O mais macabro nesse livro é que nas primeiras páginas você pode se identificar com o personagem principal, Téo, um cara antissocial, estudante de medicina, que se interessa por uma garota e resolve stalkear a vida dela. Até que você percebe que não é um simples stalker que às vezes qualquer um faz nas redes sociais. A linha que separa o normal de um psicopata vai ficando mais evidente a cada página.
O estudante revela que não sente afeto por ninguém, nem mesmo pela mãe paraplégica de quem ele cuida, a única que merece o amor e a atenção dele antes de Clarice é Gertrudes, ele passa horas conversando com ela e tentando entendê-la. Seria uma linda amizade se ela não estivesse morta e fosse na verdade apenas um corpo que ele analisa nas aulas de anatomia.
Téo se torna obcecado por Clarice depois de um encontro casual em um churrasco. Ele pensa que a ama,  que sabe o que é melhor para ela e que vai fazê-la ama-lo também. A narrativa é um delírio em que nós acompanhamos a forma como Téo adequa na cabeça dele todos os acontecimentos para acreditar que foi uma boa ideia sequestrar Clarice e que eles realmente estão vivendo um romance.

A loucura não tem limites no trajeto que eles fazem juntos.Chega ao ponto em que o leitor certamente gritaria para o autor parar por aqui se ele pudesse. Mas é óbvio que não, Montes não tem limites gerando um desespero até a última página.


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