( Voltando a postar crônicas, eu pretendo escrever algumas inspiradas em nosso dia a dia, vida moderna, etc. Fiquei pensando aqui, por que todo mundo só escreve sobre dor-de-cotovelo? Sim, vou ser a variante. )


Sentindo-se pressionada pelo pouco tempo para finalizar um artigo e planejar uma apresentação brilhante, ela resolve ou não resolve, mas não resiste a entregar-se ao exercício de repensar a vida. Não normalmente como fazem as outras pessoas, mas embalada pelo momento, faz isso desesperadamente, perdidamente, como alguém que está prestes a morrer e precisa de uma ideia urgente para se salvar.
- É só uma apresentação, mais um leão entre tantos que eu sempre tenho que matar e no fim saio viva e vitoriosa.
Ela tenta se convencer, sabendo que a angústia do medo agora é maior que o alívio da vitória. E não consegue não querer encerrar tudo.
Mas a avaliação é só mais um estopim. Algo para mostrar que está no caminho errado.
- Queria apagar tudo e começar de novo. O artigo e a vida. Queria abolir os estudos científicos, escrever sobre mim. Ter um amor para quebrar meu coração e escrever sobre o meu coração partido como fazem todas as mulheres. Um coração partido é desejável diante de uma vida partida, é até mais fácil de consertar.
Quando se sente nada e tudo ao mesmo tempo. Falência múltipla de sentidos.
Passa as páginas em frente ao computador. Tudo é mais interessante que o que deveria fazer.
Uma imagem de alguém em algum lugar isolado do passado. – É onde eu deveria estar. Em todas as crises eu tento me reinventar. Procurar dentro de mim tudo o que eu perdi lá fora. Talvez eu não esteja mesmo mais em mim. Porque o mundo me fez me arrancar os pedaços para ser alguém mais aceitável. Os modos de um, o jeito de vestir de outro, o cabelo daquela, o charme de alguém, a desenvoltura daquele. E não sou eu no espelho. O que eu consegui? Não ser eu. Não ser ninguém que eu pretendi imitar. Ser aceita lá fora e não me reconhecer quando estou sozinha. Às vezes acho que sou uma alma sem corpo ou um corpo sem alma. Procuro juntar os pedaços e voltar a mim, mas até para esse ato preciso de referências. Como é uma pessoa inteira?




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