Primeiramente, Fora Setembro, fora primavera que eu não aguento mais tanto calor. Por favor, vamos voltar a andar como os índios, não dá mais.
E então, vamos ver o vídeo em que tracei minha meta de leitura para Setembro?

Achei meio estranho fazer vídeo, ficou muito baixo também, tem que deixar o fone no máximo. O importante, no entanto, é o conteúdo e considero que foi meio sucesso o meu plano de leitura, não deu tempo ler tudo o que planejei e odiei planejar.
Talvez seja influência do meu signo, mas gosto de fazer tudo por impulso, tudo o que é planejado vira obrigação e não prazer.
Leitura pra mim tem a ver com paixão à primeira vista. Se encantar com o título e a capa e começar a ler imediatamente sem ter ideia ou resumo da história. Como pegar um trem sem saber pra onde vai. A coragem que não tenho pra visitar assim lugares reais, os livros me dão em fantasia. Cair de pijama no meio da Sibéria, desligar a televisão e me encontrar nos tempos do papiro. Amo a leitura desprevenida..
Portanto não segui estritamente o roteiro que fiz, mas foi quase. Ficou assim:

Livros lidos em Setembro:


1. Clássico nacional : Helena - Machado de Assis
2. Protagonista Negro: Meio Sol amarelo - Chimamanda Ngozi Adichie
3. Estrangeiro não-americano: Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
4. Não ficção: Uma história da leitura - Alberto Mangel ( Leitura ainda em progresso)
5. Autor contemporâneo : Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins



E pra não dizer que não falei de filmes, assisti:


1.Perdido em Marte.
2. Contaminados.
3. Ensaio sobre a cegueira
4. O amor em fuga.

Também terminei a oitava temporada de Friends e assisti algumas outras séries, mas não cheguei a finalizar temporadas destas.

Enfim, pra quem está o dia inteiro em casa, acho que li e assisti pouco, mas parece que quando você está em casa o trabalho é infinito!



P.S. Livros novos



Ah, depois que eu escrevi o post, lembrei que chegaram uns livros novos que comprei no Submarino. Estava uma promoção incrível e cada livro saiu por menos de 5 reais! Então veio a dúvida se a edição econômica seria boa ou muito fraca. Não me preocupo muito com a edição porque eu sou o tipo que rabisca e dobra página. Vou comprar edição de luxo?! O importante pra mim é o conteúdo que que seja confortável pra ler. Eu comprei a Coleção O mochileiro das galáxias e a Saga encantadas.
Em Uma história da leitura, o Alberto Manguel fala também sobre o início das edições econômicas. Como vocês devem saber, livro era um objeto de luxo e poucos podiam comprar. Surgiu a Penguin para lanças livros clássicos a preço popular, mas as pessoas não acreditavam no projeto logo no início. É uma parte do livro muito interessante pra nós pobres que amamos literatura, rs. Imaginem que naqueles tempos, poucas pessoas podiam desfrutar desse prazer. É tão injusto porque livros deveriam ser acessíveis a todos.

Bom, esses foram os livros que comprei:







Encantadas é um amorzinho, cheio de detalhes bonitos nas páginas e espaços em branco pra uma certa rabiscadora aproveitar. As páginas são bem brancas e tem um bom espaçamento.
Já o Guia do Mochileiro tem página amarelada bom pra ler, mas as letras são menores e quase não tem margem, também é uma brochura 'bem apertada', o tipo de livro que eu dobro mesmo pra poder ler. Nem um espacinho em branco :(

Está aí, gostei demais dos livros, estão lindos na minha estante esperando a vez deles.


Em 1904, Kafka escreveu a seu amigo Oskar Pol ak: "No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmos ao trabalho de lê-lo?
Para que nos faça feliz, como diz você? Meu Deus, seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. Um livro tem de ser um machado para o mar gelado de dentro de nós. É nisso que acredito".






de Uma história da leitura. 


[ Spoiler]

Helena é um romance de Machado de Assis de 1976. Romance da fase do autor inexatamente chamada fase romântica, quando melhor se diria ''de compromisso'' ou convencionais''.
O conselheiro Vale era um homem rico, que, apesar de honrado, era dado a aventuras amorosas. Quando vem a falecer, deixa em seu testamento o pedido para que o filho, Estácio, e a irmã, D. Úrsula aceitem uma filha que ele teve fora do casamento, Helena.
Helena é uma jovem linda, inteligente e encantadora, logo conquista amizade do irmão, dos escravos e amigos da família se mostrando uma boa dona de casa e com muitas habilidades, uma verdadeira moça muito prendada. 
O médico e amigo da família mostra notável antipatia por Helena, o que pode-se perceber, se deve ao fato de que ele pretende casar a filha Eugênia com Estácio e não contava ter a herança do rapaz dividida com Helena. 
D. Úrsula não simpatiza de imediato com a sobrinha,mas sofrendo de uma grave doença e tendo a moça como sua fiel e única enfermeira, acaba por se render aos encantos da jovem. 
Estácio, como bom filho, sempre pretende seguir as ordens do falecido pai e amar a irmã, como se sempre tivessem crescido juntos. Helena se torna a alegria deles, juntos passeiam a cavalos, passam longas horas lendo e organizando os livros dele.
Quando precisa se ausentar de casa, viajando para acompanhar a família da noiva em uma visita a uma doente, ele lamenta muito a ausência da irmã e não vê a hora de voltar para casa, sempre trocando cartas com ela e falando de sua infelicidade. Eugênia é uma típica beleza, mas uma moça superficial e convencida.
Quando retorna da viagem, Estácio é informado pelo seu melhor amigo, Mendonça que ele pretende pedir a mão de Helena e está apaixonado, ela não reponde estar apaixonada, mas revela ao irmão que tem um amor impossível e prefere casar com Mendonça para esquecer e aos poucos acredita que poderá amá-lo.
Estácio não concorda e procura justificar que seria a infelicidade da irmã, mas o padre revela o que ele próprio não poderia confessar, ele está apaixonado pela irmã e ela por ele. São irmãos e se amam.
O suspense no romance é construído brilhantemente por Machado de Assis. Estácio descobre que Helena costuma visitar uma casa humilde com frequência e em segredo, ele conhece o homem que mora na casa, mas não consegue descobrir o vínculo entre eles, supondo que tem a ver com um caso clandestino de Helena.
Confrontada, Helena sofre e afirma que a verdade os separará para sempre. Na verdade, o homem, que se chama Salvador é o verdadeiro pai de Helena. Sua mãe e Salvador fugiram juntos quando jovens, pois a família não aceitava o casamento. Helena nasce e eles continuam na pobreza, Salvador vai ao encontro do pai à beira da morte e quando retorna descobre que sua mulher está vivendo com o Conselheiro Vale em uma grande propriedade onde Helena tem conforto e educação.
Ele faz o possível para acompanhar a menina de longe, mas aceita perder a paternidade em troca da felicidade e futuro da filha. Assim Helena cresce amando o Conselheiro como pai adotivo, mas sabendo que tem seu verdadeiro pai a distância.
Ela entra na farsa para agradar aos seus dois pais, mas quando é descoberta fica repleta de vergonha e implora que possa ir embora viver com o pai e longe da família que enganou por meses. Estácio não quer o escândalo que a verdade provocaria, o padre acredita que ele deve casar logo e casar Helena com Mendonça, como se nada disso tivesse acontecido.
Eles insistem que Helena não deverá ir embora e Salvador parte para que ela não possa abandonar tudo o que possui graças a bondade do Conselheiro. 
Em um momento de desespero, em um dia chuvoso, Helena discute com Estácio e procura ir embora se submetendo a chuva, ele a leva para a casa,mas ela é tomada por uma febre e seu caso vai se tornando grave e exigindo mais cuidados, até que todas as esperanças são perdidas.
Mesmo com os cuidados de Estácio e D. Úrsula, Helena morre sem ter vivido o amor, que na verdade era possível, pois eles nunca foram irmãos. 

Um escravo veio chamar Estácio à pressa; ele subiu trôpego as escadas, atravessou as salas, entrou desvairado no quarto, e foi cair de joelhos, quase de bruços, junto ao leito de Helena. Os olhos desta, já volvidos para a eternidade, deitaram um derradeiro olhar para a terra, e foi Estácio que o recebeu, — olhar de amor, de saudade e de promessa. 

Helena fez parte do meu projeto de ler um livro clássico da nossa literatura por mês.  É um livro curtinho, lido facilmente em dois dias, apesar de ter um final tão pesado, a leitura é leve, a personagem de Helena é descrita como uma jovem amorosa, embora deva ter alguma ambição por aceitar tão trato, o carinho pela família soa sincero e os momentos juntos são agradáveis de se ler. Em pensar que um fato tão facilmente resolvido nos dias atuais gera tanta infelicidade nos tempos desses jovens! Evoluímos!


A vida tentando seguir, apesar de marcada por conflitos e guerras constantes. Na Nigéria, Olanna é a filha de um casal abastado. Ela é muito diferente da irmã gêmea, Kainene, as duas não são muito próximas.
Essas mulheres, por gozarem de uma boa posição social, podem viver com liberdade e morar com o homem escolhido, mesmo sem casar. Embora a família sempre tente incentiva-las a se relacionar com os bons pretendentes, homens que procuram e oferecem vantagens para a família.
Olanna se apaixona por um professor revolucionário, Odenigbo, ele costuma reunir em sua casa outros intelectuais africanos para discutir política e outros assuntos.
Odenigbo tem um empregado, vindo da roça, Ugwu. Antes de trabalhar nessa casa, Ugwu não acreditava que alguém, por mais rico que fosse, poderia comer carne todos os dias. Ele se deslumbra com a casa, a comida, os móveis, cama confortável e se sente muito grato de ter sido escolhido para o trabalho. O patrão tem interesse em fazer com que ele vá a escola e ele tem muito orgulho de trabalhar para um intelectual.
Quando Olanna e Odenigbo já estão morando juntos há um golpe. Pode ser muito informação para quem não conhece muito de História, já que nossas aulas continuam ignorando tudo o que não é Ocidental. 
Kainene se envolve com um homem branco britânico, Richard. Ele se interessa pela cultura local e fez a viagem para escrever um livro, embora ainda não saiba sobre o quê. Richard acaba se sentindo um ibo, como a mulher e não pensa em ir embora, mesmo nos piores momentos.
A narrativa é forte e crua sobre os conflitos e massacres. Não é um livro para pessoas fracas. Um dos momentos mais chocantes é quando Olanna viaja para Kono para buscar uma parente grávida porque os ibos estão sendo assassinados pelos muçulmanos, e ela se depara com uma carnificina. Corpos mutilados pelas ruas, homens procurando mais ibos para matar, pessoas fugindo em trens e ônibus lotados uma mulher carregando a cabeça decepada da filha.
Kainene, Richard, Olanna, Odenigbo e Ugwu acreditam na nova nação, Biafra.
Muitos dão suas vidas nessa guerra, sempre sendo falados que a vitória está próxima e é preciso fazer sacrifícios. 
Os sobreviventes precisam viver se mudando, fugindo dos bombardeios, procurando um lugar onde imaginam que estarão seguros só para precisar fugir mais uma vez.
Alguns ricos conseguem ir para outro país, mas Olanna e Kainene insistem em ficar, mesmo quando os pais partem para Londres.
Homens muito joves e idosos foram recrutados à força para lutar sem treinamento, mulheres enfrentavam estupros coletivos e todo tipo de violência e violação. A subnutrição e outras doenças levavam as crianças, pois até os remédios estavam em falta.
Os homens foram transformados, fizeram coisas que eles próprios condenariam, as mulheres são mostradas como incrivelmente fortes, apesar dos estupros, humilhações, dos filhos mortos, das carnificinas que presenciaram.
A guerra afasta e aproxima pessoas permite reencontros já impossíveis de serem sonhados e perdas e desencontros inimagináveis de tão cruéis e desumanos.
É uma história para ser lida e nunca esquecida. A história daqueles que morreram enquanto o mundo seguia sua agenda normal, mesmo muito perto dali, como se nada tão absurdo estivesse acontecendo.


Quotes


“Meu pai e seus amigos políticos roubam dinheiro com os contratos que fazem com as empresas, mas ninguém os faz ficar de joelhos, implorando o perdão. E com o dinheiro roubado eles constroem casas e alugam para gente como esse homem, a preços exorbitantes que os impedem de comprar comida.”



Você nunca deve se comportar como se a sua vida pertencesse a um homem. Ouviu bem?”, disse tia Ifeka. “A sua vida pertence a você e só a você, soso gi.


Ele escreve sobre fome. A fome foi a arma de guerra da Nigéria. A fome quebrou Biafra, trouxe fama a Biafra e fez Biafra durar o tempo que durou. A fome fez os povos do mundo repararem e provocou protestos e manifestações em Londres, Moscou e na Tchecoslováquia. A fome fez a Zâmbia, a Tanzânia, a Costa do Marfim e o Gabão reconhecerem Biafra, a fome levou a África até a campanha presidencial de Nixon, e fez os pais do mundo todo dizerem aos filhos para raspar o prato. A fome levou organizações de ajuda a fazer transportes clandestinos de comida durante a noite, uma vez que nenhum dos lados conseguia chegar a um acordo quanto às rotas. A fome ajudou a carreira dos fotógrafos. E a fome fez a Cruz Vermelha Internacional chamar Biafra de sua maior emergência, desde a Segunda Guerra Mundial.




Ele escreve sobre o mundo, que permaneceu calado enquanto os biafrenses morriam. Argumenta que a Grã-Bretanha inspirou esse silêncio. As armas e o conselho que os britânicos deram à Nigéria formou outros países. Nos Estados Unidos, Biafra estava “sob a esfera de interesses britânicos”. No Canadá, o primeiro-ministro deixou escapar: “Onde é que fica Biafra?”. A União Soviética enviou técnicos e aviões à Nigéria, vibrando com a possibilidade de influir na África sem ofender norte-americanos e britânicos. E, de suas posições de supremacia branca, África do Sul e Rodésia olharam triunfantes para mais uma prova de que governos liderados por negros estavam fadados ao fracasso. A China comunista denunciou o imperialismo anglo-americano-soviético, mas nada fez para apoiar Biafra. 


Olanna ouvia o som dos aviões à distância, como trovões se formando, e logo depois os nítidos estalos de fogo antiaéreo se espalhando. Antes de entrar no bunker, olhou para cima e viu os jatos bombardeiros deslizando no céu, feito gaviões, voando surpreendentemente baixo, com bolas de fumaça cinza em volta deles. Ao saírem do bunker, mais tarde, alguém disse: “Eles queriam pegar a escola primária!”. “Aqueles ateus bombardearam a nossa escola”, disse a professora Muokelu.

Talvez os vândalos já estivessem lá, de posse da casa da tia, a que tinha teto de zinco. Ou quem sabe a família fugira com as cabras e galinhas, como toda essa gente que chegava a Umuahia. Os refugiados. Ugwu via o pessoal chegando, cada vez mais, todo dia novos rostos nas ruas, na fonte pública, no mercado. Mulheres batendo na porta a todo momento, perguntando se haveria algum trabalho que pudessem fazer em troca de comida. Apareciam com os filhos, magros e nus.


“Nós nunca nos lembramos efetivamente da morte”, disse Odenigbo. “A razão de vivermos como vivemos é que nunca nos lembramos de que vamos morrer. E todos vamos morrer.” “Exato”, disse Olanna; Odenigbo tinha os ombros caídos. “Mas quem sabe é justamente esse o sentido de estarmos vivos? Para negar a morte?”, perguntou ele.

7. O Livro: O Mundo Estava Calado Quando Nós Morremos Para o epílogo, escreve um poema, nos mesmos moldes dos de Okeoma. Com o seguinte título: “VOCÊ SE CALOU QUANDO NÓS MORREMOS?” Você viu as fotos em 68 De crianças com o cabelo ficando ferrugem? Chumaços doentes aninhados nas cabecinhas, Caindo feito folha podre na terra poeirenta? Imagine crianças com braços feito palitos. A pele estirada, uma bola de futebol na barriga. É o kwashiorkor —palavrinha difícil, Mas não feia o bastante, uma pena. Mas não precisa imaginar. Houve fotos Expostas nas páginas em papel cuchê Da sua Life. Você viu? Sentiu um dó rápido E depois se virou para abraçar mulher ou amante? A pele deles ficou castanha como chá fraco, Mostrava uma teia de veias, osso quebradiço;


Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins
Livro de suspense: A garota no trem


No livro A garota no trem, Rachel é uma mulher nos seus trinta anos, desempregada, divorciada, que não consegue aceitar o fim do casamento, alcoólatra e desempregada. Tudo está errado na vida dela, nada faz sentido ou lhe dá vontade de viver, até que ela se envolve no desaparecimento de outra mulher.
Rachel mora com uma amiga e não pode revelar que perdeu o emprego há vários meses por causa da bebida, então todos os dias ela pega o trem, como se fosse trabalhar. Do trem ela observa um casal, que parece o típico casal de comercial de margarina, tudo que ela queria ser com o ex-marido Tom. Ela imagina nomes para o casal, imagina como é a vida feliz deles e um dia fica muito abalado por ver a mulher com um homem diferente.
Rachel pensa que ela nunca jogaria um casamento feliz fora, ela sonhava em ser mãe e vendo esse sonho ruir, o vicio na bebida é sua única válvula de escape, o que ela acredita que foi o fim do seu relacionamento com Tom.
Megan é uma mulher com um passado complicado, tenta ser feliz na vida 'normal' de um casamento, mas sente falta de mais emoção em sua vida. Acaba se envolvendo em relações extra-conjugais, tentando preencher esse vazio, essa inquietação com a qual ela não sabe lidar.
Ana é a atual esposa de Tom, eles começaram um caso quando ele ainda era casado com Rachel, ela vai morar na casa que ele dividia com a ex-esposa, eles têm uma filha e a vida da família é constantemente perturbada pelas intromissões da ex que não se conforma em ter sido rejeitada.
A garota no trem é narrado todo em primeira pessoa, as três mulheres se intercalando em mostrar seu ponto de vista.
O problema com a bebida faz com que Rachel sofra com apagões, e ela tem um desses apagões na noite em que Megan desaparece. Ela não lembra de nada do que aconteceu, mas acredita que pode ter feito algo de muito grave ou ruim enquanto estava sob o efeito do álcool. 
Ela sabe que viu Tom a Ana, mas ambos não estão dispostos a conversar com ela, ela também lembra de um homem ruivo no trem, mas não consegue saber o que sente perto dele, assim como com o terapeuta de Megan, que passa uma sensação de confiança, mas há algo de estranho nele, e o marido de Megan, que ela tem idealizado, mas vai se mostrar ser bem diferente do bom rapaz que ela chamava de Jason.
O enredo principal de A garota no trem, portanto, é Rachel tentando juntar as peças desse quebra-cabeças que é a sua memória comprometida por lembranças confusas e cenas misturadas. Aos poucos o leitor pode ir juntando isso mais depressa do que ela. Eu consegui descobrir antes de chegar ao final \0/.
Rachel é uma ótima personagem, apesar de às vezes a falta de amor próprio dela dar uma certa raiva. Ela é uma pessoa destruída pela separação do homem que ama e pelo álcool, alguém que perdeu todo o respeito e se envergonha do que se tornou, mas não consegue ser mais forte do que o vício e a depressão para tomar o rumo da própria vida.
Enfim, A garota no trem é um livro que recomendo a quem gosta de mistério e suspense do tipo que a gente tem que ir desvendando cada peça e sentindo a emoção de desmascarar os personagens.

A garota no trem Resenha feita por Daniele C.S. em . Ótimo livro de suspense! Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins Classificação: 4



[ Contém spoiler] Esse resumo de Ensaio sobre a cegueira contém revelações sobre o desfecho.

Um cenário apocalíptico. Em Ensaio sobre a cegueira, um homem fica cego, de repente, no trânsito. Nenhuma explicação médica para a cegueira. O oftalmologista que o atendeu e examinou também fica cego. Assim como o homem que o ajudou a chegar em casa e roubou seu carro. Assim como as outras pessoas que estavam no consultório, todos ficam cegos, uma imensa brancura tapando a vista. São mandados para a quarentena em um manicômio. 
A mulher do médico não fica cega, mas finge estar para poder ficar ao lado dele. No manicômio, outros cegos vão chegando, eles ficam isolados dos soldados que fazem a vigilância do local. Qualquer aproximação resulta em morte, todos têm medo da contaminação.
A comida é enviada em caixas e eles precisam se virar para fazer a divisão. Não há nenhum serviço de ajuda, eles apenas são largados a própria sorte. Aos poucos começam a tropeçar na própria imundície. Há produtos de limpeza, mas não há pessoas que enxerguem para fazer o trabalho, apenas a mulher do médico, que precisa fingir que é cega. A ela restam olhos para enxergar os outros vivendo como animais. 
Em um mundo de cegos, ela deseja ser cega para não ter a responsabilidade do peso do mundo nas costas. Cegos malvados roubam toda a comida e exigem bens materiais, estupram as mulheres, ameaçam de morte. A mulher do médico se sujeita a tudo fingindo que também não enxerga. 
Me faz pensar naqueles que enxergam os problemas, nas muitas vezes em que temos uma visão e os outros discordam, nós muitas vezes nos calamos, embora saibamos que estamos certos, apenas para seguir a multidão. Mas de que servem os olhos, a visão, o pensamento,a mente aberta, se não usamos para nos sentir de consciência limpa a ajudar os outros?

Não soubemos resistir como deveríamos quando eles apareceram com as primeiras exigências, Pois não, tivemos nós medo, e o medo nem sempre é bom conselheiro,

Um dia, durante uma sessão de estupro, a mulher do médico consegue agir matando o líder dos cegos malvados, assim eles começam uma guerra que rende outros mortos. Uma outra mulher consegue provocar um incêndio. Fugindo do fogo, eles decidem encarar os soldados, mas descobrem que não há mais soldados. Saem para a rua e descobrem que não há mais nada, só cegos desgovernados vagando pelas ruas imundas procurando comida.
A mulher do médico guia um pequeno grupo, já está revelado que enxerga. Ela encontra comida para eles e resolve trancar a porta para voltar depois e pegar mais comida. O depósito tem uma escada estreita e ela sai correndo do local deixando cegos que sentem o cheiro de comida. Em outra ocasião quando volta, ela percebe que há corpos em decomposição, provavelmente os cegos que sentiram o cheiro, tentaram entrar para o depósito e caíram na escada, ela fica escandalizada se sentindo culpada por mortes mais uma vez.
Tudo em volta é um caos, pessoas sujas, com fome, ninguém encontra a própria casa e acabam ficando em qualquer uma que encontrem, mortos apodrecem pelas ruas, animais se servem das carcaças. Só a mulher do médico pode encontrar a própria casa e apenas o grupo dela consegue manter um pouco de humanidade graças aos olhos dela, que podem ver.
Da mesma forma que começou, a cegueira vai embora aos poucos, de pessoa em pessoa, como se nunca tivessem sido cegos, como uma descontaminação.
A pontuação de José Saramafo, tão caótica quanto o enredo? nos deixa quase sem fôlego e sem pausa em uma narrativa que prende o leitor, sem um momento de tédio. Apesar de estar em português de Portugal, não tive dificuldade com quase nenhuma palavra, para as poucas que não sabia o significado, o Kindle ajudou muito.


Foi umas das minhas melhores leituras do ano, graças a indicação de uma amiga no Clube de leitura do whatsApp.
Um livro para entretenimento e reflexão profunda, merece toda a fama que possui.



Quotes Ensaio sobre a cegueia - José Saramago



A culpa foi minha. chorava ela, e era verdade, não se podia negar mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele a pensar nelas a sério. primeiro as imediatas. depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chega ríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será,


É desta massa que nós somos feitos? metade de indiferença e metade de ruindade. 




Grandes esperanças foi escrito por Charles Dickens em 1861 inspirada na experiência amorosa do autor com a atriz Ellen Ternan e na sua certeza da imutabilidade da hierarquia social refletida no destino de Pip, protagonista da obra.

O menino Pip foi criado pela irmã e pelo cunhado em uma vila com o destino de ser ferreiro como o cunhado e grande amigo, Joe. Mas acontecem fatos que vão alterar completamente o seu destino. Primeiro há um encontro com o condenado fugitivo que o obriga a roubar comida de casa para o alimentar.


Depois Pip é convidado por uma velha e louca senhora rica para brincar na casa dela com sua filha adotiva, Estella. E ele fica perdidamente fascinado pela beleza da menina O encontro com Estella e o orgulho dela fazem com que Pip se envergonhe de si mesmo e da situação em que vive. Na certeza de que a Estella o desprezaria se o visse em sua humilde casa ou trabalhando como ferreiro. 
 
Esse dia foi memorável para mim, pois causou grandes mudanças no meu destino. Mas é assim com todo mundo. Subtraia um determinado dia de sua vida e veja que, sem ele, sua vida teria tomado um rumo diferente. Faça uma pausa por um instante, leitor, e pense na comprida corrente de ferro ou de ouro, de espinhos ou flores, que jamais se lhe estaria ligada, se um certo dia memorável não tivesse formado o primeiro elo dessa corrente.
 
Pip não é mais feliz e sonha em ter conhecimento e riquezas, tudo o que ele pensa é não ser mais o menino pobre e rude que Estella esnoba.
 Como uma mágica Pip recebe o aviso de que um benfeitor anônimo quer que ele seja um cavalheiro e vai bancar todas as despesas. Ele se muda para a cidade e se transforma, ele volta a ver Estella, e está cada vez interessado nela mas não é feliz com ela. Estella parece uma lembrança de que nada nunca será bom o suficiente para ele.

Todo livro é repleto de coincidências, grandes coincidências como Pip fica rico de repente, na cidade Pip faz um amigo, Herbert,  que é, na verdade, um garoto com quem ele lutou uma vez na infância. Pip descobre grandes segredos envolvendo o seu benfeitor, a velha senhora rica e o passado de Estella.


Durante todo o tempo em que Pip tem grandes esperanças, ele não é feliz. Ele está sempre esperando no futuro o dia que vai conquistar tudo o que ele sempre quis e vendo essas esperanças se perderem. Um dia Pip vai descobrir que na verdade ele sempre teve o que era necessário para ser feliz, mas ele estava ocupado sonhando com as grandes esperanças e com Estella.

Charles Dickens escreve um livro completo com momentos de humor,  muitos momentos de reflexão e  final emocionante.