A história de uma africana que viveu momentos difíceis em sua terra e viu tudo piorar quando foi capturada e embarcada para o Brasil. Em terras brasileiras, kehinde já chegou sem nenhum parente, mas ainda com muita força e vontade de viver e vencer.

Primeiro ela teve um trabalho em que não dava para julgar a dureza da escravidão pois estava como acompanhante para a filha do homem que a comprou.A sinhazinha veio a ser uma amiga para a vida inteira, apesar da diferença da cor, como as duas eram crianças e a menina era muito solitária, acabaram virando amigas.
Mesmo assim ela já viu coisas horríveis como a Sinhá arrancar os olhos de uma escrava que esperava um filho do marido dela, pois ela nunca conseguia ter um filho e odiava a enteada.
 Kehinde que foi chamada de Luisa pelos brancos acreditava que a Sinhá Ana Felipa atraia o que em África eles chamavam de abikus, são espíritos que gostavam muito um do outro e prometiam voltar logo ao orum-céu, por isso as crianças morriam muito cedo. Uma coisa que pode nos chocar é o que se deve fazer para que o abiku viva mais na próxima encarnação, ela diz que ele fez um trato com os outros abikus de morrer quando determinada coisa acontecer, o os abikus sempre tentam lembrar esse trato, para que os abikus não façam isso, deve-se mutilar o corpo da criança morta, dessa forma ela fica irreconhecível e os abikus não querem mais brincar com ela.



Crueldade é a palavra para definir as ações dos proprietários dos escravos. Todos eram batizados e recebiam um nome branco ao embarcar no Brasil. Proibidos de continuar com a família, com as crenças, cultura e religião que tinham na África, tinham que trabalhar além dos limites humanos com pouca alimentação e em condições precárias.
kehinede sempre tenta manter a fé, assim como outros escravos que dão um jeito de esconder suas imagens sagradas. As crenças africanas são vistas como erradas e como algo que prega o mal, isso é tão impregnado na mente dos africanos que mesmo depois de libertos e até os que voltam para a África, como vemos no fim do livro, continuam mantendo a crença em quartos escondidos e exibindo apenas a religião católica. Podemos perceber que até hoje as religiões africanas sofrem muito preconceito e aí estão as raízes disso.
A Sinhá Ana Felipa acredita que Kehinde faz algum feitiço contra ela e aproveita que a sinhazinha está no colégio interno para mandar Kehinde para a senzala grande, lá ela tem que trabalhar com o óleo de baleia que ela vê que já criou graves queimaduras em outras crianças. 
Mas para seu azar ela volta para a casa depois que o Sinhó José Carlos percebe que está se tornando uma moça. Ele tem o hábito de ser o primeiro homem das escravas e não se intimida nem depois que a esposa autoriza o casamento dela com um escravo. Kehinde tenta escapar dele e seu noivo Lourenço tenta ajudar mas ambos sofrem um terrível castigo.

Além de estuprar Kehinde com crueldade, ele faz o mesmo com o noivo dela e manda que cortem o pênis dele depois de muitos açoites.



Ela relata que depois disso, José Carlos foi picado por uma cobra e foi o começo de seu declínio adquirindo uma doença que o fazia apodrecer sem que nenhum médico ou padre pudesse ajudar. Com a morte dele, Ana Felipa muda muito, talvez com medo de sofrer o mesmo castigo. Kehinde tem um filho quase branco e a sinhá se apega a ele e começa a tratar o menino praticamente como um filho.  
Quando a sinhá sai da ilha e vai para São Salvador, Kehinde tem a oportunidade de trabalhar fora dando apenas algo como um aluguel de si mesma a sinhá e aproveita isso para juntar dinheiro para comprar a liberdade dela e do filho. Ela sabe ler porque prestava muita atenção nas aulas da sinhazinha e aprende inglês em um período de tempo que fica alugada para uma família inglesa.
Em São Salvador, ela percebe como os negros estão se organizando para conseguir comprar a liberdade. Além das fugas para os quilombos, há as confederações onde eles juntam dinheiro para a liberdade própria e dos outros. 
Trabalhando duro, Kehinde consegue dinheiro vendendo cookies ingleses e mais tarde consegue abrir uma padaria.
Quando ela consegue a liberdade dela, do filho e dos amigos, ainda se preocupa com a luta dos negros e se envolve em revoltas e lutas armadas. Mas percebemos que os negros estão muito divididos, os mulatos e nascidos na terra, os mais claros se sentem melhor do que os africanos. E os africanos convertidos em mulçumanos querem a liberdade apenas para eles e sonham em escravizar brancos e mulatos.

No meio disso tudo, Kehinde tem que cuidar do filho, Bonjoko, sabendo que ele é um abiku e tem um trato para morrer cedo, ela ainda conhece um português e tem outro filho com ele, é esse o filho para quem ela está escrevendo o relato que é o livro. Enquanto mora com Alberto, o português, em um sítio, ela é assaltada e acaba por matar um dos homens que tentou contra ela.
Os africanos libertos acabam sendo mal vistos na Bahia e com medo de ser deportada para a África, ela começa a se afastar do filho e dos amigos.
Ela passa muito tempo se preparando para ser algo como uma sacerdote dos voduns da família e encontra com uma rainha africana que foi escravizada, mas conseguiu a liberdade e também se dedica às crenças africanas. Como são muitos voduns e orixás e costumes e cerimônias é muito difícil para entende com apenas uma leitura, mas ela descreve cuidadosamente os lugares, as festas e como são feitas as cerimônias.
São muitos personagens também e eu só estou falando de alguns. Depois que a sinhazinha volta do colégio e se casa, elas moram por algum tempo próximas umas das outras e estão sempre se vendo e se ajudando. O marido da sinhazinha também acaba sendo muito amigo dela.
Mesmo quando poderia voltar para casa, Kehinde continua os estudos sobre os voduns e passa três anos sem ver o filho que fica aos cuidados do pai e da amiga Claudina que casa com o Tico que era amigo dela desde a ilha. Algo sempre a impede de ir ver o filho, mesmo quando há notícias ruins sobre mortes de amigos. Até que ela recebe a notícia de que o garoto desapareceu depois da morte de Claudina.
Eles descobrem que o pai endividado com jogos e com vergonha de depender do Tico, que também consegue dinheiro trabalhando com vendas, vendeu o menino como escravo. Kehinde parte para vários lugares onde poderia encontrar o filho, Rio, Santos, Campinas, mas sempre com pistas atrasadas e com decisões erradas que a afastam mais do destino do filho.
Depois de muita busca, ela tem um sonho com a África e pensa que talvez o filho esteja lá, ela acaba refazendo a vida lá, mas ainda não é onde vai encontrar o filho.
Eu já contei o livro quase inteiro, mas acreditem que há muito mais e isso tudo é só o principal do que me lembro. Eu fiquei impressionada com a luta dos negros pela liberdade, nós nunca estudamos isso nos livros de história. Percebemos que falta muita coisa para saber e se orgulhar dessa raça.
Algumas coisas podem ser chocantes e assim como Kehinde nós podemos chamar alguns africanos de selvagens e não falo dos pobres, mas dos reis que sacrificavam vidas humanas. Muitos africanos aproveitaram o que aprenderam no Brasil para levar conhecimento para a África quando puderam voltar. E Kehinde poderia se considerar mais inteligente e melhor do que muitos brancos pois enfrentando todos os preconceitos, torturas e dificuldades, ela conseguiu mais dinheiro e conhecimento do que muitos brancos que tinham o mundo inteiro aos pés deles.



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