JungleCoders: Lendo livros em formato PDF: Um problema que sempre tive com livros em formato PDF é marcar o ponto onde parei de ler para depois continuar.



Semana passada eu encontrei o Adode Digital Editions,
gratuito e multiplataforma, desenvolvido pela mesma companhia que
inventou o formato PDF. Ele foi criado para permitir acesso aos livros
digitais da plataforma e-book da Adobe, mas também pode ser utilizado
para ler livros já baixados em formato PDF ou ePub. A grande vantagem é
poder utilizar o recurso de biblioteca, permitindo juntar os PDFs
espalhados pelo disco rígido em uma só interface, organizar estes PDFs
em pastas e marcar onde paramos de ler facilmente. No Digital Editions,
quando reabro um PDF ele está exatamente na mesma posição que deixei da
última vez. A interface é bem limpa e facilita a leitura, tendo apenas
os controles básicos de navegação e visualização do PDF e opcionalmente o
conteúdo a esquerda.
 


PENSAR É TRANSGREDIR - Lya Luft
Esse é o meu primeiro contato com Lya Luft. Pensar é transgredir é um livro com cinquenta crônicas onde Luft fala sobre os mais diversos assuntos, sempre com uma opinião contundente e inspirada.
Família, filhos, casamento, questões nacionais ou internacionais, eventuais questões emocionais, em cada crônica um assunto que nos leva a proposta mencionada no título, pensar é transgredir, sair da opinião normal, do senso comum.
Pensar é uma forma de questionar a realidade acomodante, uma maneira de ser original e não estar tentando seguir a onda, a multidão.
É isso que se constata lendo os textos de Luft em Pensar é transgredir, um alguém que está em paz com seus conflitos, com suas incertezas e não procura uma verdade absoluta pregada pela voz da maioria.
O elemento que me faz gostar de crônicas é o quanto eu posso me envolver com elas e me ver nas situações relatadas nela, não vou dizer que me identifiquei com a maioria em Pensar é transgredir, sobre filhos, casamento, mesmo as situações urbanas não dizem nada à garota provinciana que sou eu. Mas as poucas com as quais me identifiquei entram para o rol de especiais.

" Espero que você não ache que prazer é ruim. Opte pelo positivo. Queira ser um pouco feliz, entusiasme-se por alguma coisa possível de atingir dentro de suas condições, faça um esforço para se libertar do pessimismo."




Sinopse - Annie - Carissa Vieira

Annie é uma jovem atriz que a cada dia faz mais sucesso. Famosa, com bastante dinheiro, sua vida parece um conto de fadas. Apenas superficialmente. Solitária, cansada do trabalho, com um relacionamento complicado com sua família, Annie quer mudar de vida. Só que isso não vai ser fácil.
Skoob

      Há muito tempo penso em ler mais autores novos e não tão conhecidos. Hoje resolvi começar a colocar isso em prática, baixei o aplicativo Kindle e alguns livros curtos. Vou sempre intercalar entre livros atuais e clássicos. Hoje li o conto Annie de Clarissa Vieira. 
     O conto é sobre uma adolescente que é celebridade desde muito nova e acaba sentindo-se sufocada pelas pessoas e principalmente pelo interesse dos pais que são desumanos e a usam como meio de ganhar dinheiro.
     Logo de princípio, não achei a trama original, há uma garota que tem uma vida 'perfeita', mas está insatisfeita e quer uma vida livre e normal, mas certamente a trama torna-se surpreendente, eu jamais poderia imaginar um final tão drástico. 
     A capa também é digna de elogios porque é linda e ilustra bem a situação em que a protagonista se encontra fisica e psicologicamente.
   O conto tem uma escrita fácil e leve para ler, li em poucos minutos e recomendo.


Lendo essa crônica de Lya Luft, fiquei a pensar, e nós brasileiros, como nos vemos?
Luft fala do desconhecimento dos estrangeiros quanto à cultura e ao povo que existe no Brasil. Que os poemas deles sobre o Brasil falam de florestas e mulheres alvas e ao mesmo tempo, em suas viagens, ela sentia que os estranteiros não a reconheciam como brasileira, por ser loira, culta, escritora. Luft gostaria de se ver reconhecida com tanta brasilidade quanto uma negra descendente de africanos e vendedora de acarajé.
Eu me pergunto quantas vezes ainda agrupamos certas características e excuímos outras possibilidades de associação. Branca, bonita, rica, culta. Negra, exótica, vendedora de acarajé, boa de samba.
Não podemos esperar muito de fora, mas podemos ficar atentos a nossa própria visão deturpada da realidade e olhar menos para si e mais para os lados.


Cada um de nós reage de forma diferente às mudanças trazidas pela vida. A época em que nos consideramos jovens começa por passar tão rápido que quase não conseguimos registrar cada sensação. Como seria bom ter o dom de observação que tinha Clarice Lispector. Em Crônicas para jovens: de amor e amizade há momentos preciosos, frutos de lembranças, observações e vivências pessoais.
Em A descoberta do mundo, acompanhamos uma menina de treze anos se chocando com a sexualidade. Quantos pessoas registraram esse momento? Eu nem mesmo consigo lembrar, me considero quase tão precoce quanto ela, eu gostava dos meninos da escola, mas era tímida demais para admitir e tinha medo do inferno, acho que foi pela televisão que descobri os mistérios do amor.
Em "A favor do medo", a reação de uma mulher ao ser convidada para um 'passeito', o que passa por uma mente feminina ao receber um convite masculino me lembrou uma passagem do romance A carne de Júlio Ribeiro em que Lenita recua ao desejar se entregar a Manuel e o narrador naturalisticamente fala sobre o medo que a fêmea tem do macho, a primeira reação é o medo. Clarice chama de reminiscência da Idade da Pedra, talvez algum homem das cavernas a tenha arrastado para um 'passeito' sem volta.
Tenho enraizados alguns pensamentos nesse sentido, talvez para os homens um encontro com uma mulher possa ser esquecido horas depois, mas as mulheres só mais recentemente descobriram que também podem sair quase ilesas das consequências e mesmo um passeio pode não ser nada mais que isso, mas fico feliz em saber que alguém tão assumidamente era a favor do medo.
Fico feliz em ter em mãos esse pequeno diário da escritora. Na época em que li A paixão segundo G.H., eu não tive a maturidade ou o preparo para compreender o que falam sobre a obra, eu não sei se hoje eu tenho, mas foi uma opção feliz encontrar esse livro tão mais fácil, menos exigente.
Estou lendo em um período de grande perturbação interna e é como se cada linha me avisasse " Calma, isso é normal, as relações humanas são assim mesmo, o amor é assim mesmo, a amizade é assim mesmo, encontre um pouco de encanto na realidade.



Quotes de Crônicas para jovens: de amor e amizade


"tudo o que ela decidira, demoraria anos até poder alcançar. Ou até nunca alcançar."

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.



E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma. Falei nisso com um amigo que me respondeu: mas escrever é um pouco vender a alma.


Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.


Então por um momento os dois se apagaram na doce escuridão tão profunda que eles eram mais escuros que a escuridão, por uns instantes ambos eram mais escuros que as negras árvores, e depois tão escuro que, quando ela tentou erguer os olhos até ele, só pôde ver as ondas selvagens do universo acima dos ombros dele, e então ela disse: ’ Sim, acho que te amo.’


Crônicas para jovens: de amor e amizade/Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores,2010 - Primeira edição.