Não foi uma questão de dominação vencida, esquecida no passado. Humanos escravizando humanos, espancando, matando, objetificando. Pouco importa quem começou, quem participou. Depois da dominação física ficou a psicológica, mais íntima, cultural. 
Um câncer transmitido de geração para geração. Eles são bons, bonitos, ricos, inteligentes, superiores. A alforria não libertou as mentes.
Ser reconhecido como ser humano já era pedir demais. Ser um negro de alma branca.
Agora muitos querem esquecer, dar basta. Eu tenho amigos negros, todos tem um pé na senzala, você é livre, você tem direitos, tem O SEU LUGAR.. Cada macaco no seu galho.
Mas já é tarde, muitos já descobriram que não precisam andar em uma linha imaginária traçada por outros.
Lupita incomodou muita gente ao ser eleita a mulher mais bonita.

Lupitas não querem mais o título de negra bonita, é mulher bonita e ponto. A mais bonita do mundo. Não baixa a cabeça para quem fala que ela seria mais bonita diminuindo o nariz ou com um cabelo longo e liso.Muitas meninas negras vão vê-la e não precisarão desejar ter a pele mais clara para parecer uma artista de televisão.
Daniel não abaixa a cabeça e chora porque lhe jogaram bananas, ele pega e come porque somos todos seres humanos.


Pessoas com essas atitudes têm sido meus ídolos, meus orgulhos. 
 Seria perfeito falar que já somos todos iguais, que não se precisa mais falar nesse assunto, mas ainda não somos, mesmo no Brasil, que é um país mestiço. As pessoas aqui só lembram que têm sangue negro na hora de lutar contra as cotas. Não é o sangue, não é a raça, mas a cor ainda marca muito, marca mais que o ferro do passado. Ainda não dá pra ser só um ser humano normal. Passamos por muitas etapas pelas quais as outras pessoas não passam, mas ao final do caminho resta muito orgulho, força, vontade de se erguer cada vez mais.


É tudo mentira essa história de não-vivo-pra-agradar-ninguém, me-ame-como-sou. Eu já quis ser feliz por você e isso seria mudar completamente, eu já quis ser um brilhante sol de verão que atrai a todos, quando na real eu gosto do escuro e do frio e sou escura e fria. 

Uma amiga me disse que eu leio errado, leio literatura quando devia ler auto-ajuda. Assim, sem cerimônias, me chamou de depressiva. Eu gosto de ouvir isso porque são poucas pessoas que são sinceras assim comigo, poucas que têm coragem e liberdade pra isso. Mas como eu vou explicar que eu gosto dessa coisa chamada ser depressiva?

Amanhã eu vou ficar feliz, eu sempre prometo, vou dizer coisas felizes, sorrir um redundante e sincero sorriso e agradecer a vida que eu tenho.

Nós somos raros, os que gostam dos dias nublados e das ruas vazias. Eu sabia que você era um desde a primeira vez que te vi. Aqueles olhos tristes. Como explicar olhos tristes e incrivelmente vivos e brilhantes? A camisa sempre amassada, os cabelos desgrenhados, um trapo humano, mas com todo o charme que só um depressivo tem.

A tua tristeza tão egoísta enquanto lia um poema que não foi feito pra mim, os lindos olhos perdidos em algum lugar que ninguém mais pode alcançar. Será que eu senti uma ponta ou um iceberg de vaidade? Minha teoria é que você sempre soube o charme que tem, e que toda essa personalidade foi friamente calculada.

Eu não sou essa que inventa casos, problemas, desafios, eu não imagino que quando você não olha mais pra dentro de si, está buscando a alegria que nenhum de nós possui. Os iguais nunca terão nada a oferecer um ao outro, eu não tenho nada a oferecer, além da minha tristeza e do meu silêncio. Você ainda tem sentimentos, poemas, palavras ditas da boca pra fora. Você tem o dom de se fazer admirado, de contar uma história chata e ainda ter ouvintes.

Meus sentimentos eu não ofereço, não explicitamente assim, eu os guardo pra mim. Nunca acredite em mim se eu não disser que te amo. Não acredite no que eu escrevo também, talvez eu ame mesmo sua melancolia ou seja só seu jeito de maior largado, sonhador, perdido na vida.

Pense que eu sou apenas mais uma fútil que só te acha lindo, nunca me interessei pelas músicas cafonas que você ouve, e muito menos li algum livro só porque você mencionou. Ou pense que sou mais uma masoquista que gosta de colecionar decepções. E me deixe continuar triste só por hoje, amanhã eu mudo, mas não mais por você.


Que perigos esconde a escuridão da noite? Existe uma idade em que não há perigos, tudo é mistério, objeto de curiosidade. Ela sempre pode esperar ficar um pouco mais tarde, espreitar os gatos pardos na madrugada. Tudo é tão mais intenso, mais verdadeiro, mais necessário. De dia tudo é óbvio, as insonsisses da vida. Já a noite, é repleta de cinzas, brincar de detetive, de onde vêm esses passos? Que segredo guarda a menina que vai devagar pisando no meio fio? Os caras que sussurram e não parecem ter o que temer? Ela não é das luzes, das festas, da agitação. É da solidão, ruas estranhas, más companhias, gente perdida. Nas pessoas mais perdidas é que se encontra a razão da busca pelo sentido, elas não fingem uma felicidade artificial.

Mais tarde ela dirá que teve o mais eficiente dos anjos da guarda, deitará cedo e não dormirá porque será sempre uma perdida em uma eterna e infrutífera tentativa de conversão. 
Descobriu o que é o medo.