Livros lidos em Outubro


O beijo no asfalto - Nelson Rodrigues ***
O mulato - Aluizio Azevedo ***
Loney - Andrew Michael Hurley ***
Cantigas da inocência e da experiência - William Blake ***
Animate me: amor criativo - Ruth Clampett ***
Violetas na janela - Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho ****
Vivendo no mundo dos espíritos - Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho ****




Um dos personagens mais importantes em Loney é o cenário. Algo sombrio e chuvoso que pode fascinar leitores melancólicos como eu. Eu poderia passar o dia lendo sobre o lugar. O narrador é o outro personagem mais importante porque é ele que nos prende até a última linha, mesmo sem ser uma história com grandes acontecimentos.
Smith e Hanny são irmãos muito unidos, Smith é o responsável pelo irmão, que é mudo. A família, especialmente a mãe esperam um milagre que possa curar Hanny, por isso eles sempre vão para esse vilarejo onde há poucas pessoas, quase sempre muita chuva e o perigo que o mar representa, sempre ameaçando ultrapassar as barreiras e afogar as pessoas. Apesar disso, o lugar é visto como especial para a religiosa Esther, mãe dos garotos e ela tem certeza que lá vai acontecer o milagre.
O padre que os acompanhava nas peregrinações falece de uma forma misteriosa e Esther, sempre autoritária e controladora implica com os hábitos do novo padre, ela quer que ele faça tudo como o anterior e detesta ver que as coisas vão saindo do seu controle e o padre não pode manter todos da forma como ela gostaria.
Smith é o narrador da história, ele conta que ele e Hanny saiam pela praia, apesar dos perigos, eles encontram uma menina em torno dos 14 anos que está grávida e pensam que ela foi ao local para ter o filho escondido. 
Hanny fica encantado com a menina e atraído pelo local onde ela está, em Coldbarrow, uma residência ainda mais sombria, para onde ela é levada por dois adultos. Avisado pelo padre, Smith sabe que precisa ficar longe do local e de alguns moradores locais, mas nem sempre ele consegue controlar Hanny e fazê-lo entender o perigo que corre.
Acredito que algumas pessoas podem achar as descrições cansativas, por isso há muitas resenhas negativas, mas particularmente foi o que mais gostei. A paisagem me lembra algo de O morro dos ventos uivantes, como citei antes, um cenário que se torna personagem.
Andrew Michael Hurley mostra que dominas as técnicas de narração, Smith nos leva pela história entre várias linhas do tempo, desde quando saem para a peregrinação, até os tempos em que ele era coroinha com o padre Wifred e então quarenta anos depois dos acontecimentos em Loney.


Desde o começo do mês que terminei de ler Anima te me Amor criativo, mas não escrevi sobre porque não é o tipo do livro do qual eu faria uma grande resenha. Mas hoje deu vontade de escrever alguma coisa, então ele terá uns comentários.
Anima te me é um livro interessante para adultos que gostam de desenhos animados, cheio de referências do meio. A história é narrada por Nathan, ele é um animador nerd apaixonado por uma colega de trabalho, mas não tem coragem de se declarar, então ele se aproxima dela sempre levando café com ilustrações divertidas dela.
O que Nathan não conta para Brooke é que ela o inspirou para a heroína de uma história em quadrinhos. Ele usa a desculpa de que gosta de outra colega de trabalho e Brooke resolve ajuda-lo na arte do namoro, inclusive com práticas de beijos e sexo.
Nathan é muito inseguro, sem nenhuma experiência amorosa e
sempre rodeado por amigos e família que precisam ajuda-lo em tudo.
É o típico estereotipo do nerd que sonha que a garota perfeita vai cair nos braços dele e ensina-lo a fazer sexo. Só que isso realmente acontece com ele.
Brooke acaba se envolvendo de verdade por ele, mas ela namora com o chefe deles e no fundo, ela não é a garota perfeita, ela também é muito insegura e cheia de complexos gerados pela relação com um homem que a faz se sentir inferior.
É um romance bem erótico e voltado para nerds que amam desenhos animados. Talvez com personagem estereotipados demais, mas uma história bem descontraída. Só acredito que poderia ter um pouco menos páginas, lá pelo meio eu já estava cansada de tantos diálogos e pouca narração, com Nathan sempre precisando da confirmação dos sentimentos
de Brooke por ele e quando ela também começa amostrar insegurança, você quase desiste do livro.
Li as últimas páginas rapidinho por esse motivo, mas é sim um bom livro para quem saiu de uma leitura mais pesada e precisa relaxar.