos do novo padre, ela quer que ele faça tudo como o anterior e detesta ver que as coisas vão saindo do seu controle e o padre não pode manter todos da forma como ela gostaria.
Smith é o narrador da história, ele conta que ele e Hanny saiam pela praia, apesar dos perigos, eles encontram uma menina em torno dos 14 anos que está grávida e pensam que ela foi ao local para ter o filho escondido. 
Hanny fica encantado com a menina e atraído pelo local onde ela está, em Coldbarrow, uma residência ainda mais sombria, para onde ela é levada por dois adultos. Avisado pelo padre, Smith sabe que precisa ficar longe do local e de alguns moradores locais, mas nem sempre ele consegue controlar Hanny e fazê-lo entender o perigo que corre.
Acredito que algumas pessoas podem achar as descrições cansativas, por isso há muitas resenhas negativas, mas particularmente foi o que mais gostei. A paisagem me lembra algo de O morro dos ventos uivantes, como citei antes, um cenário que se torna personagem.
Andrew Michael Hurley mostra que dominas as técnicas de narração, Smith nos leva pela história entre várias linhas do tempo, desde quando saem para a peregrinação, até os tempos em que ele era coroinha com o padre Wifred e então quarenta anos depois dos acontecimentos em Loney.


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