Esse livro para mim representou um moderno A bela e a fera. Duas pessoas são obrigadas a conviver, no começo, elas não se suportam, mas aos poucos elas vão percebendo tudo o que há de bom na outra. Primeiramente Louise é uma personagem muito atual e real. Uma mulher de 27 anos que está presa a sustentar pai, mãe, avô, irmã e sobrinho, que precisa desesperadamente de qualquer emprego.
Louise não conhece o mundo, é uma garota pobre que carrega o peso da família nas costas. Um namoro de muitos anos com Patrick é tudo o que ela tem para passar o tempo entre a rotina de casa e trabalho. Ela gostava muito de trabalhar servindo no café antes de ser fechado e diante da necessidade de estar trabalhando e ter uma irmã considerada mais inteligente, ela não pensa em fazer uma faculdade e tentar ser alguém na vida. Esse era o plano reservado para a irmã, Katrina, interrompido por uma gravidez não planejada.
É desse jeito que Louise vai parar sendo a cuidadora de tetraplégico Will. Como um bom Fera, ele tenta assustá-la no começo e ela sofre por não poder deixar o emprego e fugir do ódio e desprezo dele. Mas então a magia acontece. Louise é comunicativa, animada, usa roupas estilosas e engraçadas e Will acaba gostando disso e se divertindo em ser irônico com ela e rir dela. 
Will tem um mundo para apresentar para Louise, ele enxerga nela um grande potencial que não deve ser desperdiçado em uma vida sem emoções em uma pequena cidade. Como é muito rico, ele vivia viajando pelo mundo em aventuras radicais, ele vivia a cultura e tudo de bom que o dinheiro pode pagar.
No decorrer da convivência com os pais de Will e a visita da irmã, Louise descobre que ele pretende se suicidar, que a contratação dela foi para não deixá-lo sozinho para que ele não tente isso de novo, mas a família fez um acordo para deixar que ele faça isso em um lugar especializado.
Pesquisei e há realmente esse lugar na Suíça chamado Dignitas, onde ele fazem suicídio assistido para doentes terminais.
Eu admiro a autora por tratar disso sem demonização da instituição. Acho que é uma ideia que leva dignidade a essas pessoas que não podem mais ter uma vida normal e não querem viver os últimos dias de dor e sofrimento. Eu gostaria que existisse uma Dignitas em todos os países. Ideia parecida eu li no História do rei transparente, quando na iminência do enfrentamento com os Cruzados,Nyneve prepara uma mistura de ervas capaz de transferi-los para o Reino de Avlon onde não há dor, guerra ou tristeza.
[spoiler]
Esse livro não é um conto de fadas, então vamos dizer que Louise e Will se apaixonam, ela toma para si a missão de convencê-lo a viver, mas o beijo dela não pode curá-lo. Jojo Moyes tem uma boa história nas mãos, gosto muito do narrador-personagem, mas gosto quando o autor pode usar isso com maestria como Lygia Fagundes Telles ( Leia As meninas para entender o que estou falando), não aprovo o foco narrativo mudando para personagens secundários com um aviso antes de qual personagem está narrando. Parece um detalhe insignificante, mas isso me doeu nos nervos.
Fora isso, dá para curtir porque o livro é muito emocionante, Will e Louise são bons personagens, é muito fácil se identificar com ela, as dificuldades financeiras, os medos de tentar mudar a vida, eu fico muito grata por uma personagem na situação dela em meio a tantas protagonistas ricas.

Talvez eu leia o próximo livro, mas não estou ansiosa, acho que teve um bom final e nunca gosto muito quando as histórias são estendidas, parece que o autor terminou o trabalho, mas devido ao sucesso houve uma pressão para escrever uma continuação que só enrola, espero que eu esteja errada. Enfim, dá um certo medo de se decepcionar com o que há por vir.

ISBN-13: 9788580573299
ISBN-10: 8580573297
Ano: 2013 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Intrínseca


Deixe um comentário

Obrigada por visitar meu espaço. Fico muito feliz com comentários, mas apenas sobre a postagem. Opiniões, elogios e críticas construtivas são bem-vindos.
Para outros assuntos, use o formulário de contato.