Tudo que se puder falar sobre esse livro não poderá exprimir a sua grandiosidade. O templo dos meus familiares é um livro onde cabem todas as histórias da humanidade, todas as emoções, todas as angústias acumuladas ao longo de uma vida e de vidas passadas de cada personagem.
São três casais principais com suas histórias se intercalando na narração e no tempo e ainda as histórias de pessoas ligadas a eles. Como um tecido incrivelmente coeso, Alice Walker conseguiu ligar as vidas dessas pessoas.
Carlota é uma latino-americana refugiada que não conhece bem a sua própria mãe, embora sempre tivesse vivido com ela. O improvável acontece e se repete. Carlota conhece um astro do rock, Arveyda, ele se apaixona pelos adornos de pluma que Zedé, a mãe de Carlota, faz, a e filha vende. Ele se apaixona por Carlota, eles têm dois filhos, têm suas próprias crises. Mas Arveyda conhece a Zedé que Carlota não conhece, ele vê a mulher por trás do rosto sofrido. Ele abandona Carlota para ficar com Zedé e o que acontece é que ele torna-se a ponte que vai unir ainda mais essas mulheres. Zedé nunca conseguiu contar a sua triste história para a filha, os horrores da escravidão, a dor, a humilhação, ela própria só conseguiu fugir com ajuda da tribo do pai de Carlota que foi brutalmente torturado e assassinado e depois a ajuda de uma americana branca e excêntrica que sempre foi interessada pelos não-brancos.
Mary Jane, a americana branca que ajudou Zedé, casa-se com um negro na África, um casamento de conveniência para que ela possa continuar com uma escola de arte que mantém lá e ajuda muitas crianças. Mary Jane tem uma conexão inexplicável com a África, mesmo sendo branca, revirando a vida de uma antepassada, Eleandra, ela descobre que não é a única. Eleandra tinha quase uma paixão platônica pelo primo T., mas vê sua admiração por ele diluir-se em uma visita a um museu, onde se exibe um ser humano. T. aprova o horrendo espetáculo e mostra que a única coisa que o aproxima da pequena mulher negra é a curiosidade, a excentricidade de tê-la ali para  quem desejasse observa-la, sem o mínimo interesse de como e porquê ela foi parar naquela situação. Eleandra estuda a língua da mulher, consegue se comunicar com ela e tempos depois, embarca com a mulher para seu destino na África. 
Ola, o homem com quem Mary Jane casou, é o pai de Fanny. Quem leu A cor púrpura deve lembrar de Celie, Natie e Olivia, a filha de Celie que foi adotada por missionários e foi para a África. Fanny é filha de Olivia, ela é professora de Literatura Feminina e casada com Suwelo. Fanny passa a vida lutando com o ódio que sente pelos brancos, especialmente pelos loiros, ela está em uma jornada para se desvincular de todas as certezas pregadas pela conveniência social, como o casamento, ela precisa mostrar para Suwelo como sua relação será mais livre e verdadeira depois do divórcio.
Suwelo conhece uma mulher que tem experiência de muitas vidas passadas, a Srta. Lissie, uma das coisas mais marcantes que ela fala para Suwelo é a necessidade de que ele abra todas as portas de sua vida, você não consegue ser uma pessoa bem-resolvida e completa se não enfrentar os seus traumas, se não abrir as portas e encará-los. Ele leva um longo tempo para entender isso. Fanny também, ela lembra que tinha uma amiga branca na infância, ela nunca podia passar do quintal da amiga ou entrar na casa, mesmo a casa da amiga sendo paupérrima e a dela bem mais rica. Um dia, ela visita essa amiga que a faz recordar que quando era criança foi agredida por ousar beijar o rosto dela. Na casa de Celie e Shug todos se beijavam e Fanny achava isso normal, ela fechava as portas para não ver o racismo que sofria fora de seu mundo de amor e alegria.
Quando Fanny vai para a África encontrar o pai e a irmã, Suwelo tem um caso com Carlota, só sexo, sem profundidade, sem conhecer a mulher que ela é.
Mas eles continuam ligados. Talvez confirmando o que a srta. Lissie acredita sobre as relações humanas, ela sempre volta em diferentes corpos e passa mais tempo convivendo com as pessoas com quem ainda não tem tudo resolvido e acredita que ela ainda vai reencontrar o marido muitas vezes porque eles ainda não se amaram o suficiente e ele ainda não aceitou todas as formas de vida que ela já manifestou. Lissie consegue mostrar em cada fotografia quem ela era em vidas anteriores.
Fanny se apaixona por espíritos, ela acredita que as pessoas que ela mais conhece e ama são pessoas que não vivem mais em sua dimensão, até que ela se conecta com Arveyda, ele era só um astro que a encantava com suas músicas, tão distante quanto os espíritos, mas ele se torna real.
Quando Suwelo finalmente tenta conhecer Carlota, ele conhece a si próprio, ele abre a porta para as lembranças dos pais mortos em um acidente.


"O homem africano branco nasceu sem melanina, ou apenas com uma quantidade incrivelmente pequena. Nasceu desprotegido do sol. Deve ter se sentido amaldiçoado por Deus. Mais tarde projetou este sentimento sobre nós e tentou fazer com que nós sentíssemos amaldiçoados por sermos pretos; mas preto é uma cor que o sol ama. O homem branco áfrica não podia culpar o sol pela sua condição, não sem parecer ridículo, mas podia conseguir que um dia as pessoas passarem de adora-lo. Podia pôr um novo deus no seu lugar e que fosse mais parecido consigo próprio: frio, desinteressado,dado a violentos acessos de raiva e ataques de ciúme. Precisava criar um novo deus já que aquele que o resto do seu mundo adorava era tão. cruel com ele. Era um deus que o queimava. que sorte teve quando finalmente caiu no Mediterrâneo e esbarrou na Europa."
Fanny


"você deve viver no mundo de hoje como gostaria que todo mundo vivesse no mundo futuro. Essa pode ser a sua contribuição. De outra forma, o mundo que você quer jamais existirá. Por quê ? Porque você está esperando que os outros façam aquilo que você não está fazendo; eles, por sua vez, estão esperando por você, e assim por diante. "
Ola

" Claro que fui, de tempos em tempos, uma mulher branca, ou tão branca quanto metade delas é. Não vou aborrece-lo com histórias dos séculos que gastei sentada, me perguntando por que mulheres de cor deveriam lavar meu chão. Nossos homens as estavam trazendo o tempo todo. Você ia dormir uma noite sem irmão, sem marido, sem pai, e na manhã seguinte era mais do que provável que um deles estivesse de volta. Puxando uma fileira de pessoas com a aparência o mais deplorável possível."
Srta. Lissie


Deixe um comentário

Obrigada por visitar meu espaço. Fico muito feliz com comentários, mas apenas sobre a postagem. Opiniões, elogios e críticas construtivas são bem-vindos.
Para outros assuntos, use o formulário de contato.