Miles é um adolescente sem amigos que gosta de colecionar as últimas palavras que pessoas célebres falaram antes de morrer. Uma dessas é algo sobre " Saio em busca do Grande Talvez" (Rabelais). Um empurrão para que ele saia do comodismo da casa dos pais e vá para um colégio interno.
Ele consegue se enturmar com Coronel, Alasca, Takumi e Lara. Alasca é uma menina louca por sexo, livros, bebida e cigarros, não nessa ordem, uma menina que arma os trotes mais famosos da escola, mas morre de medo de ter que voltar pra casa.
Miles sente-se feliz, parte de algo, ajuda nos trotes, bebe e fuma escondido, tenta conhecer o mistério que é Alasca, mas eles são terrivelmente separados antes que ele possa ter algumas respostas.
Alasca gosta das últimas palavras " Como sairei desse labirinto?" (Bolivar). Anotar aí para ler O general em seu labirinto, de Gabriel Garcia Márquez. Alasca risca os livros, é das minhas.
A vivência no colégio, Alasca e os amigos fazem Miles ver que vale a pena estar em busca do Grande Talvez, bem mais do que ter certezas sem emoção.





Para a Arábia do Século VII, Maomé Trouxe uma promessa de que todos poderiam Encontrar felicidade e vida eterna no Único Deus Verdadeiro. Buda Nos Trouxe uma Esperança de sermos capazes de transpor o Sofrimento. Jesus nos Disse que OS ULTIMOS Serão OS Primeiros e  ATE OS coletores de Imposto e Os leprosos - os Renegados - Tem Razão Para ter Esperança. ASSIM, uma pergunta Que eu lhes faço Neste Trabalho e um Seguinte: O Que lhes da Esperança "?

Estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus males e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. “Droga”, ele suspirou. “Como sairei deste labirinto?”


John Green



Livro muito útil para quem está começando na carreira. Gostaria de ter lido na época da faculdade, mas é bem diferente dos livros de teoria que nos oferecem.
Conversa com um jovem professor, como o título sugere, é mais como um conversa com um colega mais experiente que está disposto a contar os seus erros e acertos e dar alguns conselhos.
Melhor ainda porque é uma conversa com alguém que certamente ama a profissão.
Quantas vezes não conversamos com colegas que só transmitem a sua descrença com a Educação?
- Os alunos não querem nada, a sociedade não nos valoriza, vamos fazer de qualquer jeito que está bom.
- Os alunos fingem que estudam, a gente finge que ensina, o governo finge que acredita.
Tenho certeza que muitos já ouviram isso, porque, como diz Leandro Karnal, o professor é o único profissional que se orgulho de não ser eficiente, de fazer o trabalho de qualquer jeito. Eu já deixei me levar por essas pessoas, mas hoje sinto que tenho um novo gás, uma vontade de tentar fazer diferente.
Nós podemos e devemos reclamar dos problemas, da falta de disciplina, dos salários baixos, da falta de conforto nas escolas. Mas acredito que devemos tentar fazer o melhor e sermos o melhor possível, ou mudar de profissão.
Lendo Conversa com um jovem professor, percebo que para esse docente experiente houve muitas dificuldades também. Não é como aquela coordenadora, orientadora, diretora, que nunca enfrentou sua sala de aula, mas acha que pode falar o que você deve fazer.
Ele dá conselhos de como agir do primeiro dia de aula ao dia da prova e correções. Enfim, coisas que não vemos na faculdade. Chegar sorrindo? Chegar de cara fechada?
Lembro até hoje de quando eu estudava e chegou um professor novo. No primeiro dia ele gritou muito com a turma e tirou dois alunos da sala. O professor que entrou depois dele falou que isso era insegurança e outras coisas que eu achei impróprias e antiéticas da parte dele se referindo ao colega.
Mas nós estamos em uma profissão assim, não há muita cumplicidade, todos querem ser os melhores. Em um dos primeiros empregos, uma 'colega' entrou em minha sala e, vendo, que eu tinha um problema com uma aluna, ela resolveu se meter para falar que ela tem experiência desde a época dos dinossauros e na sala dela os alunos fazem o que ela quer. Me senti péssima, no momento, porque ela não queria me dar uma dica e sim se mostrar muito eficiente para a minha turma.
Professores quase aposentados e diretores adoram se exibir para sua turma mostrando que sabem mais do que você, até que você prove o contrário e eu garanto que eu provei.
Como esse tipo de experiência, fui percebendo que todos têm razão quando falam que nossa classe é desunida, mas eu nunca pretendo ser assim. Leandro Karnal aconselha o silêncio em salas de professores no lugar de posições fortes que podem gerar falatório e fuxicos e eu concordo. Prefiro o silêncio a dar opiniões pessoais sobre alunos e professores. Um ambiente profissional deve ser tratado como tal.
Eu me senti muito amparada com esse livro. Sabe quando um diretor fala que isso é fácil, a turma o escuta perfeitamente nos 5 minutos que ele entra na sala, que você tem que ser mais dinâmico e você sabe que o único recurso que falta usar é fazer um poli dance no meio da sala? Nos sentimos desamparados com colegas perfeitos, outros que já desistiram e diretores/coordenadores que não lembram o que é ser professor.
É bom ter uma palavra amiga, sinto-me amparada e renovada para atuar em 2017.

Já recomendei o livro aos meus colegas e recomendo a quem está lendo aqui, se é professor ou pretende ser.


Nesse vídeo eu falo um pouco sobre o livro Branca como a neve, vermelha como o sangue de Alessandro D'Avenia. O romance é narrado pelo protagonista, Leo.
Comecei a ler porque foi o eleito no meu clube do livro no whats e  o começo foi meio difícil porque o Leo é o típico adolescente insuportável que odeia tudo, escola, professores, etc.
Ele é apaixonado por uma colega da escola chamada Beatriz. Ela é a ruiva a que o título alude.
Ele também tem uma melhor amiga chamada Silvia, que é uma menina muito legal, aquela pessoa que é um porto seguro para ele, que está sempre presente quando ele precisa.
apesar do desprezo que o Leo tem pelos professores, acaba tendo uma espécie de amizade com o professor de História e Filosofia que ele chama de sonhador e o ajuda bastante a amadurecer.
Acontece que Leo não tem coragem de se declarar para Beatriz e descobre que ela tem leucemia.
Ele fica muio revoltado com Deus e com a vida porque não pode entender o sofrimento da garota que ele ama.
Nesse percurso, ele conta com silvia, os pais e o professor para entender que é preciso correr atrás de seus sonhos, mas nem sempre, nem todos serão realizados.


Fragmentos - Branca como o leite, vermelha como o sangue ( Alessandro D'Avenia)




Un segreto è fare tutto come se, fare tutto come se vedessi solo il sole, vedessi solo il sole, vedessi solo il sole... E non qualcosa che non c’è...
 “Um segredo é/ fazer tudo como se,/ fazer tudo como se/ eu visse apenas o sol,/ eu visse apenas o sol,/ eu visse apenas o sol.../ E não algo que não existe...” (N. T.)

Uma vez eu li num livro que o amor não existe para nos fazer felizes, mas para demonstrar o quanto é grande a nossa capacidade de suportar a dor.

O ruim da vida é que ela não tem manual de instrução. Em geral você segue as regras, e, se o celular não funciona, existe a garantia. Você o devolve e te dão um novo. Com a vida, não. Se ela não funciona, não te dão uma nova, você deve manter aquela que já tem, usada, suja e funcionando mal. E, quando ela não funciona, a gente perde o apetite.



erudito inglês do século XVI Francis Bacon catalogou o processo: "Alguns livros são para se experimentar, outros para serem engolidos, e uns poucos para se mastigar e digerir".

Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos.

A maior parte das vezes, para escapar ao sofrimento refugiamo-nos no futuro. Julgamos que a pista do tempo tem uma linha marcada para lá da qual o sofrimento presente há-de cessar.

A história é tão leve como a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como uma pena, como poeira ao vento, como uma coisa que há-de desaparecer amanhã.

Faz-me pensar naquele jornalista que andava a organizar em Praga uma campanha de assinaturas para conseguir a amnistia dos presos políticos. Tinha perfeita consciência de que a campanha não ajudaria os presos. O seu verdadeiro objectivo não era libertar presos, mas mostrar que ainda havia gente sem medo. Dava espectáculo, mas não podia fazer outra coisa. Não podia escolher entre a acção e o espectáculo. Só tinha uma escolha: dar espectáculo ou não fazer nada. Há situações em que o homem está condenado a dar espectáculo. A sua luta contra o poder silencioso (contra o poder silencioso do outro lado do ribeiro, contra a polícia metamorfoseada em microfones mudos escondidos na parede) é como um grupo de teatro a fazer frente a um exército

Não há mérito nenhum em portarmo-nos bem com os nossos semelhantes. Tereza é forçada a ser correcta com os outros habitantes da aldeia, porque senão deixaria de poder lá viver, e, até com o próprio Tomas, é obrigada a portar-se como uma esposa desvelada porque ela precisa dele. Será sempre impossível determinar com um mínimo de segurança em que medida é que as nossas relações com outrem resultam dos nossos sentimentos, do nosso amor, do nosso desamor, da nossa benevolência ou do nosso ódio, e em que medida é que estão previamente condicionadas pelas relações de forças existentes entre os indivíduos. A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma.

Mas sobretudo: nenhum ser humano pode presentear outro com um idílio. Só o animal pode fazê-lo porque não foi expulso do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dilacerantes, sem evolução. Karenine ia traçando em torno de Tereza e de Tomas o círculo da sua vida fundada na repetição e também esperava o mesmo deles. 

Milan Kundera


Eu estou aqui para muito mais protagonistas negras na televisão e no cinema. Hoje conheci a série Pitch, onde uma mulher é uma estrela do baseball que é contratada para jogar em um grande time com homens.
Eu nunca gostei tanto de baseboll. Bem, eu nunca gostei de beisebol, na verdade, nunca me interessei, mas a série é bem mais do que isso, pelo que vi até agora.
É a superação de Ginny Baker em um meio onde muitos torcem por ela, mas especialmente seus colegas duvidam e esperam sua derrota e ela sabe disso.

Série Pitch Ginny Baker

Série Pitch Ginny Baker

Série Pitch Ginny Baker

Ginny Baker foi treinada pelo pai para ser a melhor, ele exige muito dela ao ponto de nunca estar satisfeito. Talvez ele soubesse desde cedo que dela seria cobrado muito mais do que dos homens.
Todos esperam um mínimo derrape para decretar seu fracasso e a superioridade masculina no esporte.

Série Pitch Ginny Baker kid

Série Pitch Ginny Baker kid

Série Pitch Ginny Baker

Apesar de ainda estar no começo, eu recomendo muito a série Pitch, temos poucas referências e acredito que Ginny Baker vai nos dar muitas vitorias e motivos para torcer.



Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um esquisso. Mas nem mesmo ''esquisso'' é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro. Tomas repete em silêncio o provérbio alemão, einmal isr keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é pura e simplesmente como não viver

Tomas ainda não sabia que as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.

Em todas as línguas derivadas do latim, a palavra compaixão forma-se com o prefixo ''com'' e a raiz ''passio'' que, na sua origem, significa sofrimento. Noutras línguas, como, por exemplo, em checo, em polaco, em alemão, em sueco, a palavra traduz-se por um substantivo formado por um prefixo equivalente seguido da palavra ''sentimento'' (em checo: sou-cir; em polaco: wspol-czucie; em alemão: Mit-gefühl; em sueco: med-känsla). Nas línguas derivadas do latim, a palavra compaixão significa que ninguém pode ficar indiferente ao sofrimento de outrem; ou, de outra maneira: sente-se sempre simpatia por quem sofre.

Não há nada mais pesado do que a compaixão. Mesmo a nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, por outro, no lugar de outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos.

Ao contrário de Parménides, parece que Beethoven considerava o peso como algo de positivo. Der schwer gefasste Entschluss, a decisão gravemente pesada está associada à voz do destino (Es muss sein!); o peso, a necessidade e o valor são três noções íntima e profundamente ligadas: só é grave o que é necessário, só tem valor o que pesa. A origem desta convicção situa-se na música de Beethoven e, sendo embora possível (senão provável) que seja mais da responsabilidade dos seus exegetas do que do próprio compositor, hoje quase todos nós a partilhamos: para nós, a grandeza de um homem reside no fato de carregar com o seu destino como Atlas carregava aos ombros a abóbada dos céus. O herói beethoveniano é um halterofilista de pesos metafísicos.

Numa aula de trabalhos práticos de física, qualquer aluno pode fazer uma experiência para confirmar uma dada hipótese científica. Mas o homem, porque só tem uma vida, não tem qualquer possibilidade de verificar as hipóteses através da experiência e nunca poderá saber se teve ou não razão em obedecer aos seus sentimentos.


Ao lembrar-se do que Tereza dissera de Z., Tomas constatava que a história do grande amor da sua vida não estava marcada por um ''Es muss sein'', mas antes por um ''Es konnte auch anders sein'': podia muito bem ser de outra maneira...

Mas havia mais uma coisa: um livro aberto em cima da mesa. Nunca ninguém abrira um livro numa mesa daquele café. Para Tereza, o livro era o santo e a senha de uma irmandade secreta. Para enfrentar o mundo grosseiro que a rodeava não tinha, com efeito, senão uma arma: os livros que ia buscar à biblioteca municipal e que eram sobretudo romances; lia-os aos montes, de Fielding a Thomas Mann. Davam-lhe uma oportunidade de evasão imaginária, arrancando-a a uma vida que não lhe oferecia satisfação de espécie nenhuma, mas, enquanto simples objectos, também tinham um sentido. Gostava de andar na rua com livros debaixo do braço. Eram para ela o que a bengala era para os dandies do século passado. Distinguiam-na dos outros. (A comparação entre o livro e a bengala

O acaso tem destes sortilégios, a necessidade, não. Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.

Enquanto as pessoas são novas e as partituras musicais das suas vidas ainda só vão nos primeiros compassos, podem compô-las em conjunto e até trocarem temas (como Tomas e Sabina trocaram o tema do chapéu de coco). Porém, quando se conhecem numa idade mais madura, as suas partituras musicais já estão mais ou menos acabadas e cada palavra, cada objecto, tem um significado diferente na partitura de cada uma. 

Séculos depois, o filósofo americano de origem espanhola George Santayana acrescentou: "Há livros em que as notas de rodapé, ou os comentários rabiscados por algum leitor nas margens, são mais interessantes do que o texto. O mundo é um desses livros"

O erudito inglês do século XVI Francis Bacon catalogou o processo: "Alguns livros são para se experimentar, outros para serem engolidos, e uns poucos para se mastigar e digerir".

Pode sempre explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos com esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos.

Milan Kundera





Livros lidos em Outubro


O beijo no asfalto - Nelson Rodrigues ***
O mulato - Aluizio Azevedo ***
Loney - Andrew Michael Hurley ***
Cantigas da inocência e da experiência - William Blake ***
Animate me: amor criativo - Ruth Clampett ***
Violetas na janela - Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho ****
Vivendo no mundo dos espíritos - Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho ****




Um dos personagens mais importantes em Loney é o cenário. Algo sombrio e chuvoso que pode fascinar leitores melancólicos como eu. Eu poderia passar o dia lendo sobre o lugar. O narrador é o outro personagem mais importante porque é ele que nos prende até a última linha, mesmo sem ser uma história com grandes acontecimentos.
Smith e Hanny são irmãos muito unidos, Smith é o responsável pelo irmão, que é mudo. A família, especialmente a mãe esperam um milagre que possa curar Hanny, por isso eles sempre vão para esse vilarejo onde há poucas pessoas, quase sempre muita chuva e o perigo que o mar representa, sempre ameaçando ultrapassar as barreiras e afogar as pessoas. Apesar disso, o lugar é visto como especial para a religiosa Esther, mãe dos garotos e ela tem certeza que lá vai acontecer o milagre.
O padre que os acompanhava nas peregrinações falece de uma forma misteriosa e Esther, sempre autoritária e controladora implica com os hábitos do novo padre, ela quer que ele faça tudo como o anterior e detesta ver que as coisas vão saindo do seu controle e o padre não pode manter todos da forma como ela gostaria.
Smith é o narrador da história, ele conta que ele e Hanny saiam pela praia, apesar dos perigos, eles encontram uma menina em torno dos 14 anos que está grávida e pensam que ela foi ao local para ter o filho escondido. 
Hanny fica encantado com a menina e atraído pelo local onde ela está, em Coldbarrow, uma residência ainda mais sombria, para onde ela é levada por dois adultos. Avisado pelo padre, Smith sabe que precisa ficar longe do local e de alguns moradores locais, mas nem sempre ele consegue controlar Hanny e fazê-lo entender o perigo que corre.
Acredito que algumas pessoas podem achar as descrições cansativas, por isso há muitas resenhas negativas, mas particularmente foi o que mais gostei. A paisagem me lembra algo de O morro dos ventos uivantes, como citei antes, um cenário que se torna personagem.
Andrew Michael Hurley mostra que dominas as técnicas de narração, Smith nos leva pela história entre várias linhas do tempo, desde quando saem para a peregrinação, até os tempos em que ele era coroinha com o padre Wifred e então quarenta anos depois dos acontecimentos em Loney.


Desde o começo do mês que terminei de ler Anima te me Amor criativo, mas não escrevi sobre porque não é o tipo do livro do qual eu faria uma grande resenha. Mas hoje deu vontade de escrever alguma coisa, então ele terá uns comentários.
Anima te me é um livro interessante para adultos que gostam de desenhos animados, cheio de referências do meio. A história é narrada por Nathan, ele é um animador nerd apaixonado por uma colega de trabalho, mas não tem coragem de se declarar, então ele se aproxima dela sempre levando café com ilustrações divertidas dela.
O que Nathan não conta para Brooke é que ela o inspirou para a heroína de uma história em quadrinhos. Ele usa a desculpa de que gosta de outra colega de trabalho e Brooke resolve ajuda-lo na arte do namoro, inclusive com práticas de beijos e sexo.
Nathan é muito inseguro, sem nenhuma experiência amorosa e
sempre rodeado por amigos e família que precisam ajuda-lo em tudo.
É o típico estereotipo do nerd que sonha que a garota perfeita vai cair nos braços dele e ensina-lo a fazer sexo. Só que isso realmente acontece com ele.
Brooke acaba se envolvendo de verdade por ele, mas ela namora com o chefe deles e no fundo, ela não é a garota perfeita, ela também é muito insegura e cheia de complexos gerados pela relação com um homem que a faz se sentir inferior.
É um romance bem erótico e voltado para nerds que amam desenhos animados. Talvez com personagem estereotipados demais, mas uma história bem descontraída. Só acredito que poderia ter um pouco menos páginas, lá pelo meio eu já estava cansada de tantos diálogos e pouca narração, com Nathan sempre precisando da confirmação dos sentimentos
de Brooke por ele e quando ela também começa amostrar insegurança, você quase desiste do livro.
Li as últimas páginas rapidinho por esse motivo, mas é sim um bom livro para quem saiu de uma leitura mais pesada e precisa relaxar.


Primeiramente, Fora Setembro, fora primavera que eu não aguento mais tanto calor. Por favor, vamos voltar a andar como os índios, não dá mais.
E então, vamos ver o vídeo em que tracei minha meta de leitura para Setembro?

Achei meio estranho fazer vídeo, ficou muito baixo também, tem que deixar o fone no máximo. O importante, no entanto, é o conteúdo e considero que foi meio sucesso o meu plano de leitura, não deu tempo ler tudo o que planejei e odiei planejar.
Talvez seja influência do meu signo, mas gosto de fazer tudo por impulso, tudo o que é planejado vira obrigação e não prazer.
Leitura pra mim tem a ver com paixão à primeira vista. Se encantar com o título e a capa e começar a ler imediatamente sem ter ideia ou resumo da história. Como pegar um trem sem saber pra onde vai. A coragem que não tenho pra visitar assim lugares reais, os livros me dão em fantasia. Cair de pijama no meio da Sibéria, desligar a televisão e me encontrar nos tempos do papiro. Amo a leitura desprevenida..
Portanto não segui estritamente o roteiro que fiz, mas foi quase. Ficou assim:

Livros lidos em Setembro:


1. Clássico nacional : Helena - Machado de Assis
2. Protagonista Negro: Meio Sol amarelo - Chimamanda Ngozi Adichie
3. Estrangeiro não-americano: Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
4. Não ficção: Uma história da leitura - Alberto Mangel ( Leitura ainda em progresso)
5. Autor contemporâneo : Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins



E pra não dizer que não falei de filmes, assisti:


1.Perdido em Marte.
2. Contaminados.
3. Ensaio sobre a cegueira
4. O amor em fuga.

Também terminei a oitava temporada de Friends e assisti algumas outras séries, mas não cheguei a finalizar temporadas destas.

Enfim, pra quem está o dia inteiro em casa, acho que li e assisti pouco, mas parece que quando você está em casa o trabalho é infinito!



P.S. Livros novos



Ah, depois que eu escrevi o post, lembrei que chegaram uns livros novos que comprei no Submarino. Estava uma promoção incrível e cada livro saiu por menos de 5 reais! Então veio a dúvida se a edição econômica seria boa ou muito fraca. Não me preocupo muito com a edição porque eu sou o tipo que rabisca e dobra página. Vou comprar edição de luxo?! O importante pra mim é o conteúdo que que seja confortável pra ler. Eu comprei a Coleção O mochileiro das galáxias e a Saga encantadas.
Em Uma história da leitura, o Alberto Manguel fala também sobre o início das edições econômicas. Como vocês devem saber, livro era um objeto de luxo e poucos podiam comprar. Surgiu a Penguin para lanças livros clássicos a preço popular, mas as pessoas não acreditavam no projeto logo no início. É uma parte do livro muito interessante pra nós pobres que amamos literatura, rs. Imaginem que naqueles tempos, poucas pessoas podiam desfrutar desse prazer. É tão injusto porque livros deveriam ser acessíveis a todos.

Bom, esses foram os livros que comprei:







Encantadas é um amorzinho, cheio de detalhes bonitos nas páginas e espaços em branco pra uma certa rabiscadora aproveitar. As páginas são bem brancas e tem um bom espaçamento.
Já o Guia do Mochileiro tem página amarelada bom pra ler, mas as letras são menores e quase não tem margem, também é uma brochura 'bem apertada', o tipo de livro que eu dobro mesmo pra poder ler. Nem um espacinho em branco :(

Está aí, gostei demais dos livros, estão lindos na minha estante esperando a vez deles.


Em 1904, Kafka escreveu a seu amigo Oskar Pol ak: "No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmos ao trabalho de lê-lo?
Para que nos faça feliz, como diz você? Meu Deus, seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. Um livro tem de ser um machado para o mar gelado de dentro de nós. É nisso que acredito".






de Uma história da leitura. 


[ Spoiler]

Helena é um romance de Machado de Assis de 1976. Romance da fase do autor inexatamente chamada fase romântica, quando melhor se diria ''de compromisso'' ou convencionais''.
O conselheiro Vale era um homem rico, que, apesar de honrado, era dado a aventuras amorosas. Quando vem a falecer, deixa em seu testamento o pedido para que o filho, Estácio, e a irmã, D. Úrsula aceitem uma filha que ele teve fora do casamento, Helena.
Helena é uma jovem linda, inteligente e encantadora, logo conquista amizade do irmão, dos escravos e amigos da família se mostrando uma boa dona de casa e com muitas habilidades, uma verdadeira moça muito prendada. 
O médico e amigo da família mostra notável antipatia por Helena, o que pode-se perceber, se deve ao fato de que ele pretende casar a filha Eugênia com Estácio e não contava ter a herança do rapaz dividida com Helena. 
D. Úrsula não simpatiza de imediato com a sobrinha,mas sofrendo de uma grave doença e tendo a moça como sua fiel e única enfermeira, acaba por se render aos encantos da jovem. 
Estácio, como bom filho, sempre pretende seguir as ordens do falecido pai e amar a irmã, como se sempre tivessem crescido juntos. Helena se torna a alegria deles, juntos passeiam a cavalos, passam longas horas lendo e organizando os livros dele.
Quando precisa se ausentar de casa, viajando para acompanhar a família da noiva em uma visita a uma doente, ele lamenta muito a ausência da irmã e não vê a hora de voltar para casa, sempre trocando cartas com ela e falando de sua infelicidade. Eugênia é uma típica beleza, mas uma moça superficial e convencida.
Quando retorna da viagem, Estácio é informado pelo seu melhor amigo, Mendonça que ele pretende pedir a mão de Helena e está apaixonado, ela não reponde estar apaixonada, mas revela ao irmão que tem um amor impossível e prefere casar com Mendonça para esquecer e aos poucos acredita que poderá amá-lo.
Estácio não concorda e procura justificar que seria a infelicidade da irmã, mas o padre revela o que ele próprio não poderia confessar, ele está apaixonado pela irmã e ela por ele. São irmãos e se amam.
O suspense no romance é construído brilhantemente por Machado de Assis. Estácio descobre que Helena costuma visitar uma casa humilde com frequência e em segredo, ele conhece o homem que mora na casa, mas não consegue descobrir o vínculo entre eles, supondo que tem a ver com um caso clandestino de Helena.
Confrontada, Helena sofre e afirma que a verdade os separará para sempre. Na verdade, o homem, que se chama Salvador é o verdadeiro pai de Helena. Sua mãe e Salvador fugiram juntos quando jovens, pois a família não aceitava o casamento. Helena nasce e eles continuam na pobreza, Salvador vai ao encontro do pai à beira da morte e quando retorna descobre que sua mulher está vivendo com o Conselheiro Vale em uma grande propriedade onde Helena tem conforto e educação.
Ele faz o possível para acompanhar a menina de longe, mas aceita perder a paternidade em troca da felicidade e futuro da filha. Assim Helena cresce amando o Conselheiro como pai adotivo, mas sabendo que tem seu verdadeiro pai a distância.
Ela entra na farsa para agradar aos seus dois pais, mas quando é descoberta fica repleta de vergonha e implora que possa ir embora viver com o pai e longe da família que enganou por meses. Estácio não quer o escândalo que a verdade provocaria, o padre acredita que ele deve casar logo e casar Helena com Mendonça, como se nada disso tivesse acontecido.
Eles insistem que Helena não deverá ir embora e Salvador parte para que ela não possa abandonar tudo o que possui graças a bondade do Conselheiro. 
Em um momento de desespero, em um dia chuvoso, Helena discute com Estácio e procura ir embora se submetendo a chuva, ele a leva para a casa,mas ela é tomada por uma febre e seu caso vai se tornando grave e exigindo mais cuidados, até que todas as esperanças são perdidas.
Mesmo com os cuidados de Estácio e D. Úrsula, Helena morre sem ter vivido o amor, que na verdade era possível, pois eles nunca foram irmãos. 

Um escravo veio chamar Estácio à pressa; ele subiu trôpego as escadas, atravessou as salas, entrou desvairado no quarto, e foi cair de joelhos, quase de bruços, junto ao leito de Helena. Os olhos desta, já volvidos para a eternidade, deitaram um derradeiro olhar para a terra, e foi Estácio que o recebeu, — olhar de amor, de saudade e de promessa. 

Helena fez parte do meu projeto de ler um livro clássico da nossa literatura por mês.  É um livro curtinho, lido facilmente em dois dias, apesar de ter um final tão pesado, a leitura é leve, a personagem de Helena é descrita como uma jovem amorosa, embora deva ter alguma ambição por aceitar tão trato, o carinho pela família soa sincero e os momentos juntos são agradáveis de se ler. Em pensar que um fato tão facilmente resolvido nos dias atuais gera tanta infelicidade nos tempos desses jovens! Evoluímos!


A vida tentando seguir, apesar de marcada por conflitos e guerras constantes. Na Nigéria, Olanna é a filha de um casal abastado. Ela é muito diferente da irmã gêmea, Kainene, as duas não são muito próximas.
Essas mulheres, por gozarem de uma boa posição social, podem viver com liberdade e morar com o homem escolhido, mesmo sem casar. Embora a família sempre tente incentiva-las a se relacionar com os bons pretendentes, homens que procuram e oferecem vantagens para a família.
Olanna se apaixona por um professor revolucionário, Odenigbo, ele costuma reunir em sua casa outros intelectuais africanos para discutir política e outros assuntos.
Odenigbo tem um empregado, vindo da roça, Ugwu. Antes de trabalhar nessa casa, Ugwu não acreditava que alguém, por mais rico que fosse, poderia comer carne todos os dias. Ele se deslumbra com a casa, a comida, os móveis, cama confortável e se sente muito grato de ter sido escolhido para o trabalho. O patrão tem interesse em fazer com que ele vá a escola e ele tem muito orgulho de trabalhar para um intelectual.
Quando Olanna e Odenigbo já estão morando juntos há um golpe. Pode ser muito informação para quem não conhece muito de História, já que nossas aulas continuam ignorando tudo o que não é Ocidental. 
Kainene se envolve com um homem branco britânico, Richard. Ele se interessa pela cultura local e fez a viagem para escrever um livro, embora ainda não saiba sobre o quê. Richard acaba se sentindo um ibo, como a mulher e não pensa em ir embora, mesmo nos piores momentos.
A narrativa é forte e crua sobre os conflitos e massacres. Não é um livro para pessoas fracas. Um dos momentos mais chocantes é quando Olanna viaja para Kono para buscar uma parente grávida porque os ibos estão sendo assassinados pelos muçulmanos, e ela se depara com uma carnificina. Corpos mutilados pelas ruas, homens procurando mais ibos para matar, pessoas fugindo em trens e ônibus lotados uma mulher carregando a cabeça decepada da filha.
Kainene, Richard, Olanna, Odenigbo e Ugwu acreditam na nova nação, Biafra.
Muitos dão suas vidas nessa guerra, sempre sendo falados que a vitória está próxima e é preciso fazer sacrifícios. 
Os sobreviventes precisam viver se mudando, fugindo dos bombardeios, procurando um lugar onde imaginam que estarão seguros só para precisar fugir mais uma vez.
Alguns ricos conseguem ir para outro país, mas Olanna e Kainene insistem em ficar, mesmo quando os pais partem para Londres.
Homens muito joves e idosos foram recrutados à força para lutar sem treinamento, mulheres enfrentavam estupros coletivos e todo tipo de violência e violação. A subnutrição e outras doenças levavam as crianças, pois até os remédios estavam em falta.
Os homens foram transformados, fizeram coisas que eles próprios condenariam, as mulheres são mostradas como incrivelmente fortes, apesar dos estupros, humilhações, dos filhos mortos, das carnificinas que presenciaram.
A guerra afasta e aproxima pessoas permite reencontros já impossíveis de serem sonhados e perdas e desencontros inimagináveis de tão cruéis e desumanos.
É uma história para ser lida e nunca esquecida. A história daqueles que morreram enquanto o mundo seguia sua agenda normal, mesmo muito perto dali, como se nada tão absurdo estivesse acontecendo.


Quotes


“Meu pai e seus amigos políticos roubam dinheiro com os contratos que fazem com as empresas, mas ninguém os faz ficar de joelhos, implorando o perdão. E com o dinheiro roubado eles constroem casas e alugam para gente como esse homem, a preços exorbitantes que os impedem de comprar comida.”



Você nunca deve se comportar como se a sua vida pertencesse a um homem. Ouviu bem?”, disse tia Ifeka. “A sua vida pertence a você e só a você, soso gi.


Ele escreve sobre fome. A fome foi a arma de guerra da Nigéria. A fome quebrou Biafra, trouxe fama a Biafra e fez Biafra durar o tempo que durou. A fome fez os povos do mundo repararem e provocou protestos e manifestações em Londres, Moscou e na Tchecoslováquia. A fome fez a Zâmbia, a Tanzânia, a Costa do Marfim e o Gabão reconhecerem Biafra, a fome levou a África até a campanha presidencial de Nixon, e fez os pais do mundo todo dizerem aos filhos para raspar o prato. A fome levou organizações de ajuda a fazer transportes clandestinos de comida durante a noite, uma vez que nenhum dos lados conseguia chegar a um acordo quanto às rotas. A fome ajudou a carreira dos fotógrafos. E a fome fez a Cruz Vermelha Internacional chamar Biafra de sua maior emergência, desde a Segunda Guerra Mundial.




Ele escreve sobre o mundo, que permaneceu calado enquanto os biafrenses morriam. Argumenta que a Grã-Bretanha inspirou esse silêncio. As armas e o conselho que os britânicos deram à Nigéria formou outros países. Nos Estados Unidos, Biafra estava “sob a esfera de interesses britânicos”. No Canadá, o primeiro-ministro deixou escapar: “Onde é que fica Biafra?”. A União Soviética enviou técnicos e aviões à Nigéria, vibrando com a possibilidade de influir na África sem ofender norte-americanos e britânicos. E, de suas posições de supremacia branca, África do Sul e Rodésia olharam triunfantes para mais uma prova de que governos liderados por negros estavam fadados ao fracasso. A China comunista denunciou o imperialismo anglo-americano-soviético, mas nada fez para apoiar Biafra. 


Olanna ouvia o som dos aviões à distância, como trovões se formando, e logo depois os nítidos estalos de fogo antiaéreo se espalhando. Antes de entrar no bunker, olhou para cima e viu os jatos bombardeiros deslizando no céu, feito gaviões, voando surpreendentemente baixo, com bolas de fumaça cinza em volta deles. Ao saírem do bunker, mais tarde, alguém disse: “Eles queriam pegar a escola primária!”. “Aqueles ateus bombardearam a nossa escola”, disse a professora Muokelu.

Talvez os vândalos já estivessem lá, de posse da casa da tia, a que tinha teto de zinco. Ou quem sabe a família fugira com as cabras e galinhas, como toda essa gente que chegava a Umuahia. Os refugiados. Ugwu via o pessoal chegando, cada vez mais, todo dia novos rostos nas ruas, na fonte pública, no mercado. Mulheres batendo na porta a todo momento, perguntando se haveria algum trabalho que pudessem fazer em troca de comida. Apareciam com os filhos, magros e nus.


“Nós nunca nos lembramos efetivamente da morte”, disse Odenigbo. “A razão de vivermos como vivemos é que nunca nos lembramos de que vamos morrer. E todos vamos morrer.” “Exato”, disse Olanna; Odenigbo tinha os ombros caídos. “Mas quem sabe é justamente esse o sentido de estarmos vivos? Para negar a morte?”, perguntou ele.

7. O Livro: O Mundo Estava Calado Quando Nós Morremos Para o epílogo, escreve um poema, nos mesmos moldes dos de Okeoma. Com o seguinte título: “VOCÊ SE CALOU QUANDO NÓS MORREMOS?” Você viu as fotos em 68 De crianças com o cabelo ficando ferrugem? Chumaços doentes aninhados nas cabecinhas, Caindo feito folha podre na terra poeirenta? Imagine crianças com braços feito palitos. A pele estirada, uma bola de futebol na barriga. É o kwashiorkor —palavrinha difícil, Mas não feia o bastante, uma pena. Mas não precisa imaginar. Houve fotos Expostas nas páginas em papel cuchê Da sua Life. Você viu? Sentiu um dó rápido E depois se virou para abraçar mulher ou amante? A pele deles ficou castanha como chá fraco, Mostrava uma teia de veias, osso quebradiço;


Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins
Livro de suspense: A garota no trem


No livro A garota no trem, Rachel é uma mulher nos seus trinta anos, desempregada, divorciada, que não consegue aceitar o fim do casamento, alcoólatra e desempregada. Tudo está errado na vida dela, nada faz sentido ou lhe dá vontade de viver, até que ela se envolve no desaparecimento de outra mulher.
Rachel mora com uma amiga e não pode revelar que perdeu o emprego há vários meses por causa da bebida, então todos os dias ela pega o trem, como se fosse trabalhar. Do trem ela observa um casal, que parece o típico casal de comercial de margarina, tudo que ela queria ser com o ex-marido Tom. Ela imagina nomes para o casal, imagina como é a vida feliz deles e um dia fica muito abalado por ver a mulher com um homem diferente.
Rachel pensa que ela nunca jogaria um casamento feliz fora, ela sonhava em ser mãe e vendo esse sonho ruir, o vicio na bebida é sua única válvula de escape, o que ela acredita que foi o fim do seu relacionamento com Tom.
Megan é uma mulher com um passado complicado, tenta ser feliz na vida 'normal' de um casamento, mas sente falta de mais emoção em sua vida. Acaba se envolvendo em relações extra-conjugais, tentando preencher esse vazio, essa inquietação com a qual ela não sabe lidar.
Ana é a atual esposa de Tom, eles começaram um caso quando ele ainda era casado com Rachel, ela vai morar na casa que ele dividia com a ex-esposa, eles têm uma filha e a vida da família é constantemente perturbada pelas intromissões da ex que não se conforma em ter sido rejeitada.
A garota no trem é narrado todo em primeira pessoa, as três mulheres se intercalando em mostrar seu ponto de vista.
O problema com a bebida faz com que Rachel sofra com apagões, e ela tem um desses apagões na noite em que Megan desaparece. Ela não lembra de nada do que aconteceu, mas acredita que pode ter feito algo de muito grave ou ruim enquanto estava sob o efeito do álcool. 
Ela sabe que viu Tom a Ana, mas ambos não estão dispostos a conversar com ela, ela também lembra de um homem ruivo no trem, mas não consegue saber o que sente perto dele, assim como com o terapeuta de Megan, que passa uma sensação de confiança, mas há algo de estranho nele, e o marido de Megan, que ela tem idealizado, mas vai se mostrar ser bem diferente do bom rapaz que ela chamava de Jason.
O enredo principal de A garota no trem, portanto, é Rachel tentando juntar as peças desse quebra-cabeças que é a sua memória comprometida por lembranças confusas e cenas misturadas. Aos poucos o leitor pode ir juntando isso mais depressa do que ela. Eu consegui descobrir antes de chegar ao final \0/.
Rachel é uma ótima personagem, apesar de às vezes a falta de amor próprio dela dar uma certa raiva. Ela é uma pessoa destruída pela separação do homem que ama e pelo álcool, alguém que perdeu todo o respeito e se envergonha do que se tornou, mas não consegue ser mais forte do que o vício e a depressão para tomar o rumo da própria vida.
Enfim, A garota no trem é um livro que recomendo a quem gosta de mistério e suspense do tipo que a gente tem que ir desvendando cada peça e sentindo a emoção de desmascarar os personagens.

A garota no trem Resenha feita por Daniele C.S. em . Ótimo livro de suspense! Resenha do livro A garota no trem - Paula Hawkins Classificação: 4



[ Contém spoiler] Esse resumo de Ensaio sobre a cegueira contém revelações sobre o desfecho.

Um cenário apocalíptico. Em Ensaio sobre a cegueira, um homem fica cego, de repente, no trânsito. Nenhuma explicação médica para a cegueira. O oftalmologista que o atendeu e examinou também fica cego. Assim como o homem que o ajudou a chegar em casa e roubou seu carro. Assim como as outras pessoas que estavam no consultório, todos ficam cegos, uma imensa brancura tapando a vista. São mandados para a quarentena em um manicômio. 
A mulher do médico não fica cega, mas finge estar para poder ficar ao lado dele. No manicômio, outros cegos vão chegando, eles ficam isolados dos soldados que fazem a vigilância do local. Qualquer aproximação resulta em morte, todos têm medo da contaminação.
A comida é enviada em caixas e eles precisam se virar para fazer a divisão. Não há nenhum serviço de ajuda, eles apenas são largados a própria sorte. Aos poucos começam a tropeçar na própria imundície. Há produtos de limpeza, mas não há pessoas que enxerguem para fazer o trabalho, apenas a mulher do médico, que precisa fingir que é cega. A ela restam olhos para enxergar os outros vivendo como animais. 
Em um mundo de cegos, ela deseja ser cega para não ter a responsabilidade do peso do mundo nas costas. Cegos malvados roubam toda a comida e exigem bens materiais, estupram as mulheres, ameaçam de morte. A mulher do médico se sujeita a tudo fingindo que também não enxerga. 
Me faz pensar naqueles que enxergam os problemas, nas muitas vezes em que temos uma visão e os outros discordam, nós muitas vezes nos calamos, embora saibamos que estamos certos, apenas para seguir a multidão. Mas de que servem os olhos, a visão, o pensamento,a mente aberta, se não usamos para nos sentir de consciência limpa a ajudar os outros?

Não soubemos resistir como deveríamos quando eles apareceram com as primeiras exigências, Pois não, tivemos nós medo, e o medo nem sempre é bom conselheiro,

Um dia, durante uma sessão de estupro, a mulher do médico consegue agir matando o líder dos cegos malvados, assim eles começam uma guerra que rende outros mortos. Uma outra mulher consegue provocar um incêndio. Fugindo do fogo, eles decidem encarar os soldados, mas descobrem que não há mais soldados. Saem para a rua e descobrem que não há mais nada, só cegos desgovernados vagando pelas ruas imundas procurando comida.
A mulher do médico guia um pequeno grupo, já está revelado que enxerga. Ela encontra comida para eles e resolve trancar a porta para voltar depois e pegar mais comida. O depósito tem uma escada estreita e ela sai correndo do local deixando cegos que sentem o cheiro de comida. Em outra ocasião quando volta, ela percebe que há corpos em decomposição, provavelmente os cegos que sentiram o cheiro, tentaram entrar para o depósito e caíram na escada, ela fica escandalizada se sentindo culpada por mortes mais uma vez.
Tudo em volta é um caos, pessoas sujas, com fome, ninguém encontra a própria casa e acabam ficando em qualquer uma que encontrem, mortos apodrecem pelas ruas, animais se servem das carcaças. Só a mulher do médico pode encontrar a própria casa e apenas o grupo dela consegue manter um pouco de humanidade graças aos olhos dela, que podem ver.
Da mesma forma que começou, a cegueira vai embora aos poucos, de pessoa em pessoa, como se nunca tivessem sido cegos, como uma descontaminação.
A pontuação de José Saramafo, tão caótica quanto o enredo? nos deixa quase sem fôlego e sem pausa em uma narrativa que prende o leitor, sem um momento de tédio. Apesar de estar em português de Portugal, não tive dificuldade com quase nenhuma palavra, para as poucas que não sabia o significado, o Kindle ajudou muito.


Foi umas das minhas melhores leituras do ano, graças a indicação de uma amiga no Clube de leitura do whatsApp.
Um livro para entretenimento e reflexão profunda, merece toda a fama que possui.



Quotes Ensaio sobre a cegueia - José Saramago



A culpa foi minha. chorava ela, e era verdade, não se podia negar mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele a pensar nelas a sério. primeiro as imediatas. depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chega ríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será,


É desta massa que nós somos feitos? metade de indiferença e metade de ruindade. 




Grandes esperanças foi escrito por Charles Dickens em 1861 inspirada na experiência amorosa do autor com a atriz Ellen Ternan e na sua certeza da imutabilidade da hierarquia social refletida no destino de Pip, protagonista da obra.

O menino Pip foi criado pela irmã e pelo cunhado em uma vila com o destino de ser ferreiro como o cunhado e grande amigo, Joe. Mas acontecem fatos que vão alterar completamente o seu destino. Primeiro há um encontro com o condenado fugitivo que o obriga a roubar comida de casa para o alimentar.


Depois Pip é convidado por uma velha e louca senhora rica para brincar na casa dela com sua filha adotiva, Estella. E ele fica perdidamente fascinado pela beleza da menina O encontro com Estella e o orgulho dela fazem com que Pip se envergonhe de si mesmo e da situação em que vive. Na certeza de que a Estella o desprezaria se o visse em sua humilde casa ou trabalhando como ferreiro. 
 
Esse dia foi memorável para mim, pois causou grandes mudanças no meu destino. Mas é assim com todo mundo. Subtraia um determinado dia de sua vida e veja que, sem ele, sua vida teria tomado um rumo diferente. Faça uma pausa por um instante, leitor, e pense na comprida corrente de ferro ou de ouro, de espinhos ou flores, que jamais se lhe estaria ligada, se um certo dia memorável não tivesse formado o primeiro elo dessa corrente.
 
Pip não é mais feliz e sonha em ter conhecimento e riquezas, tudo o que ele pensa é não ser mais o menino pobre e rude que Estella esnoba.
 Como uma mágica Pip recebe o aviso de que um benfeitor anônimo quer que ele seja um cavalheiro e vai bancar todas as despesas. Ele se muda para a cidade e se transforma, ele volta a ver Estella, e está cada vez interessado nela mas não é feliz com ela. Estella parece uma lembrança de que nada nunca será bom o suficiente para ele.

Todo livro é repleto de coincidências, grandes coincidências como Pip fica rico de repente, na cidade Pip faz um amigo, Herbert,  que é, na verdade, um garoto com quem ele lutou uma vez na infância. Pip descobre grandes segredos envolvendo o seu benfeitor, a velha senhora rica e o passado de Estella.


Durante todo o tempo em que Pip tem grandes esperanças, ele não é feliz. Ele está sempre esperando no futuro o dia que vai conquistar tudo o que ele sempre quis e vendo essas esperanças se perderem. Um dia Pip vai descobrir que na verdade ele sempre teve o que era necessário para ser feliz, mas ele estava ocupado sonhando com as grandes esperanças e com Estella.

Charles Dickens escreve um livro completo com momentos de humor,  muitos momentos de reflexão e  final emocionante.



Toda mulher quer ou já quis ser Dolly. Ela é a pureza da humanidade, a confiança nos outros, a espontaneidade. A liberdade de seguir seus verdadeiros anseios e ser fiel a eles, custe o que custar. Quantos de nós não se contenta com uma vida média? A maioria da humanidade sucumbiu ao medo, desconfiança, insegurança, desejo de dias tranquilos e esqueceu que o tempero da vida é a aventura.
Quando esse conto nos apresenta a Dolly, podemos sentir sua energia, seu brilho interior através do relato da recatada Adelaide.


Com seus sonhos ambiciosos e desapego do que é convencional para a sociedade, ela é a expressão da liberdade.

Adelaide é o seu contrário, quer ser secretária e escreve, mas só em seu diário. É lenta e fica totalmente perdida diante da efusividade de Dolly. Ela tem a vida quase toda planejada, sonhos pelos quais não arriscaria perder nem uma aula. Ambas têm a mesma idade, a possibilidade de tornarem-se amigas dividindo uma casa e só.

E o mundo foi feito para Adelaides, ser livre, feliz e confiante é muito perigoso. As aventuras que ela conhece são as estampadas nas revistas que contam a vida dos artistas.Os artistas sempre vistos como desordeiros e sujeitos a todo o tipo de perigo e circunstância.


Dolly e Adelaide nunca chegam a ser amigas, não porque Adelaide é medrosa demais para se misturar com uma moça tão moderna e agitada, sair da pensão a qual está acostumada ou mudar toda sua rotina e correr o risco de ter uma vida diferente, não porque Dolly é artista, bebe, fuma, se entrega a todos os tipos de amigos e vive na farra. Elas não têm mais tempo, apenas pela outra natureza da humanidade, a falta da própria humanidade, a falha que faz com que os outros seres humanos sucumbam ao medo de ousar.
Talvez o mundo seja mesmo para pessoas normais, que seguem uma rotina segura, que já sabem de antemão tudo o que vai acontecer, nenhuma surpresa no caminho, nenhum desconhecido, nenhum sentimento novo, nem para o bem e nem para o mal.


Mas será que assim não fica faltando alguma coisa?




Dolly é um conto de Lygia Fagundes Telles, primeiro do livro A noite escura e mais eu.




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My rating: 3 of 5 stars

Em alguns momentos eu quase larguei esse livro porque ele não era bem o que eu imaginava, mas é o tipo de livro que sempre me deixaria me perguntando como foi o final, apesar de que depois de terminar de ler eu ainda não sei bem.
Pois bem, não sei muito sobre o movimento beat , mas fugir ao convencional sempre é algo que me atraí, são personagens que não conseguem levar uma vida normal e estão sempre na estrada. Como feminista não posso deixar de pensar em como esses homens afetavam a vida das mulheres, casando, fazendo filhos e indo embora ao primeiro chamado da estrada, também outras mulheres são usadas como objetos de prazer e meio de homens adquirirem dinheiro dos homens que querem usa-las para o prazer.
 Sal, Dean e companhia encontram todo o tipo de vida nos lugares por onde passam voando e sem se apegar, seria uma narrativa mais livre e menos triste se eles não tentassem por vezes se adequar a normalidade e envolver outras pessoas nisso, logo em seguida deixando-as para trás.
Mas posso sentir completamente o encanto por essa vida de ver tudo de longe e estar sempre em movimento sem querer ser interrompido por problemas banais, por regras bestas e convencionalidades. Uma vida quase livre.

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Frases:


 Assim é a noite, é isso o que ela faz com você; eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão.

Naturalmente, agora que reflito sobre isso, era apenas a morte: a morte vai nos surpreender antes do paraíso. A única coisa pela qual ansiamos em nossos dias de vida, e que nos faz gemer e suspirar, sujeitos a todos os tipos de dóceis náuseas, é a lembrança de uma alegria perdida, provavelmente experimentada no útero, e que somente poderá ser reproduzida (apesar de odiarmos admitir isso) na morte.

Certa vez, minha tia disse que o mundo jamais encontraria a paz, até que os homens se jogassem aos pés das mulheres.