Tenho gostado de acompanhar as histórias mais trágicas possíveis, não por ter sangue frio, mas por saber que nada pode ser pior que a realidade.
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Um crítico de cinema que não assistiu a 12 anos de escravidão recomendou que não o assistissem porque, entre outras razões, é triste, é bonito e baseado em fatos reais. Não acredito que mostrar uma história horrenda em bela fotografia a fará mais aceitável.
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Em uma cena do último episódio de The walking dead, a personagem fala que tinha esperanças que seu pai tivesse uma velhice e morte tranquilas. Não é preciso um apocalipse zumbi pra imaginar quantas famílias sonham com isso.
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Ninguém tem culpa sobre a tragédia do outro. Nunca se pergunte de onde veio seu berço de ouro.
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Inúmeros lutam diariamente por toda a vida, sem conseguir jamais, fugir de suas tragédias.
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Quantas mães não sabem se seus filhos voltarão para casa vivos, quantos filhos não sabem se um dia poderão dar uma vida digna aos seus pais?
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Nenhuma história imaginada, por pior que pareça, poderá superar a tragédia da vida.
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Para grande parte da humanidade, a missão ainda é sobreviver.



"A felicidade é tão oposta à vida que, estando nela, a gente esquece que vive. Depois quando acaba, dure pouco, dure muito, fica apenas aquela impressão do segundo. Nem isso, impressão de hiato, de defeito de sintaxe logo corrigido, vertigem em que ninguém dá tento de si. E fica mais essa ideia que retoma-se de novo a vida, que das portas do Paraíso Terrestre em diante é sofrer e impedimento só."

Mário de Andrade – in Amar, verbo intransitivo.