As pessoas introvertidas vivem sufocadas em um mundo dominado pelos extrovertidos. Não é novidade para ninguém que o ‘parecer’ é muito mais valorizado que o ‘ser’. O poder dos quietos prova que há uma subestimação daquilo que um introvertido é capaz de fazer.
Todo introvertido já cansou de ouvir o quanto precisa mudar se quiser obter algum sucesso na vida. Você não precisa estudar, se esforçar e ser eficiente, você só precisa fazer com que os outros acreditem que você fez isso tudo, se você souber falar vão te dar valor, se não souber, nem adianta se esforçar porque dificilmente vão perceber.

Desde os tempos da escola somos encorajados a trabalhar em grupo, apresentar seminários,etc. Não é só uma questão de socializar e viver bem com os outros, é uma luta para ver quem consegue se destacar mais, aparecer mais.
Em entrevistas de emprego para qualquer tipo de cargo também procuram os mais extrovertidos. A sociedade criou uma ideal de personalidade que deve ser perseguido por todos esquecendo que para cada trabalho a ser feito há uma habilidade diferente necessária. 

Esse livro conseguiu me impressionar, não no campo de novidade, porque como introvertida eu sei bem todas as situações que enfrentamos. O livro vale pelas pesquisas bem realizadas, citações de estudos científicos, entrevistas, tudo para mostrar um lado que não pensamos muito. Todos os conselhor por aí são para que os introvertidos mudem sua personalidade, mas eles não levam em conta o quanto pode ser frustrante manter uma vida de mentira.

Eu consegui entender porque atividades que exigem o convívio com muitas pessoas me deixa exausta, desde o tempo da escola eu aprendi a falar em público e hoje eu faço isso com desenvoltura e com prazer, mas não posso negar que fico exausta, até dar aulas me deixa exausta. Eu cheguei a trabalhar em um curso onde eu tinha oito aulas seguidas com oito turmas diferentes com apenas um intervalo e eu não podia entender porque desejava tanto uma pausa, um tempo para mim. Lendo esse livro entendi que precisamos de um tempo sozinhos para recompor as energias perdidas sendo um pseudo-extrovertido. 

Você pode fingir ser extrovertido se ver que isso é necessário, mas não por todo o tempo. Ler esse livro pode dar um pouco de paz aos introvertidos que gostam de ser assim e não querem sentir-se culpados por não agradar ao mundo.

Susan Cain enfatiza nosso poder de concentração, de reflexão. O introvertido é aquele que só fala quando acha que tem algo relevante, eu ficava chocada com uma matéria da faculdade que era baseada em debates e você ganhava pontos se participasse, eu participava raramente quando achava eu tinha algo a acrescentar e raramente ganhava um mísero ponto, mas alguns alunos interrompiam para falar qualquer coisa, um assunto irrelevante que nem tinha relação com o tema da aula, mas eles sempre tinham as melhores notas. Só por falar!

Pessoas introvertidas também podem ser líderes, se quiserem. Ela dá vários exemplos de introvertidos que transformaram o mundo e mostra como essa super valorização da extroversão é uma coisa do Ocidente. No Oriente, os líderes são aqueles que sabem ouvir e prezam a promoção do grupo e não a própria promoção. Lá, as pessoas respeitam quem pensa, quem ouve os outros e não quem só faz barulho.

Algumas ideias boas podem ser ignoradas quando vindas de pessoas mais quietas que não falam alto enquanto ideias ruins podem ser abraçadas por vir de alguém que fala com convicção e poder de persuadir. Eu também já passei por isso em ambiente profissional, eu dei uma ótima ideia que foi ouvida com respeito, mas não posta em prática em favor de outra que foi desastrosa.

Mas quando você está em paz com sua personalidade apenas pode lamentar por quem perde de aproveitar as suas melhores qualidade. O introvertido precisa saber que não é ele que está sempre errado e também não se ressentir com o mundo por não valorizá-lo. O importante é conhecer bem a sua personalidade e saber viver com ela, saber aproveitar o lado bom e ser fiel a si mesmo.

O livro tem muito mais, gostei da forma como explica como os introvertidos são mais sensíveis que os extrovertidos, eu me sinto assim, como se as coisas pudessem me atingir muito mais que à outras pessoas, se eu ver alguém com o mínimo ar de tristeza eu vou me envolver e vou ficar triste também.

O poder dos quietos não é um livro só para os introvertidos e quietos, seria bom que extrovertidos o conhessessem também. Eu sonho com o dia em que os livros possam mudar as pessoas e mudar o mundo, ou pelo menos que façam as pessoas entenderem mais as outras e respeitarem as diferenças, entenderem que não é preciso que todos sejam iguais e sim que todos têm algo de bom que deve ser aproveitado e se o mundo for composto de um único tipo de pessoa com um único talento vamos ter um desastre completo.


2 Comentários

  1. Sobre isso aqui: "Não é novidade para ninguém que o ‘parecer’ é muito mais valorizado que o ‘ser’.", vi esse vídeo hoje e super casou, olha só: https://www.youtube.com/watch?v=QxVZYiJKl1Y Mas enfim, o texto ao todo não fala exatamente sobre isso. Achei bem esclarecedor teu texto e deu aquela vontadezinha de ler mais a respeito do assunto. Não é algo que eu pesquise, mas já pensei muito a respeito e já me relacionei e tive praticamente uma união estável com alguém altamente introvertido. E eu sempre achei que ele deveria mudar pra que fosse melhor pra ele, sabe? Ainda acho que a dificuldade dele se expressar causa mais problema que solução. Mas justamente repensando sob essa nova ótica que você apresentou, eu deveria compreender muito mais o jeito dele.

    Beijo, Dani :)

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  2. Obrigada pelo vídeo. Realmente, na nossa sociedade, a introversão é muito mal vista, então devemos fazer o possível para superar os obstáculos, mas mudar não é a solução, porque não é fácil mudar algo tão forte na nossa personalidade.

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