Viver em meio aos jovens me dá uma espécie de experiência científica sobre a sociedade contemporânea. Não que eu seja algum tipo de pessoa descolada que se dá bem com eles. Eu não me entendia com adolescentes nem quando eu era um deles. Pelo amor de Deus, eu passava os recreios na biblioteca. Era tão estranha que acabei sendo professora.
Todas as ironias do destino me levam a circular entre os adolescentes. Além de ser professora e portanto pobre, eu tenho que fazer o trajeto de casa para a escola em um ônibus escolar. Felizmente não são os meus alunos, nem da minha escola  nesse ônibus e eu posso observá-los sem que eles se comportem como fariam na frente da professora-pessoa-chata-que-não-transa-não-gosta-de-nada-e-é-mal-humorada (Como eles descrevem quase todos os honrados colegas sofredores dessa profissão).
Ontem, inclusive, um deles me passou uma cantada. Deus! Meu rostinho patrocinado pelo Renew e meu gosto por tênis e camiseta me fazem mesmo parecer uma adolescente normal entre eles. Claro, se alguém olhar direito vai ver que eu não tenho nada de normal. Ah, nem de adolescente.
Essa de parecer mais nova às vezes é doloroso, essa semana, em meio a uma conversa seríssima, a funcionária do banco me chamou de garota. Eu dei altos tapas nela com a minha imaginação, mas não fiz nada na real porque precisava mesmo do empréstimo. Mas tem coisas boas como todo mudo pode imaginar. É mais fácil se disfarçar entre diferentes classes etárias e ser um pouco tudo sem ser na realidade nada. Tênis e camiseta, sou adolescente, roupa social, sou adulta, mas quando eu começo a me expressar todo mundo vê que eu não sou nem desse planeta.
Hoje nesse ônibus, a galera estava na maior animação falando sobre uma garota ausente. Estava lendo um livro digital, mas tive que ouvir a conversa de tão empolgados que estavam. Resumindo, uma das meninas expôs a virgindade de outra no grupo do WhatsApp da escola. A moça virgem, agora apelidada de Cabacinho ( Cabaço, aqui em PE é uma fruta ou uma pessoa virgem ou o próprio hímen) não pode mais lidar com tamanha humilhação e saiu do grupo e vem faltando as aulas. Como ela pode sair de casa com toda a sociedade sabendo desse deslize? Como ela deixou isso não acontecer?
Quando eu estava no Ensino Médio há uns doze anos, meninas desistiam da escola quando ficavam grávidas e tinham vergonha de encontrar a gente na rua. As pessoas falavam " Fulana está perdida", desculpem, aqui é interior sem rrr, interior de PE, onde o pai tem um facão pra pegar quem mexe com a filha. Hoje é meio ao contrário. Não que seja ruim ter relacionamentos sexuais mais cedo, mas é ruim condenar quem não tem porque aí continua-se sem liberdade sexual. Não é liberdade se você não pode fazer ou se é obrigado a fazer.
Isso sem falar, que para os pais dessa menina, o normal é que ela seja virgem. Eu imagino ela mentindo pra os amigos falando que não é mais virgem. Depois falando para os pais que o que ela falou para os amigos é mentira, que na verdade, ela é virgem. Depois ela acaba transando e quando encontra o cara com quem quer casar talvez vai mentir de novo que é virgem. Depois nem ela mesma vai saber qual é a verdade.
E pouco importa a verdade, ou pouco deveríamos nos importar com a opinião alheia, mas vai falar isso para quem está vivendo a história...


Eu não assisto BBB, por isso não opinaria em nada sobre a competição dos participantes. Mas o que eu vi sendo divulgado no Twitter foi uma garota exibindo o seu racismo enraizado como muitas pessoas fazem diariamente. Munik, ao ver a pia cheia de pratos sujos, disse que eles não têm empregados, eles não têm um negro para fazer isso. E fazendo a tarefa doméstica, ela sentiu-se a negra do BBB. Eu entenderia se ela usasse o termo 'escravo', mas ela deveria saber que 'negro' não é mais sinônimo de escravidão há muito tempo, embora, sim, provavelmente alguma pesquisa pode comprovar que a maioria dos empregados domésticos são mulheres negras. Mas ela usou isso de uma forma depreciativa.
Os fãs defendem a moça porque ela tem um amigo negro e certamente porque esse tipo de racismo acontece todos os dias embaixo dos nossos narizes e nós estamos acostumados. Não é vitimismo, eu me sentiria incomodada se eu estivesse naquela cozinha e ouvisse isso, porque sutilmente estaria significando que eu por ser negra é quem deveria fazer o trabalho que ninguém mais quer. Da mesma forma que eu me sinto ofendida quando alguém fala que o cabelo de Fulana é sujo e descuidado porque ela usa o cabelo natural, me sinto ofendida quando alguém fala que está com fedor de negro, que aquele bandido só podia ser negro, me sinto ofendida porque essa dor é nossa. A dor é minha porque diariamente escuto coisas como 'esses africanos são tão amaldiçoados que todas as doenças vêm de lá'  ou ' como aquela negra da favela conseguiu aquele bom emprego?' Porque todos podemos ter o mesmo sangue como uma nação mestiça, mas quem paga o preço da escravidão até hoje são os marcados com o negro na pele.
Porque eu mesmo com um diploma de nível superior ainda tenho que explicar para burguesas desavisadas que não, não quero um empreguinho na casa delas.Trabalho doméstico não inferioriza, mas é o quadrado onde eles nos colocaram e não querem permitir a saída. Nós já saímos, não tem mais como segurar.
Talvez você ache que racista é uma palavra pesada, mas enquanto não encontrarmos outra, você, que é negro ou simpatizante, não se intimide diante dessas situações, não tenha medo de ser chato ou politicamente correto, coloque a boca no trombone nem que seja para falar um 'peraí, mocinha, vá estudar História contemporânea e aprender que nesse mundo novo os brancos têm que fazer o seu próprio trabalho sujo'.

A ação de Munik é aceita, os fãs subiram uma tag no Twitter para mostrar que têm orgulho dela. Essa é uma prova de como esse tipo de racismo é bem-aceito na sociedade, afinal, ela não tem um negro acorrentado na cozinha sendo açoitado se não fizer as tarefas domésticas na hora.

Isso me lembra um trecho de Americanah onde ela fala como é difícil definir quem é racista hoje em dia, racismo é contra a lei, mas os racistas sempre vão encontrar formas sutis de continuar sendo o que eles são.

         



Os racistas pertencem ao passado. Os racistas são os brancos malvados de lábios finos que aparecem nos filmes sobre a era dos direitos civis.
Esta é a questão: a maneira como o racismo se manifesta mudou, mas a linguagem, não. Então, se você nunca linchou alguém, não pode ser chamado de racista. Se não for um monstro sugador de sangue, não pode ser chamado de racista. Alguém tem de poder dizer que racistas não são monstros. São pessoas com famílias que as amam, pessoas normais que pagam impostos. Alguém tem de ter a função de decidir quem é racista e quem não é. Ou talvez esteja na hora de esquecer a palavra “racista”. Encontrar uma nova. Como Síndrome do Distúrbio Racial. E podemos ter categorias diferentes para quem sofre dessa síndrome: leve, mediana e aguda.

- ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Americanah,


Esse livro para mim representou um moderno A bela e a fera. Duas pessoas são obrigadas a conviver, no começo, elas não se suportam, mas aos poucos elas vão percebendo tudo o que há de bom na outra. Primeiramente Louise é uma personagem muito atual e real. Uma mulher de 27 anos que está presa a sustentar pai, mãe, avô, irmã e sobrinho, que precisa desesperadamente de qualquer emprego.
Louise não conhece o mundo, é uma garota pobre que carrega o peso da família nas costas. Um namoro de muitos anos com Patrick é tudo o que ela tem para passar o tempo entre a rotina de casa e trabalho. Ela gostava muito de trabalhar servindo no café antes de ser fechado e diante da necessidade de estar trabalhando e ter uma irmã considerada mais inteligente, ela não pensa em fazer uma faculdade e tentar ser alguém na vida. Esse era o plano reservado para a irmã, Katrina, interrompido por uma gravidez não planejada.
É desse jeito que Louise vai parar sendo a cuidadora de tetraplégico Will. Como um bom Fera, ele tenta assustá-la no começo e ela sofre por não poder deixar o emprego e fugir do ódio e desprezo dele. Mas então a magia acontece. Louise é comunicativa, animada, usa roupas estilosas e engraçadas e Will acaba gostando disso e se divertindo em ser irônico com ela e rir dela. 
Will tem um mundo para apresentar para Louise, ele enxerga nela um grande potencial que não deve ser desperdiçado em uma vida sem emoções em uma pequena cidade. Como é muito rico, ele vivia viajando pelo mundo em aventuras radicais, ele vivia a cultura e tudo de bom que o dinheiro pode pagar.
No decorrer da convivência com os pais de Will e a visita da irmã, Louise descobre que ele pretende se suicidar, que a contratação dela foi para não deixá-lo sozinho para que ele não tente isso de novo, mas a família fez um acordo para deixar que ele faça isso em um lugar especializado.
Pesquisei e há realmente esse lugar na Suíça chamado Dignitas, onde ele fazem suicídio assistido para doentes terminais.
Eu admiro a autora por tratar disso sem demonização da instituição. Acho que é uma ideia que leva dignidade a essas pessoas que não podem mais ter uma vida normal e não querem viver os últimos dias de dor e sofrimento. Eu gostaria que existisse uma Dignitas em todos os países. Ideia parecida eu li no História do rei transparente, quando na iminência do enfrentamento com os Cruzados,Nyneve prepara uma mistura de ervas capaz de transferi-los para o Reino de Avlon onde não há dor, guerra ou tristeza.
[spoiler]
Esse livro não é um conto de fadas, então vamos dizer que Louise e Will se apaixonam, ela toma para si a missão de convencê-lo a viver, mas o beijo dela não pode curá-lo. Jojo Moyes tem uma boa história nas mãos, gosto muito do narrador-personagem, mas gosto quando o autor pode usar isso com maestria como Lygia Fagundes Telles ( Leia As meninas para entender o que estou falando), não aprovo o foco narrativo mudando para personagens secundários com um aviso antes de qual personagem está narrando. Parece um detalhe insignificante, mas isso me doeu nos nervos.
Fora isso, dá para curtir porque o livro é muito emocionante, Will e Louise são bons personagens, é muito fácil se identificar com ela, as dificuldades financeiras, os medos de tentar mudar a vida, eu fico muito grata por uma personagem na situação dela em meio a tantas protagonistas ricas.

Talvez eu leia o próximo livro, mas não estou ansiosa, acho que teve um bom final e nunca gosto muito quando as histórias são estendidas, parece que o autor terminou o trabalho, mas devido ao sucesso houve uma pressão para escrever uma continuação que só enrola, espero que eu esteja errada. Enfim, dá um certo medo de se decepcionar com o que há por vir.

ISBN-13: 9788580573299
ISBN-10: 8580573297
Ano: 2013 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Intrínseca


Eu não podia respirar. Muitas pessoas juntas tornam o ar pesado e salgado. Não o salgado gostoso do mar, só salgado... ou salobro. Olhei o figurino da moça à minha frente na fila, eu tenho certeza que ela mandou fazer a roupa, ou nasceu com ela e foram crescendo juntas e se adaptando uma a outra. Lembro que eu pensava que quando fosse adulta descobriria vários segredos que os adultos compartilhavam, como se vestir, como controlar o cabelo. Mas parecia que eu tinha o mesmo guarda-roupas dos quatorze anos.
Nunca iria descobrir como domar os cabelos ou tê-los naturais e lindos. Mas a moça à minha frente com certeza desvendou os mistérios. Só olhando para ela eu já sabia que ela era o tipo de pessoa que continua na sala, depois que o entrevistador dispensa aqueles que não têm o perfil da empresa. Penso na minha imagem e não sei o que teria o meu perfil. Quase não me dou conta que as pessoas começaram a se mexer mais na fila.
Essa não era uma entrevista normal. Era uma galpão distante da cidade. A empresa contratante gentilmente nos trouxe em um ônibus confortável. Não há nada ao redor, além de silêncio e paz. Não tinha noção do que se faz por trás dos enormes muros, só queria o emprego e o anúncio mesmo vago atraiu outras pessoas com o mesmo desejo.
Celulares e outros aparelhos eletrônicos ficaram no ônibus. Confidencialidade era o termo mais importante do contrato, não poderíamos entrar lá com nada que pudesse sair levando algum segredo. Detectores de metal foram acionados. Entramos todos juntos. Ouvimos o barulho do ônibus indo embora. Voltaria mais tarde. Tudo o que vi era branco,o piso, o teto, as paredes. Um enorme salão branco. Esperamos. Muito. Os minutos se transformaram em horas, dias? Eu não sabia mais. Será que existia algo além do salão? A claustrofobia me deixava louca, o ar cada vez mais salobro. Saía procurando o ar, mas não havia portas, a única parecia ser a por onde entramos e que foi trancada logo depois.
Ansiando o ar, encontrei outra porta. Alívio, por um momento pensei estar em algum laboratório responsável por experiências macabras e que seríamos usados como cobaia. Ri nervosa de mim mesma. Abri a porta, dei com o muro branco. Um metro de distância da porta até o muro. Uma pequena porção de céu disponível. Outras pessoas se aproximaram. As pessoas me empurravam abismadas com o muro. Mas estávamos presos, todos gritavam e ninguém se entendia. Não havia saída.
Constatei que não havia como escalar o muro liso por mais que tentássemos nos agarrar a ele. Quando me virei em desespero,vi o rosto da moça bem-vestida em frente ao meu. Vi cada dente tão branco quanto o muro enquanto ela abriu uma gargalhada que pareceu interminável.
Sabe aquele barulho insuportável que faz quando se risca uma placa de isopor, ou com as unhas no quadro-negro? O som do sorriso dela era tão irritante quanto. Acho que ela estava nervosa por estar meio que me demitindo. Não é assim que os bons líderes se comportam pelo que eu li nos livros. Mas eu achava que ela era uma boa líder. Ela disse ou eu quis entender que eu era boa demais para eles?
Me peguei pensando que o sonho e o emprego não foram tão diferentes. Duas formas de estar presa, ser ar, no barulho, sem perspectiva de futuro e sem nenhuma saída.


Oi, pessoal, tudo bom?
Esse post é só para mostrar esse livro lindo que eu ganhei em um sorteio que a Arqueiro fez no Twitter e vou ler assim que terminar minha leitura atual.





Uma História Incomum Sobre Livros e Magia


Duas meninas encontram um livro mágico e cada uma se vê envolvida numa história que parece ser contada sozinha. 

Kai chega ao Texas para visitar sua tia-avó Lavinia – uma senhora extravagante, durona e fã de hip-hop. Do outro lado do mundo, no Paquistão, Leila deseja ser tratada como uma princesa pela família de seu pai e viver fortes emoções. 

Elas só não fazem ideia de que seus mundos completamente diferentes estão prestes a se chocar graças a um enigmático livro em branco. 

Quando Kai escreve no livro, suas palavras magicamente aparecem no exemplar de Leila. As meninas então percebem que O cadáver excêntrico reage a cada frase acrescentada – não importa se foi inspirada pelo ataque de um chihuahua ou por um mal-entendido com uma cabra – com um trecho da história de amor vivida por Ralph Flabbergast e Edwina Pickle mais de cinquenta anos antes. 

Uma história incomum sobre livros e magia entrelaça essas três perspectivas – de Kai, Leila e Ralph – de uma forma divertida e emocionante. É uma narrativa mágica sobre o destino e os laços invisíveis que nos ligam uns aos outros.

ISBN-13: 9788580415063
ISBN-10: 8580415063
Ano: 2016 / Páginas: 192
Idioma: português 
Editora: Arqueiro


A vida em tons de cinza - Ruta Sepetys
SBN-13: 9788580410167
ISBN-10: 8580410169
Ano: 2011 / Páginas: 240
Idioma: português
Editora: Arqueiro


 "No auge do inverno, finalmente percebi que dentro de mim havia um verão invencível." — Albert Camus


Um livro para se aprender a viver a vida seja em que cores ela se apresentar. Uma coisa que afeta quase todas as minhas possibilidades de curtir os pequenos momentos de felicidade é que eu sou muito ansiosa. Se eu tenho um problema mais ou menos grave, eu já não consigo viver ou pensar em outra coisa, nem fazer nada normalmente.
É por isso também que estou sempre lendo, é a minha fuga e agora me caiu em mãos justamente A vida em tons de cinza. Nada pode atrapalhar mais os seus sonhos de que ser arrastada de casa para um destino incerto condenada a trabalho escravo e vendo pessoas morrerem por meros gestos de desobediências. Isso acontece com Lina, sua mãe, Elena, e seu irmão, Jonas, também o pai, mas esse é separado deles.
Os soviéticos os levam dentro de um apertado vagão de trem, junto com outros lituanos, onde muitos morrem devido à fome e falta de condições de higiene, para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Eles são chamados de criminosos, prostitutas e sofrem todos os tipos de humilhação, tendo que trabalhar duro para receber pouca comida.
Lina era uma menina de quinze anos com um grande talento para o desenho e uma vida promissora interrompida por esse pesadelo sem fim. Enquanto outros na mesmo jornada perdem os motivos para viver, ela o reencontra no desejo de permanecer com a mãe e o irmão, de reencontrar o pai e contar tudo o que eles enfrentaram através dos seus desenhos.
A vida não acontece quando você sai daquela situação que está oprimindo ou incomodando. Eu não posso falar para o meu cérebro ' agora, você dorme' ou ' agora trabalha, não pense nisso'. Mas eu tenho que saber que a vida é agora, a vida é quando você está doente, mesmo que seja muito grava, a vida é quando alguém muito amado morre e você não pode fazer nada, a vida é quando você está desempregada, desesperado, em meio a uma guerra, quando você não sabe o que fazer da sua vida. E você nunca sabe, ter segurança quanto ao futuro deve ser um privilégio raro em qualquer época e região. A vida pode terminar amanha levando as oportunidades de viver, apesar de tudo. Lina vive apesar de tudo, nada lhe tira a esperança de continuar vivendo. Ela segue de olhos abertos para o que ainda existe de bom que os inimigos não podem lhe roubar, os seus desenhos, a amizade de algumas pessoas, o carinho de Andrius, o amor pode brotar nas piores circunstâncias. 
Mesmo quando separada das pessoas que ama, transferida para o Ártico, cercada por gelo e fome e vendo todos morrerem e sofrerem, ela acredita que vale a pena viver e ela ainda quer viver.
Além de Ruta Sepetys contar uma parte da História ignorada por muitos, o romance é uma grande lição de esperança, de força interior, embora tantas tristezas sejam descritas nele, há algo de lindo na coragem e união dessas pessoas.


Resolvi começar agora a fazer essa lista, já que eu não faço resenha de muitos livros que leio e quase não faço dos filmes. Eu estou muito devagar porque a prioridade são os concursos, mas estou ficando uma leitora cada vez mais disciplinada, marco a hora em que posso ler ou assistir quando estou em casa e também posso ler à vontade principalmente quando estou esperando o ônibus, desse jeito minha lista vai avançando.
Depois de ver alguns vídeos muito legais sobre o pessoal que bloga profissionalmente sobre livros, eu também achei importante fazer as minhas listas e organizar um caderno de leituras que nesse caso vai ser a minha agenda mesmo, usando os dias passados que deixei em branco, eu já tinha um caderno para isso, mas nunca usei direito, é prático fazer na agenda porque posso sempre escrever, eu ando sempre com ela e não quero andar cheia de livros e cadernos, isso cria um peso enorme na bolsa.

Essa é minha minúscula lista de Janeiro e Fevereiro:

Lidos
Doidinhho - José Lins do Rêgo ****
Para todos os garotos que já amei  - Jenny Han ***
A graça da coisa - Martha Medeiros ***
É tudo tão Simples  - Danuza Leão ***

Assistidos

Meia-noite em Paris ***
Mesmo se nada der certo ***
Jogos vorazes- Assisti todos menos A esperança - parte 2. ****
Como não esquecer essa garota ***
Louca obsessão *****


Ser feliz requer um esforço muito grande. não é tão simples quanto falam por aí, mas é sim uma questão de força de vontade. Se você acorda saudável, tem café da manhã, tem um empregou ou forças para procurar um, já são motivos para sair sorrindo.
Muitas coisas tentam te atrapalhar no caminho, pessoas que não sabem sorrir e odeiam a felicidade alheia, sempre há uma dose de amargura para tentar desandar o seu dia. Má vontade, comentários maldosos, se está magra, é doença, se está gorda, está grávida, se repete a roupa, essa de novo? Ainda não passou naquele concurso? E o vestibular? E os empregos? E o namorado? Não vai ter filho? Está passando da hora. A filha da amiga da prima da minha vizinha foi promovida no emprego, o marido também vai bem, vão ter trigêmeos.
Muita pessoas reservam essas doses diárias de veneno para sair entregando por aí e você não deve aceitar. Diga que está feliz pelos outros. Trigêmeos? Bom pra eles, eu nem quero filhos. Não, essa barriga é excesso de fofura e gostosura. Ou sorria e não diga nada. Só devemos satisfações às pessoas que realmente nos amam e querem o nosso bem. De verdade. Existem muitos lobos disfarçados de cordeiros, muitos que fingem ser amigos, mas saboreiam das suas derrotas.
Passe por cima, por mais que as aparências enganem você está melhor do que eles. Ninguém feliz de verdade tem tempo para cuidar da vida de pessoas aleatórias. Ou você é importante para eles ou eles não têm nada mais produtivo para ocupar a mente.
Faça melhor do que isso. E se uma gotinha do veneno entrar, não transmita, ajude alguém na rua, faça um trabalho voluntário, doe para uma campanha, porque ver que é capaz de melhorar a vida de alguém ilumina a vida de qualquer ser humano.
Procure a companhia de quem te elogia, te joga para cima, incentiva a dar voos mais altos, gosta de conversar sobre coisas positivas, isso eleva a alma. Seja você também esse tipo de pessoa, espalhe compreensão e alegria. 




Perdão pelas fotos nada artísticas, mas vejam como esses detalhes da capa são lindos!
Eu vou contar para vocês a história do rei trans.... Não! Essa história tem uma espécie de maldição que traz tragédia para quem a conta. Então, vamos ficar com a história de Leola, que de qualquer jeito, é muito mais interessante. 
Essa história se passa na França do século XII, época do Renascimento, mas também de fortes conflitos feudais e religiosos. Leola teria uma vida simples ao lado do amado Jacques, nas terras onde mora com o pai e o irmão, mas o Senhor do feudo ordena que todos os homens sejam levados para a guerra e assim que os seus amados se vão, ela se encontra sozinha e assustada entre cadáveres de homens de ferro.
 “ Escondida dentro de minhas novas roupagens, sinto-me mais segura, protegida, porque é uma desgraça ser mulher e estar sozinha em tempos de violência. ”
Leola rouba a armadura de um dos guerreiros mortos e assim começa a sua aventura. Ela que temia tanto a violência dos homens de ferro, se torna ela própria um homem de ferro, aprende a combater e o desejo de encontrar os parentes e o noivo acabam ficando para trás. No fundo, ela sempre quis conhecer o mundo e tudo de incrível que existia além dos que os seus olhos poderiam ver da sua pequena aldeia.


“Quero ficar aqui com ele, e abrir-me para ele, e enroscar minhas pernas ao redor do seus quadris. Quero ter filhos com ele e viver a bela vida que a pega anunciava. Mas sinto no peito o peso de uma pequena dor, uma dor estranha, como se tivesse saudade de campos que nunca vi e de coisas que nunca fiz, de céus que não conheço, de rios onde não me banhei."
Assim Leola conhece pessoas muito perversas, mas também pessoas sábias e bondosas, ela conhece uma bruxa que viveu nos tempos do grande rei Arthur que vem a ser a sua companheira de toda essa jornada, Nyneve. Leola nunca luta ao lado dos Cruzados porque com a ajuda de Nyneve e de pessoas religiosas, mas tolerantes, ela percebe a crueldade por trás das chamadas Guerras Santas.
 “ Os tempos estão ruins. Mas acredita-me se eu te disser que sempre foi assim. A vida é um tempo ruim que não termina.”
 
Ela conhece a Duquesa Branca Dhuoda que cresceu trancada em um castelo pelo marido, um destino provocado pelo próprio irmão por quem ela vive para ter o prazer de matar. Essa convivência altera a vida dessas duas mulheres para sempre. Leola e Nyneve percorrem aldeias e cidades às vezes combatendo, às vezes procurando a paz. 
O amor platônico por Jacques fica cada vez mais para trás conforme ela conhece outros homens, cujo amor é próximo e real, mesmo não sendo simples e perfeitos como seria em sua antiga vida.
Os relatos sobre as perseguições religiosas são emocionantes, a fúria com que qualquer pensamento contrário é perseguido é perturbadora. Diante disso Leola escolhe lutar contra a igreja e paga um preço caro por isso.
 O que mais me emocionou nesse livro foi a parte em que Leola retorna para sua terra. Tudo não continua no mesmo lugar, mas as pessoas são as mesmas, o ritmo de vida é a mesma. Leola foi camponesa, foi homem de ferro, guerreiro, mercador de sangue, dama, cavalheiro, perseguida como herege, escritora, ela não teria sido nada disso e não teria conhecido nada além do mundo se estivesse apenas ficado esperando os homens voltarem da guerra.

Esse livro mostra que uma mulher pode ter muita coragem para mudar o seu destino, pode ter muitas armas para as diversas batalhas da vida, pode escrever a própria vida.



Citações


 “Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi coisas maravilhosas em minha vida. Fiz coisas maravilhosas em minha vida. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou. A pena treme entre meus dedos a cada vez que o aríete investe contra a porta. Um sólido portão de metal e madeira que não tardará a despedaçar-se. Pesados e suados homens de ferro se amontoam na entrada. Vêm à nossa procura. As Boas Mulheres rezam. Eu escrevo. É minha maior vitória, minha conquista, o dom do qual me sinto mais orgulhosa; e as palavras, embora estejam sendo devoradas pelo grande silêncio, hoje constituem minha única arma.”

 “Quero caminhar por todos os caminhos e ler todos os livros que existem no mundo.”

 “ Desconfia daqueles que têm mais respostas do que perguntas. ”

 “ Há dias, há momentos nos quais a vida te parece pequena. Isso nunca te aconteceu, meu querido Leo? O tempo se detém e o ar que te rodeia torna-se uma jaula estreita e asfixiante. És prisioneira do teu corpo, mas dentro de ti existe algo grande e livre, algo quase feroz que deseja sair. Nesses momentos, eu seria capaz de me lançar da ameia mais alta do meu castelo, e é muito possível que conseguisse voar.”

 


ISBN-13: 9788522013500
ISBN-10: 8522013500
Ano: 2011 / Páginas: 198
Idioma: português
Editora: Agir

É tudo tão simples é aquele livro que tem 10% a ver comigo, mas eu li assim mesmo, por curiosidade, para ver como é a vida dos ricos,rs. Sério, me deu muita vontade de ser rica para escolher como se comportar, o que comprar. Aí estão as pessoas que têm vida de verdade e não oito horas de trabalho, quatro de trânsito, quatro de novela e oito de sono.
Falando sério, achei que  a Danuza foi bem sucinta e as dicas são práticas e verdadeiras. Finalmente alguém que me entende em como é chato passar horas conversando com grávidas e mamães porque elas só falam sobre a mesma coisa. Será que todo mundo finge que acha fofo ou as pessoas se interessam genuinamente por quantas vezes o bebê mexeu ou quantas vezes ele acorda de madrugada?
As dicas sobre casa e não acumular são muito boas, são coisas que eu venho fazendo a algum tempo, cada dia jogo alguma coisa inútil fora.
Viagens, na verdade, eu só quero ter dinheiro um dia para isso.
A lição que eu tirei desse livro é de intensidade, de viver-se a vida que escolheu, eu não estou fazendo isso. Eu escolhi ser solteira e livre, mas aceitei ser presa com mãe,sobrinhos e obrigações domésticas. Culpa desse livro ou de situações acumuladas, estou jogando isso para o alto.
Quero minha casa sem comida, só coisas fáceis,  nada de lavar pratos e comer fora o máximo possível. Isso também é um incentivo para perder menos tempo cuidando da casa e mais tempo trabalhando e cuidando do meu futuro para ter tudo o que sonhei.
É um livro que eu gostaria de dar para a minha mãe pelas dicas de que elas devem tentar ser felizes independente dos filhos e para alguns amigos, conhecido pelas dicas de ser mais básicos e coisas como esquecer o celular na hora da refeição. Dá para ter etiqueta sendo classe C. Mas não há nada simples em viagens caras, grifes internacionais e caviar. Enfim, não é nossa realidade, mas foi divertido ler.