Eu li Menino de engenho na faculdade para um trabalho da aula de Produção Literária do Nordeste e foi um dos trabalhos mais prazerosos que eu fiz durante o curso. desde então eu planejo ler os outros livros do ciclo da cana-de-açucar, mas os anos foram se passando e isso sendo adiado. Dias desses, porém, adquiri Doidinho na Estante Virtual e li em poucos dias.
Carlinhos deixa o engenho Santa Rosa e vai para um colégio interno. No colégio do professor Maciel ele começa a aprender na lei da palmatória. Maciel é um tutor tão rigoroso que faz Carlinhos nervoso a ponto de errar até o que ele já sabia e assim o menino acaba apanhando mais.
Aliás, no colégio, ele não é mais Carlinhos, todos os alunos são apelidados uns pelos outros e devido aos seus nervosismos, ele é apelidado de Doidinho. O colégio é uma prisão com pessoas não amigáveis, falta de conforto e higiene, alimentação insuficiente. Doidinho sente-se injustiçado e enjeitado por estar lá, por sofrer muitos castigos devido a sua dificuldade de aprender, por não receber agrados e visitas dos parentes como os outros meninos e pensa que se tivesse pai e mãe não sofreria assim.
Ele pensa que os meninos da escola são malvados, mesmo m colega acaba revelando aos outros que o pai de Doidinho matou-lhe a mãe e está preso como louco. O único orgulho do garoto é receber uma visita do avô e mostrar aos colegas como o seu avô é poderoso, como as pessoas na região o respeitam.
Coruja é o único amigo que ele faz na escola, um menino de coração bom, que o ajuda e com quem ele tem as melhores conversas. Mesmo dentro do colégio, Doidinho experimenta diferentes paixões, o amor platônico por Maria Luiza, uma das alunas externas, com quem ele nunca pode trocar uma palavra e o sexo carnal com a preta Paula que trabalha na cozinha.
Contando suas memórias do colégio, Carlos descreve a vida desses adolescentes de engenho, cujos parentes sonham em ver tornados em doutores, mas ele sente mesmo é saudade do engenho, suas memórias incluem as neuroses da mente do menino cismado com doenças, mortos e medo da morte.
É uma leitura muito gostosa, a escrita do José Lins é uma das minhas favoritas. Eu tenho isso, se gosto do estilo de um escritor, leio qualquer história em poucos dias. Essa é uma delas, o leitor consegue entrar na alma do personagem e viver essa fase com ele.


O perfil dos personagens negros


Embora o protagonista, como na maioria dos romances, seja branco, ainda é interessante tentar traçar um perfil de como as mulheres negras eram retratadas.Eu pude observar três diferentes perfis dessas mulheres, claro, sob o ponto de vista de Carlinhos.
O mais evidente desde o primeiro livro é o da negra sexualizada, é com elas que os meninos de engenho conhecem as primeiras aventuras sexuais, elas se mostram, provocam e os procuram sexualmente. Talvez uma fantasia do autor? Muitas negras jovens são tidas como perdidas no mundo graças a perda da virgindade ou gravidez causadas por senhores de engenhos. Pelo conhecimento prévio, ainda tendo a imaginar que realisticamente a maioria dessas relações eram forçadas. Nas narrações do personagem, as negras eram demônios sensuais oferecendo-lhe o pecado durante um banho.
Em segundo lugar há a boa e velha negra que é como um animal doméstico da família, ela recebe uma certa consideração pelo tempo que pertence a essa família e fala dos senhores com respeito e carinho.
O terceiro perfil que eu particularmente achei interessante nesse livro foi representado por uma ajudante temporária da negra Paula. ela nasceu após a lei do ventre-livre e nunca foi escrava. Ela contava histórias de negros que se vingavam dos brancos, que os envenenavam com encantos e magia para que pagassem os castigos injustos.
Através dessas pequenas passagens, podemos ir resgatando as histórias dessas personagens que até hoje não são destaque na literatura.


Deixe um comentário

Obrigada por visitar meu espaço. Fico muito feliz com comentários, mas apenas sobre a postagem. Opiniões, elogios e críticas construtivas são bem-vindos.
Para outros assuntos, use o formulário de contato.