O título pode sugerir algo mais filosófico, quando, na verdade, é bem mais autoajuda. O livro por si já é algo tranquilizador, dar uma pausa na rotina para lê -lo já garante algum tempo de paz para os estressados. O caminho para entender os outros e a nós mesmos pode ser muito longo, não entendemos o que nos leva ao estresse, por exemplo, ou não entendemos que atitudes alheias nos incomodam mais. É frustrante estar sempre desejando mais e nunca ter um tempo de qualidade. Essa leitura nos ajuda a refletir sobre isso, sobre a necessidade de dar uma pausa, se integrar com natureza, às vezes nos esquecemos que somos parte da natureza, que precisamos de as puro, árvores e principalmente sossego. Ficar muito tempo sem isso contribuí para um surto de estresse.
O livro ainda passa por teorias conhecidas no ramo da autoajuda como o poder do pensamento positivo.
Um ponto negativo é que se aproximando no final da leitura o posicionamento do autor se mostra um tanto confuso, ora ele fala que é preciso ter menos ambição, o que realmente está de acordo com a ideia de resolver o estresse, ora ele aconselha que se deve ter sonhos ousados e procurar realizá -los. É certo que nem todo sonho envolve bens materiais, mas para ser realista, a maior parte deles envolve e é o desejo de ter coisas e a incapacidade de conseguir isso que mais nos estressa.
O autor faz questão de citar vários pensadores como Platão, Buda, Proust e Oscar Wilde e ainda dá dicas de que autores podem ser lidos para ajudar a refletir sobre determinados problemas e situações.
Como todo livro de autoajuda, às vezes, dá a entender que tudo é muito fácil e se resolve com o poder do pensamento, mas por outro lado pode ser uma leitura construtiva por ajudar a criar o hábito de refletir mais.

Livro: Nietzsche para estressados 
Autor: Allan Percy 
Páginas: 112
 Editora: Sextante
 ISBN: 9788575426432


Tudo que se puder falar sobre esse livro não poderá exprimir a sua grandiosidade. O templo dos meus familiares é um livro onde cabem todas as histórias da humanidade, todas as emoções, todas as angústias acumuladas ao longo de uma vida e de vidas passadas de cada personagem.
São três casais principais com suas histórias se intercalando na narração e no tempo e ainda as histórias de pessoas ligadas a eles. Como um tecido incrivelmente coeso, Alice Walker conseguiu ligar as vidas dessas pessoas.
Carlota é uma latino-americana refugiada que não conhece bem a sua própria mãe, embora sempre tivesse vivido com ela. O improvável acontece e se repete. Carlota conhece um astro do rock, Arveyda, ele se apaixona pelos adornos de pluma que Zedé, a mãe de Carlota, faz, a e filha vende. Ele se apaixona por Carlota, eles têm dois filhos, têm suas próprias crises. Mas Arveyda conhece a Zedé que Carlota não conhece, ele vê a mulher por trás do rosto sofrido. Ele abandona Carlota para ficar com Zedé e o que acontece é que ele torna-se a ponte que vai unir ainda mais essas mulheres. Zedé nunca conseguiu contar a sua triste história para a filha, os horrores da escravidão, a dor, a humilhação, ela própria só conseguiu fugir com ajuda da tribo do pai de Carlota que foi brutalmente torturado e assassinado e depois a ajuda de uma americana branca e excêntrica que sempre foi interessada pelos não-brancos.
Mary Jane, a americana branca que ajudou Zedé, casa-se com um negro na África, um casamento de conveniência para que ela possa continuar com uma escola de arte que mantém lá e ajuda muitas crianças. Mary Jane tem uma conexão inexplicável com a África, mesmo sendo branca, revirando a vida de uma antepassada, Eleandra, ela descobre que não é a única. Eleandra tinha quase uma paixão platônica pelo primo T., mas vê sua admiração por ele diluir-se em uma visita a um museu, onde se exibe um ser humano. T. aprova o horrendo espetáculo e mostra que a única coisa que o aproxima da pequena mulher negra é a curiosidade, a excentricidade de tê-la ali para  quem desejasse observa-la, sem o mínimo interesse de como e porquê ela foi parar naquela situação. Eleandra estuda a língua da mulher, consegue se comunicar com ela e tempos depois, embarca com a mulher para seu destino na África. 
Ola, o homem com quem Mary Jane casou, é o pai de Fanny. Quem leu A cor púrpura deve lembrar de Celie, Natie e Olivia, a filha de Celie que foi adotada por missionários e foi para a África. Fanny é filha de Olivia, ela é professora de Literatura Feminina e casada com Suwelo. Fanny passa a vida lutando com o ódio que sente pelos brancos, especialmente pelos loiros, ela está em uma jornada para se desvincular de todas as certezas pregadas pela conveniência social, como o casamento, ela precisa mostrar para Suwelo como sua relação será mais livre e verdadeira depois do divórcio.
Suwelo conhece uma mulher que tem experiência de muitas vidas passadas, a Srta. Lissie, uma das coisas mais marcantes que ela fala para Suwelo é a necessidade de que ele abra todas as portas de sua vida, você não consegue ser uma pessoa bem-resolvida e completa se não enfrentar os seus traumas, se não abrir as portas e encará-los. Ele leva um longo tempo para entender isso. Fanny também, ela lembra que tinha uma amiga branca na infância, ela nunca podia passar do quintal da amiga ou entrar na casa, mesmo a casa da amiga sendo paupérrima e a dela bem mais rica. Um dia, ela visita essa amiga que a faz recordar que quando era criança foi agredida por ousar beijar o rosto dela. Na casa de Celie e Shug todos se beijavam e Fanny achava isso normal, ela fechava as portas para não ver o racismo que sofria fora de seu mundo de amor e alegria.
Quando Fanny vai para a África encontrar o pai e a irmã, Suwelo tem um caso com Carlota, só sexo, sem profundidade, sem conhecer a mulher que ela é.
Mas eles continuam ligados. Talvez confirmando o que a srta. Lissie acredita sobre as relações humanas, ela sempre volta em diferentes corpos e passa mais tempo convivendo com as pessoas com quem ainda não tem tudo resolvido e acredita que ela ainda vai reencontrar o marido muitas vezes porque eles ainda não se amaram o suficiente e ele ainda não aceitou todas as formas de vida que ela já manifestou. Lissie consegue mostrar em cada fotografia quem ela era em vidas anteriores.
Fanny se apaixona por espíritos, ela acredita que as pessoas que ela mais conhece e ama são pessoas que não vivem mais em sua dimensão, até que ela se conecta com Arveyda, ele era só um astro que a encantava com suas músicas, tão distante quanto os espíritos, mas ele se torna real.
Quando Suwelo finalmente tenta conhecer Carlota, ele conhece a si próprio, ele abre a porta para as lembranças dos pais mortos em um acidente.


"O homem africano branco nasceu sem melanina, ou apenas com uma quantidade incrivelmente pequena. Nasceu desprotegido do sol. Deve ter se sentido amaldiçoado por Deus. Mais tarde projetou este sentimento sobre nós e tentou fazer com que nós sentíssemos amaldiçoados por sermos pretos; mas preto é uma cor que o sol ama. O homem branco áfrica não podia culpar o sol pela sua condição, não sem parecer ridículo, mas podia conseguir que um dia as pessoas passarem de adora-lo. Podia pôr um novo deus no seu lugar e que fosse mais parecido consigo próprio: frio, desinteressado,dado a violentos acessos de raiva e ataques de ciúme. Precisava criar um novo deus já que aquele que o resto do seu mundo adorava era tão. cruel com ele. Era um deus que o queimava. que sorte teve quando finalmente caiu no Mediterrâneo e esbarrou na Europa."
Fanny


"você deve viver no mundo de hoje como gostaria que todo mundo vivesse no mundo futuro. Essa pode ser a sua contribuição. De outra forma, o mundo que você quer jamais existirá. Por quê ? Porque você está esperando que os outros façam aquilo que você não está fazendo; eles, por sua vez, estão esperando por você, e assim por diante. "
Ola

" Claro que fui, de tempos em tempos, uma mulher branca, ou tão branca quanto metade delas é. Não vou aborrece-lo com histórias dos séculos que gastei sentada, me perguntando por que mulheres de cor deveriam lavar meu chão. Nossos homens as estavam trazendo o tempo todo. Você ia dormir uma noite sem irmão, sem marido, sem pai, e na manhã seguinte era mais do que provável que um deles estivesse de volta. Puxando uma fileira de pessoas com a aparência o mais deplorável possível."
Srta. Lissie


MUITAS FUGIAM AO ME VER


Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia
Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quiz fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto
Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.


- Carolina Maria de Jesus, em "Antologia pessoal". (Organização José Carlos Sebe Bom Meihy). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996


A leitora, c. 1770-1772

Jean-Honoré Fragonard (França, 1732-1806)

Jean-Honoré Fragonard nasceu em Grasse, em 1732.  Apresentou grande talento para o desenho e a pintura desde cedo, assim mesmo tendo muitas limitações econômicas, foi apresentado a François Boucher, o maior pintor da época, que o ajudou a desenvolver o estilo predileto da corte francesa.   Infelizmente com a Revolução Francesa de 1789, Fragonard perdeu toda sua clientela, toda a nobreza que o apoiava.  Juntou todos os seus quadros, saiu de Paris, e voltou para Grasse, sua terra natal, onde foi recebido com carinho.  Aos poucos desenvolveu uma clientela mais modesta, mas patriótica.  Passou para a história conhecido por suas cenas românticas, cenas frívolas e felizes, representantes do gosto da corte no século XVIII na França, também chamado de período Rococó.  Fragonard foi um excelente pintor, preso numa época de grandes reviravoltas políticas. Faleceu em Grasse em 1806.

Fonte 


A arte é como uma paixão, que longe de ter razão, me faz gostar de obras que a minha razão não veria motivos para se identificar. Eu não me julgo e amo mesmo assim.





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Atriz, ativista e Africano americano: Danai Gurira acredita no poder de usar sua voz para amplificar contadores de histórias africanas.
O conjunto de The Walking Dead é um lugar difícil para se destacar no Halloween: o quociente zombie é alta e os maquiadores são duas vezes ganhadores do Emmy, mas ninguém segura uma katana e dreadlocks melhor do que Danai Gurira em seu papel como a heroína de aço , Michonne.
Este ano, porém, a atriz tentou algo diferente. Em uma pausa nas filmagens do show em Atlanta, Gurira e seus colegas de elenco feminino posou em versões improvisadas de jilbabs como aqueles usados ​​pelas estudantes nigerianas sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram. Embora tenha sido o Dia das Bruxas, a única coisa assustadora sobre fotos de Gurira foi o triste aniversário, eles marcavam exatamente 200 dias desde que as meninas foram tiradas de seus dormitórios. Em 2 de novembro, ela twittou fotos com a legenda: "As meninas de TWD para as 219 meninas raptadas de Chibok. Nós não esquecemos. #BBOG. "
Nos meses desde o seqüestro, a hashtag #BringBackOurGirls fez as rondas-de Diddy e Usher para Anne Hathaway e Michelle Obama. No entanto, para Gurira, as fotos que ela postou não eram apenas a chance de jogar vestir-se ou aderir ao movimento de  celebridade. Eles foram atos de solidariedade.
"As pessoas precisam falar a partir do que eles aprenderam e não tentar falar para os outros", ela me diz sobre o chá em meados de novembro, após as filmagens da quinta temporada de The Walking Dead.Uma semana antes da sessão de fotos com suas colegas atrizes, Gurira aprendeu em primeira mão sobre a situação dos estudantes Chibok quando se encontrou com uma das meninas em uma conferência de mulheres privadas realizadas dentro dos escritórios do Google em Washington DC e organizados pelo grupo de lobby anti-pobreza internacional de Bono, ONE . Patrocinado por uma campanha sem fins lucrativos chamada de Educação Após Fundo Escape, as bravas nigerianas em uma peruca vestiu-adolescente, óculos escuros e usando o pseudônimo de "Saa" -SAT diante da multidão e contou sua história pessoal sobre as horas angustiantes após seu seqüestro. Saa falou sobre como ela e uma colega de classe saltaram fora da parte traseira de uma caminhonete, na calada da noite e depois de se esconderem por um dia no meio do mato, elas encontraram um pastor que, eventualmente, as resgatou e devolveu-a a seus pais. Saa agoratem uma nova vida na América como um estudante incógnita de internato.
Obter uma educação não deve ser tão arriscado, mas Gurira, nascido em Iowa, para zimbabweanos pais- eça diz que  entende por que as meninas africanas colocam suas vidas em risco para fazê-lo. Ela também valoriza a importância de proporcionar a jovens meninas modelos fortes, na tela e fora. Os fãs amam sua interpretação cheia de nuances de uma assassina de zumbi com espada  na TV, mas muitos deles não pode saber que, nos bastidores, ela é um tipo diferente de guerreira-ativista e dramaturga que está a dedicar a sua carreira para amplificar as histórias decontemporâneo mulheres africanas.
"Vários anos atrás, quando eu estava à procura de monólogos para um teste, eu não consegui encontrar nada", diz Gurira. "Eu tive que criar peças, porque as mulheres africanas mereciam uma voz e um lugar no palco."
Esta queda, durante a gravação de  The Walking Dead  no local, em Atlanta, o premiado drama de Gurira sobre um fanática católica Sul-Africana,  The Convert,  foi encenada no Teatro Hattiloo em Memphis. É uma das muitas produções aclamadas que ela dirigiu: sua peça AIDS 2006 Off-Broadway,  no continuum  (co-escrito com Nikkole Salter) recebeu um Obie; 2009 é  Eclipsado,  que se seguiu à saga de três escravas sexuais liberianos, jogado em múltiplos estágios, incluindo no Yale Repertory Theatre; e um novo trabalho,  familiar,  que explora as experiências de primeira geração afro-americanos, vai estrear na Universidade de Yale, em janeiro.
Gurira diz que ela se aproxima de seu trabalho com uma mentalidade dual-continente. Ela é uma norte-americana de nascimento, mas uma Africano pela experiência e herança. Sua missão como uma contadora de histórias é "libertar personagens de opressão", explorando como as mulheres lidam com as questões relacionadas à raça, religião e igualdade. E ela abomina pornô pobreza e vitimização. "Quando vemos  menina ou a mulher Africana representado como extremamente unidimensional,isso nos infantiliza porque não estão sendo recebidos em nossa amplitude." Embora ela ganhou dezenas de créditos na tela (incluindo em 2013, o Sundance,  Mãe de George de 2007 do  The Visitor  e da série da HBO  Treme ),  Gurira diz que escrever para o palco permite-lhe mais liberdade para explorar sua própria identidade e as disparidades entre a vida em os EUA e África.
Ela se mudou com seus pais para o Zimbabué, quando ela tinha cinco anos e passou uma década de sua infância sob os primeiros anos de governo de Robert Mugabe. Ela frequentou uma escola multicultural das artes de palco e nadou competitivamente. Em casa, estantes de sua família estavam cheios de escritores americanos James Baldwin, Toni Morrison e Alex Haley, e uma foto emoldurada sua mãe tinha tomado de Martin Luther King Jr. estava na sala de estar. Mas fora daquelas quatro paredes Gurira aprendeu sobre os desafios da vida no continente, inclusive testemunhando o que ela chama de "o ataque" de HIV / AIDS.
"No Zimbabwe, vi pessoas que sofrem, mas quando me mudei de volta para os Estados Unidos, eu só vi as estatísticas. Foi tão horrível para mim que as pessoas africanas estavam sendo reduzidas as estatísticas nas mentes daqueles que eram os mais poderosos para ajudá-los. "
Voltando para os EUA, ela participou de alma mater de Kofi Annan, Macalester College, em Minnesota e mais tarde ganhou o seu MFA em atuar na NYU.
Desde então,Gurira tornou-se ativa na justiça social e causas beneficentes. Ela co-fundou a organização sem fins lucrativos, Almasi Collaborative Arts, que conecta artistas no Zimbabwe e os EUA para treinamento de artes dramáticas e produções. Ela também está usando sua plataforma para espalhar a consciência sobre a fome e as doenças, e apareceu esta semana, juntamente com Ben Affleck, Morgan Freeman, e outros em um vídeo promocional para instar ação na luta contra o Ebola na África Ocidental.
"Eu, principalmente, cresci na África, pareço Africana, tinha um nome Africana, mas também tinha este pequeno sotaque americano fanhosa. Eu estava orgulhoso dele ", diz ela. "Mas ultimamente eu tenho pensado muito sobre o poder de ser uma americana, porque não existe tal poder da mesma forma que os americanos podem cuidar e usar suas vozes para outros, até mesmo outros que nunca conheci."
Nessa mesma conferência em Washington DC, onde ela conheceu Saa, Gurira realizado um trecho do ' Eclipsado' . Sua experiência em escrever a peça veio círculo completo na conferência como presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf falou através de vídeo aos participantes sobre como a força das mulheres está ajudando o país a lidar com os estragos do vírus Ebola. No momento em que fez Gurira pensar sobre o tempo que passou na Libéria em 2008 enquanto pesquisava os papéis das mulheres na sociedade, em residências e ambientes sociais e profissionais.
"É uma coisa complicada para alavancar o poder que você possui quando você tem uma voz que é amplificada", diz ela de  'Eclipsed'  , enquanto refletia sobre a conferência durante a nossa reunião Atlanta. "Então, como você se certificar de que a voz é equilibrada por uma infusão da humanidade daqueles que você está falando para? Eu não acredito que eu posso escrever uma peça sobre qualquer lugar ou quaisquer pessoas sem encontrá-los, então eu tive que ir para lá [para a Libéria]. "
Até o momento Gurira tomou seu lugar no pódio Google para ler a partir da peça, o público estava pronto para a emoção. Um poeta adolescente anteriormente sem-teto chamado Marquesha Babers um segmento palavra falada sobre empoderamento das raparigas e Clemantine Wamariya, uma jovem ruandesa que escapou do genocídio aos seis anos (para se reunir com seus pais mais tarde, em Chicago, em mergulhado Slam  Oprah ), deu um solilóquio sobre como sobreviver a brutalidade da guerra. Em seguida, as palavras de Gurira trouxeram à vida os personagens e rostos de três mulheres mantidas como "esposas" de um comandante rebelde na segunda guerra civil da Libéria. Sua performance de  Eclipsed  recebeu uma ovação de pé, e mais tarde, ela desceu do palco para um abraço grupal choroso com as senhoras das primeiras fileiras de assentos. Foi um ato difícil de seguir.
Agora ela está se aproximando do próximo capítulo de sua carreira como partes iguais atriz, escritora e ativista, e está motivado para mudar a percepção das mulheres africanas. Ela acredita que contar histórias é a chave para a conexão.
"É tão importante capacitar a contadora de histórias Africanas e permitir que ela seja ouvida em uma forma que não é voltado para ser sua vítima perfeita", diz ela. "Cada um de nós tem que perguntar: 'Como é que vamos aproveitar o que temos alcançado para o melhor sobre o que está acontecendo em nossas próprias casas de origem?'"

Desculpem a péssima tradução do Google, mas o mais importante é ler essa informação tão preciosa, Gurira faz um trabalho magnífico como ativista e escritora e eu sinto que isso é totalmente ignorado pelos sites e portais brasileiros sobre The Walking Dead.


Foi um longo sonho ou estado de entorpecimento. Meu departamento havia sido parcialmente esquecido pelo Estado. Digo parcialmente porque o sistema ainda se encarregava de fazer os nossos pagamentos e verificar a nossa frequência ao trabalho. Ele só não se encarregava de nos dar funções. De forma que passávamos o expediente sem ocupações e nos ocupávamos de manter a ordem no local. 
Nos tornamos gordos infelizes e gastávamos o tempo livre analisando a vida um do outro secretamente, ao menos na teoria, porque todos sabíamos o que o outro fazia contra cada um. Não que gordo seja infeliz, gordos devem ser as melhores e mais realizadas pessoas do mundo, mas nós comíamos por ansiedade e por não ter o que fazer e também para evitar falar uns com os outros. 
Cada falta deveria ser meticulosamente registrada, embora não houvesse nenhum membro superior na hierarquia interessado em verificar. Nos tornamos os algozes um do outro, nos odiávamos cada vez mais. A  impressão era que usávamos o tempo livre para treinar e aprimorar formas de agredir um ao outro, formas de mostrar superioridade, maneiras de responder a uma provocação e acima de tudo manter sempre um sorriso irônico no rosto.
Daqueles sonhos que você não consegue lembrar com clareza nem o final.


"[Charlotte Brontë] once told her sisters that they were wrong - even morally wrong - in making their heroines beautiful as a matter of course. They replied that it was impossible to make a heroine interesting on any other terms. Her answer was, ‘I will prove to you that you are wrong; I will show you a heroine as plain and as small as myself, who shall be as interesting as any of yours.’"

Obituary on “the death of Currer Bell” (Charlotte Brontë).


"Ulysses trouxe a notícia, muito antes de qualquer anúncio oficial lhe ser feito, de sua libertação próxima, trazendo-lhe também uma revista cheia de fotografias do mundo em que estava prestes a entrar, nas quais não se via uma única fisionomia parecida com a de Ulysses. Tio Isaac disse que examinou cuidadosamente cada fotografia, um gélido pavor se instalando no seu peito: que tipo de mundo era aquele, em que seu amigo de hoje não aparecia?"

Alice Walker, O templo dos dos meus familiares.



Sinopse: Drummond não escreveu muitos contos ao longo de sua carreira. Daí a importância de um livro como este Contos de aprendiz. Publicado originalmente em 1951 (mesmo ano de Claro enigma), o livro seria a primeira investida em larga escala do autor numa obra de ficção. Antes, publicara a pequena novela “O gerente” (que faz parte do volume) em uma modesta edição. Os temas dos quinze contos giram praticamente na mesma órbita de grande parte da poesia do autor: o memorialismo, o relato da vida acanhada no interior do Brasil do início do século XX, a observação do cotidiano mais miúdo, uma ironia gentil, a observação - despida de qualquer sentimentalismo - da inevitável passagem do tempo. Tudo arranjado com delicadeza e inteligência.

Eu tinha esse livro há muito tempo e vinha adiando a leitura. Carlos Drummond faz relatos de uma pacata vida na década de 50. Na verdade, os contos satisfazem uma curiosidade sobre a vida, os costumes, naquela época, mas não me empolgaram muito.
Eu pensava até em abandonar a leitura até chegar em "Flor, Telefone, Moça". Ele tem um tom, uma narrativa, um estilo, totalmente diferente dos outros contos presentes no livro. Se eu não soubesse o autor, poderia achar até que é de Lygia Fagundes Telles, pois o estilo de mistério e a medida de sombrio são muito parecidos, mas é Drummond.
Uma moça mora perto do cemitério e gosta de visitar o local, um dia ela pega uma flor e sai do cemitério com ela. Depois disso, passa a receber ligações de alguém que se diz ser o defunto dono da flor e reclama a flor de volta. Ela não dá atenção, pois tem certeza que é uma brincadeira de alguém que a viu pegando a flor.
Mas as ligações continuam, chegam ao ponto de incomodar e mobilizar toda a família. Ela não pode mais devolver a flor porque a perdeu e 'a voz no telefone' não aceita outra flor, só a que lhe foi tirada é que lhe interessa.
Revelação do final
O interessante é que o narrador não revela que é mesmo um defunto, mas a dúvida, a perseguição, os telefones insistentes fazem a moça definhar, não há meios de descobrir um culpado, a voz não aceita nada em troca de sua flor e só para de ligar depois da morte da moça. Genial!


Carta ao Zézim
Porto, 22 de dezembro de 1979
Zézim,
Cheguei hoje de tardezinha da praia, fiquei lá uns cinco dias, completamente só (ótimo!), e encontrei tua carta. Esses dias que tô aqui, dez, e já parece um mês, não paro de pensar em você. Tou preocupado, Zézim, e quero te falar disso. Fica quieto e ouve, ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portanto, todo atento aos pequenos mistérios. É carta longa, vai te preparando, porque eu já me preparei por aqui com uma xícara de chá Mu, almofada sob a bunda e um maço de Galaxy, a decisão pseudo-inteligente.
Seguinte, das poucas linhas da tua carta, 12 frases terminam com ponto de interrogação. São, portanto, perguntas. Respondo a algumas. A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.
Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.
Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentem ente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.
Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.
Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.
Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.
É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.
Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.
E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.
Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.
Pausa.
Quanto a mim, te falava desses dias na praia. Pois olha, acordava às seis, sete da manhã, ia pra praia, corria uns quatro quilômetros, fazia exercícios, lá pelas dez voltava, ia cozinhar meu arroz. Comia, descansava um pouco, depois sentava e escrevia. Ficava exausto. Fiquei exausto. Passei os dias falando sozinho, mergulhado num texto, consegui arrancá-lo. Era um farrapo que tinha me nascido em setembro, em Sampa. Aí nasceu, sem que eu planejasse. Estava pronto na minha cabeça. Chama-se Morangos mofados, vai levar uma epígrafe de Lennon & McCartney, tô aqui com a letra de Strawberry fields forever pra traduzir. Zézim, eu acho que tá tão bom. Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim. Tem um fim lindo, positivo, alegre. Eu fiquei besta. O fim se meteu no texto e não admitiu que eu interferisse. Tão estranho. Às vezes penso que, quando escrevo, sou apenas um canal transmissor, digamos assim, entre duas coisas totalmente alheias a mim, não sei se você entende. Um canal transmissor com um certo poder, ou capacidade, seletivo, sei lá. Hoje pela manhã não fui à praia e dei o conto por concluído, já acho que na quarta versão. Mas vou deixá-lo dormir pelo menos um mês, aí releio — porque sempre posso estar enganado, e os meus olhos de agora serem incapazes de verem certas coisas.
Aí tomei notas, muitas notas, pra outras coisas. A cabeça ferve. Que bom, Zézim, que bom, a coisa não morreu, e é só isso que eu quero, vou pedir demissão de todos os empregos pela vida afora quando sentir que isso, a literatura, que é só o que tenho, estiver sendo ameaçada como estava, na Nova.
E li. Descobri que ADORO DALTON TREVISAN. Menino, fiquei dando gritos enquanto lia A faca no coração, tem uns contos incríveis, e tão absolutamente lapidados, reduzidos ao essencial cintilante, sobretudo um, chamado "Mulher em chamas". Li quase todo o Ivan Ângelo, também gosto muito, principalmente de O verdadeiro filho da puta, mas aí o conto-título começou a me dar sono e parei. Mas ele tem um texto, ah se tem. E como. Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado "O recomeço do sonho". Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção - porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me diga
o que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.
Escrevendo, eu falo pra caralho, não é?
Aqui em casa tá bom. É sempre um grande astral, não adianta eu criticar. O astral ótimo deles independe da opinião que eu possa ter a respeito, não é fantástico? A casa tá meio em obras, Nair mandou construir uma espécie de jardim de inverno nos fundos, vai ligar com a sala. Hoje estava pUta porque o Felipe não vai mais fazer vestibular: foi reprovado novamente no 3º colegial. Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus(?). Márcia tá bonita, mais adultinha, assim com um ar meio da Mila. Zaél cozinhando, hoje faz arroz com passas para o jantar.
Povos outros, nem vi. Soube que A comunidade está em cartaz ainda e tenho granas pra receber. Amanhã acho que vou lá.
Tô tão só, Zézim. Tão eu-eu-comigo, porque o meu eu com a família é meio de raspão. Tá bom assim, não tenho mais medo nenhum de nenhuma emoção ou fantasia minha, sabe como? Os dias de solidão total na praia foram principalmente sadios.
Ocê viu a Nova? Tá lá o seu Chico, tartamudeante, e uma foto muito engraçada de toda a redação — eu com cara de "não me comprometam, não tenho nada a ver com isso". Dê uma olhada. Falar nisso, Juan passou por aqui, eu tava na praia, falou com Nair por telefone, estava descendo de um ônibus e subindo noUtro. Deixou dito que volta dia três de janeiro ou fevereiro, Nair não lembra, pra ficar uns dias. Ficará? E nada acontecerá. Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada”. É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso
Zézim, me dê notícias, muitas, e rápido. Eu não pensei que ia sentir tanta falta docê. Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia, fazer os documentos todos. Até pensei: mais adiante, quando já estivesse chegando a hora de eu voltar, você não queria vir? A gente faria o mesmo esquema de novo, voltaríamos juntos. A família te ama perdidamente, hoje pintaram até uns salseirinhos rápidos porque todo mundo queria ler a matéria do Chico ao mesmo tempo.
Let me take you down
cause I’m going to strawberry fields
nothing is real, and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever
Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.
Me conta da Adélia.
E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade".
Um beijo do
Caio
PS — Abraço pro Nello. Pra Ana Matos, e Nino também.


JungleCoders: Lendo livros em formato PDF: Um problema que sempre tive com livros em formato PDF é marcar o ponto onde parei de ler para depois continuar.



Semana passada eu encontrei o Adode Digital Editions,
gratuito e multiplataforma, desenvolvido pela mesma companhia que
inventou o formato PDF. Ele foi criado para permitir acesso aos livros
digitais da plataforma e-book da Adobe, mas também pode ser utilizado
para ler livros já baixados em formato PDF ou ePub. A grande vantagem é
poder utilizar o recurso de biblioteca, permitindo juntar os PDFs
espalhados pelo disco rígido em uma só interface, organizar estes PDFs
em pastas e marcar onde paramos de ler facilmente. No Digital Editions,
quando reabro um PDF ele está exatamente na mesma posição que deixei da
última vez. A interface é bem limpa e facilita a leitura, tendo apenas
os controles básicos de navegação e visualização do PDF e opcionalmente o
conteúdo a esquerda.
 


PENSAR É TRANSGREDIR - Lya Luft
Esse é o meu primeiro contato com Lya Luft. Pensar é transgredir é um livro com cinquenta crônicas onde Luft fala sobre os mais diversos assuntos, sempre com uma opinião contundente e inspirada.
Família, filhos, casamento, questões nacionais ou internacionais, eventuais questões emocionais, em cada crônica um assunto que nos leva a proposta mencionada no título, pensar é transgredir, sair da opinião normal, do senso comum.
Pensar é uma forma de questionar a realidade acomodante, uma maneira de ser original e não estar tentando seguir a onda, a multidão.
É isso que se constata lendo os textos de Luft em Pensar é transgredir, um alguém que está em paz com seus conflitos, com suas incertezas e não procura uma verdade absoluta pregada pela voz da maioria.
O elemento que me faz gostar de crônicas é o quanto eu posso me envolver com elas e me ver nas situações relatadas nela, não vou dizer que me identifiquei com a maioria em Pensar é transgredir, sobre filhos, casamento, mesmo as situações urbanas não dizem nada à garota provinciana que sou eu. Mas as poucas com as quais me identifiquei entram para o rol de especiais.

" Espero que você não ache que prazer é ruim. Opte pelo positivo. Queira ser um pouco feliz, entusiasme-se por alguma coisa possível de atingir dentro de suas condições, faça um esforço para se libertar do pessimismo."




Sinopse - Annie - Carissa Vieira

Annie é uma jovem atriz que a cada dia faz mais sucesso. Famosa, com bastante dinheiro, sua vida parece um conto de fadas. Apenas superficialmente. Solitária, cansada do trabalho, com um relacionamento complicado com sua família, Annie quer mudar de vida. Só que isso não vai ser fácil.
Skoob

      Há muito tempo penso em ler mais autores novos e não tão conhecidos. Hoje resolvi começar a colocar isso em prática, baixei o aplicativo Kindle e alguns livros curtos. Vou sempre intercalar entre livros atuais e clássicos. Hoje li o conto Annie de Clarissa Vieira. 
     O conto é sobre uma adolescente que é celebridade desde muito nova e acaba sentindo-se sufocada pelas pessoas e principalmente pelo interesse dos pais que são desumanos e a usam como meio de ganhar dinheiro.
     Logo de princípio, não achei a trama original, há uma garota que tem uma vida 'perfeita', mas está insatisfeita e quer uma vida livre e normal, mas certamente a trama torna-se surpreendente, eu jamais poderia imaginar um final tão drástico. 
     A capa também é digna de elogios porque é linda e ilustra bem a situação em que a protagonista se encontra fisica e psicologicamente.
   O conto tem uma escrita fácil e leve para ler, li em poucos minutos e recomendo.


Lendo essa crônica de Lya Luft, fiquei a pensar, e nós brasileiros, como nos vemos?
Luft fala do desconhecimento dos estrangeiros quanto à cultura e ao povo que existe no Brasil. Que os poemas deles sobre o Brasil falam de florestas e mulheres alvas e ao mesmo tempo, em suas viagens, ela sentia que os estranteiros não a reconheciam como brasileira, por ser loira, culta, escritora. Luft gostaria de se ver reconhecida com tanta brasilidade quanto uma negra descendente de africanos e vendedora de acarajé.
Eu me pergunto quantas vezes ainda agrupamos certas características e excuímos outras possibilidades de associação. Branca, bonita, rica, culta. Negra, exótica, vendedora de acarajé, boa de samba.
Não podemos esperar muito de fora, mas podemos ficar atentos a nossa própria visão deturpada da realidade e olhar menos para si e mais para os lados.


Cada um de nós reage de forma diferente às mudanças trazidas pela vida. A época em que nos consideramos jovens começa por passar tão rápido que quase não conseguimos registrar cada sensação. Como seria bom ter o dom de observação que tinha Clarice Lispector. Em Crônicas para jovens: de amor e amizade há momentos preciosos, frutos de lembranças, observações e vivências pessoais.
Em A descoberta do mundo, acompanhamos uma menina de treze anos se chocando com a sexualidade. Quantos pessoas registraram esse momento? Eu nem mesmo consigo lembrar, me considero quase tão precoce quanto ela, eu gostava dos meninos da escola, mas era tímida demais para admitir e tinha medo do inferno, acho que foi pela televisão que descobri os mistérios do amor.
Em "A favor do medo", a reação de uma mulher ao ser convidada para um 'passeito', o que passa por uma mente feminina ao receber um convite masculino me lembrou uma passagem do romance A carne de Júlio Ribeiro em que Lenita recua ao desejar se entregar a Manuel e o narrador naturalisticamente fala sobre o medo que a fêmea tem do macho, a primeira reação é o medo. Clarice chama de reminiscência da Idade da Pedra, talvez algum homem das cavernas a tenha arrastado para um 'passeito' sem volta.
Tenho enraizados alguns pensamentos nesse sentido, talvez para os homens um encontro com uma mulher possa ser esquecido horas depois, mas as mulheres só mais recentemente descobriram que também podem sair quase ilesas das consequências e mesmo um passeio pode não ser nada mais que isso, mas fico feliz em saber que alguém tão assumidamente era a favor do medo.
Fico feliz em ter em mãos esse pequeno diário da escritora. Na época em que li A paixão segundo G.H., eu não tive a maturidade ou o preparo para compreender o que falam sobre a obra, eu não sei se hoje eu tenho, mas foi uma opção feliz encontrar esse livro tão mais fácil, menos exigente.
Estou lendo em um período de grande perturbação interna e é como se cada linha me avisasse " Calma, isso é normal, as relações humanas são assim mesmo, o amor é assim mesmo, a amizade é assim mesmo, encontre um pouco de encanto na realidade.



Quotes de Crônicas para jovens: de amor e amizade


"tudo o que ela decidira, demoraria anos até poder alcançar. Ou até nunca alcançar."

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.



E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma. Falei nisso com um amigo que me respondeu: mas escrever é um pouco vender a alma.


Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.


Então por um momento os dois se apagaram na doce escuridão tão profunda que eles eram mais escuros que a escuridão, por uns instantes ambos eram mais escuros que as negras árvores, e depois tão escuro que, quando ela tentou erguer os olhos até ele, só pôde ver as ondas selvagens do universo acima dos ombros dele, e então ela disse: ’ Sim, acho que te amo.’


Crônicas para jovens: de amor e amizade/Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores,2010 - Primeira edição.



Eu estava passeando pelo blog Pétalas de Liberdade quando vi uma postagem adorável, uma tag literária dessas que eu tenho prazer em responder, mesmo sem ser convidada apenas pelo prazer de escrever sobre minhas preferências literárias.
Aí estão minhas respostas, não vou indicar ninguém até porque sou tão antissocial que removi o formulário de comentários por enquanto.

     1 - Qual o primeiro livro que você leu na vida? (Não vale livro didático, nem livro infantil ilustrado.)
     Eu acho muito difícil lembrar dessas coisas porque eu comecei a ler muito cedo, mas os que eu me lembro de ler são " Alice no país das maravilhas" de Lewis Carrol e "As frangas" de Caio Fernando Abreu. Curiosamente os dois livros eram da minha prima, eu só tinha os livros da escola, na casa de minha tia havia vários livros largados, aos quais ninguém dava atenção e eu adotei esses dois.

     2 - Quem ou o que te incentivou a ler?
     
Eu nunca fui realmente incentivada, talvez o ambiente escolar tenha me inspirado, juntamento com o fato de que eu era uma menina muito quieta de poucos amigos e em casa sempre havia briga pela televisão,rs. Então, eu me refugiava nos livros, depois que minha mãe percebeu isso, ela me deu alguns que eu devorei por um bom tempo, mas eram romances melosos e eu logo passei aos romances policiais das bibliotecas públicas da vida.

     3 - Existe algum livro que você deseja muito ler/ter, mas ainda não conseguiu?
     
A pergunta poderia ser o contrário. Existe algum livro que eu não quero ler? São tantos que comecei a fazer uma lista de desejos como página extra do blog. Alguns: " O amor nos tempos do Cólera", " O coração é um caçador solitário", "Guerra e Paz", todos de Jane Austen, todos de Lygia Fagundes Telles, todos de Alice Walker, todos de Caio Fernando Abreu, etc,etc,etc. Se eu puder ter outra vida, quero nascer rica para me dedicar apenas à leitura e escrita.

     4 - Qual livro você leu mais de uma vez ou pretende reler?
    
Eu pretendo reler muitos livros, certamente A cor púrpura será um deles. Eu reli Alice muitas vezes e  mais recentemente eu reli As meninas ainda mais vezes, inclusive ele foi objeto de estudo do meu TCC. Antigamente, quando eu era mais pobre, e tinha menos livros, eu relia mais,rs,rs. Mas isso era ótimo porque foram os livros que eu mais aproveitei, acho que é preciso reler mais e ler menos, acho que foi Nelson Rodrigues que disse isso.

     5 - Conte um fato curioso relacionado a algum ou a todos os seus livros.

  O que seria um fato curiosos? Eu amo livros de sebos, amo ver assinaturas, dedicatórias e marcações em livros, mas isso é mais sobre mim. Não tenho um fato curioso sobre meus livros.

     6 - Qual o livro mais caro que você já comprou? (não vale didático nem saga/trilogia)
    
Eu nunca liguei para edições de luxo ou algo assim, nem sou chegada em literatura muito comercial. Na verdade, eu não compro muitos livros e quando compro, muitas vezes é no sebo. Os que comprei para a faculdade com certeza foram os mais caros, mas não vale, então acho que, por incrível que pareça, o mais caro foi A culpa é das estrelas que foi uns R$ 22,00.

     7 - Qual seu escritor favorito, que você sempre indica?

Eu sempre falei de Lygia, mas vamos variar um pouco, vamos de amor novo, Alice Walker, ainda é nova para mim, eu demorei muito para começar a ler, mas hoje eu indico A cor púrpura para muita gente.

     8 - Qual dos livros que você já leu que mais se identificou com a história?

Histórias não me ajudam na identificação, acho que me apego mais pelos personagens ,gosto de Lorena, de As meninas porque ela é frágil e sentimental como eu, gosto de Virgínia de Ciranda de pedra porque ela é solitária como eu, mas se é pra escolher uma história, eu escolheria O feijão e o sonho de Origénes Lessa. O protagonista vive o dilema de não conseguir ter uma vida prática e profissional bem sucedida porque é um sonhador e gosta de escrever.

     9 - Se pudesse ser um personagem de livro, quem você escolheria?
     
Acho que eu seria Otávia de Ciranda de Pedra, ela é linda, rica e uma pessoa bem-resolvida que consegue fazer o que gosta e tem vontade.

     10 - Qual o melhor livro que você já leu?

Essa pergunta é tão injusta porque vários livros são os melhores em dado momento, eu poderia pular, mas eu vou dizer Dom Casmurro, é um livro tão singelo e sem intenções e, no entanto, é brilhantemente intrigante, doce e amargo na medida certa para atrair leitores por muitos e muitos anos.


Tenho certeza que minha admiração por uma pessoa tem relação com a capacidade que ela tiver de me provar que estou errada. Gosto de que me provem que estou errada, mas sutilmente, de preferência adivinhando os meus pensamentos e concordando comigo. Sim, concordando porque aí poderei dizer que  errada está a outra pessoa.
Quero dizer é que é evolução do homem não me fez nada bem. Digo isso porque, em algum momento, a evolução favoreceu os cautelosos, os medrosos mesmo. Aquele que foge do perigo sobrevive.
Séculos de evolução podem ter originado pessoas tão cautelosas a ponto de terem medo até de admitir isso.
Estava eu no ônibus cautelosamente ouvindo músicas para evitar conversas de desconhecidos quando senta ao meu lado uma senhora que desconhecia esse truque e sem mais começou a me falar em sua tristeza ao perder o nosso ilustre político em um acidente aéreo no momento em que ele mais se destacava.
Depois de concordarmos no quanto o ocorrido foi lamentável, ela me falou sua opinião sobre as ambições humanas, que ele já tinha um grande cargo como governador e estaria vivo se não tivesse saído de Pernambuco e que as pessoas deveriam se conformar com menos.
Conscientemente, eu discordo disso, assim para evitar acidentes não teríamos evitado nenhum meio de transporte, melhor, nem sairíamos das cavernas e morreríamos de velhice ou doenças.
Nem preciso falar o quanto isso seria estúpido, nossos avanços, entre outras coisas, aumentaram a expectativa de vida.
Entretanto, o meu maldito inconsciente, dominado por algum resquício da Idade da Pedra me faz agir exatamente segundo a filosofia da minha companheira de viagem. Algo lá dentro grita eternamente que devo fugir, que algum perigo espreita, que pessoas e ocasiões parecem ameaçar constantemente.
Talvez isso também tenha uma parcela de verdade. Então vem outro resquício, dessa vez espiritual? esotérico? falando que o certo é se jogar porque as evidências mostram que o que tiver que ser será.
Maktub. Estava escrito.
Ou faça o que tiver vontade porque a vida já é mesmo um desastre. Pequenos ou grandes desastres acontecem todos os dias, estando nós parados ou em movimento, tentando realizar sonhos ou vivendo uma vida mediana. O maior desastre é não tentar aproveitar o intervalo entre um e outro.


Sempre me pergunto se já nascemos melancólicos ou é uma característica que surge depois de algum trauma. Eu já disse mil vezes que eu amo e entendo as almas melancólicas, problemáticas. 
Alguns personagens de Lygia são assim,os que eu mais gosto. Ciranda de pedra é um livro assim, a solidão de Virgínia é assim. Nada mais triste que estar sozinha em qualquer ambiente. Para algumas pessoas, o mundo é uma ciranda de pedra, não adianta tentar entrar, tentar fazer parte. Virgínia só é feliz na sua imaginação, quando está em casa com a mãe perturbada imagina como seria bom estar na casa do pai com as irmãs Bruna é Otávia, com o vizinho Conrado e os outros, quando está na casa de Natércio sente-se isolada, principalmente depois que a mãe está morta e ela descobre que o padrasto é seu verdadeiro pai.
Na infância de Virgínia, há a presença de Luciana, essa não é a história de Luciana, mas eu quero falar dela também. Eu simpatizo muito com ela. Luciana é a empregada de Daniel, verdadeiro pai de Virgínia, e apaixonada por ele. Ela é mestiça, mulata, e acredita que esse é o motivo de não ser amada. Ela confessa que tentou disfarçar seus traços negros para que um dia Daniel pudesse amá-la e andar com ela sem envergonhar-se. Mas Daniel ama  Laura, mãe de Virgínia,  talvez não por ela ser branca, mas por eles terem uma história tão forte que o faz preferir o suicídio a viver sem ela. Luciana amou e serviu Daniel, e até Virgínia e Laura, mesmo querendo odiá-las por terem o amor que  ela queria.
Eu gostaria de saber como terminou Luciana, mas não é a história dela. E eu fico agradecida a Lygia por esse jeito de contar uma história mesmo sem parecer que está contando. Temos um registro do contraste entre a vida de duas mulheres que são tratadas de formas tão diferentes pela sociedade, por suas origens e cor.Pelo pensamento de Virgínia temos o registro do que as pessoas pensavam sobre ser negro e o livro foi publicado em 1954.

E pensou nas flores dos jardins do céu, elas deviam ser assim também, tão delicadas... Todas as manhãs eram regadas pelos anjos louros que passeavam de mãos dadas, em bandos. Todos louros? É, todos louros, até Isabel que morrera preta mas que no céu virou branca, muito mais bonito anjos só brancos, podiam soltar os cabelos até os ombros, como Otávia. Ser preto era triste e no céu só tinha que ter alegria. (Virgínia)


Voltando à Virgínia, quando ela finalmente vai morar com Natercio é que descobre que Daniel é seu pai biológico, que ele a amava tanto que preferiu renunciar para que ela vivesse com conforto e na companhia das irmãs, no entanto tudo que ela encontra é indiferença e frieza. Tudo continua impenetrável. Ela pede para ficar em um colégio interno e não sai de lá nem nas férias. Eu sempre achei que a tristeza dos ricos é muito insignificante, você sempre é menos triste amparada por dinheiro, bons lugares para morar e estudar, oportunidade de viajar quando bem entende. 
Na maioria desses livros que leio há histórias de pessoas que podem curtir suas depressões, seus problemas internos, traumas, não precisam trabalhar, podem viver de herança ou fazer arte sem pretender vender. Mas Lygia é tão boa em expressar os sentimentos que entramos na mente de Virgínia e entendemos o seu desespero por aceitação. Nem na escola ela é completamente aceita por ser filha de pais separados. Os personagens de Lygia são tão reais, com seus problemas, defeitos e qualidades que é impossível não se identificar ou não se sentir na presença viva desse ser de papel.
Ela passa anos para entender aquelas pessoas, Natércio, Bruna e Otávia, os vizinhos Afonso, Letícia e Conrado, a quem ela sempre amou e sempre pensou que amava Otávia, cada um tem seus próprios dramas, nem mesmo o laço entre eles é algo bom para que ela pudesse desejar tanto fazer parte.
O problema com Virgínia, e com os sonhadores em geral, é que a realidade nunca é tão boa quanto o que imaginaram, não havia união, felicidade, harmonia, todo o tempo em que ela passou sonhando em fazer parte dessa ciranda foi perdido.

Frases:


Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar

em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher as rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. A música — acrescentou, detendo-se ao ouvir os sons distantes de um piano num exercício ingênuo. — Este céu que nem promete chuva — prosseguiu. — Aquela estrelinha que está nascendo ali... Está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos. Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara
nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No inútil também está Deus. (Conrado)


 “Quero entrar na roda também!”, exclamou ela apertando as mãos entrelaçadas dos anões mais próximos. Desapontou-se com a resistência dos dedos de pedra. “Não posso entrar? Não posso?” (Virgínia)


“não fique assim com essa mentalidade de donzela folhetinesca, não separe com tanta precisão os heróis dos vilões, cada qual de um lado, tudo muito bonitinho como nas experiências de química. Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora.

Mas passa.” (Otávia)

 “Não me peçam nunca fidelidade. Por que fidelidade se todos mudam tanto e tão rapidamente? Mas se nem a mim mesma consigo ser fiel. Seria bem divertido fazer uma pilha dessas Otávias todas tão contraditórias e tão desiguais, que não me reconheço em nenhuma delas” (Otávia)

“Seu cego! Eu te amo, há dois mil anos que te amo, será que ainda não descobriu isso? Eu te amo, vamos, diga o que quiser, mas pelo amor de Deus, diga alguma coisa!”. (Virgínia)

Um dia qualquer, no meio de um pensamento, de uma palavra, você descobrirá de repente esta coisa extraordinária: cresci! O que não vai impedir que o acaso ou Deus, dê a isto o nome que quiser, de vez em quando a governe como uma casca de noz no meio do mar. Mas reagirá de modo diferente, está compreendendo? (Letícia)


 Então você ainda gosta dele? Terá que esquecer, Virgínia. Amar a pessoa errada não é das melhores coisas que nos podem acontecer e acontece com tanta frequência. Dante se esqueceu desse círculo no seu inferno, o dos rejeitados. (Letícia)

Hei de me guiar por alguma daquelas estrelas que me dirá onde devo descer. — E noutro tom: — Ah, Conrado, ao menos isto eu quero, já que é preciso aceitar a vida, que seja então corajosamente. (Virgínia)

Eu gosto de história, gosto de quase tudo que leio, mas de poucos livros posso dizer que foi uma verdadeira companhia, os sonhos bobos, os devaneios, os raros momentos de coragem decisiva, tudo em Ciranda de Pedra vai me deixar saudades.

— Estamos sempre dizendo adeus, não, Virgínia?



Eu quis fugir de mais um domingo preguiçoso, aliás os dias não são preguiçosos, nós é que somos. Levantei cedinho sem nenhuma lamentação por 5 minutos a mais. A previsão de chuva derreteu-se sob o sol escaldante a brisa fresca. 
Uma temeridade das pequenas cidades é que você sempre vai encontrar os inimigos, mas não nesse dia. A indiferença das ruas vazias nas manhãs de domingo é deliciosamente receptiva, você pode sair de pijama, ler na calçada, dançar no meio-fio, as ruas observam silenciosamente, sem nenhum julgamento.
 Parreiras e bananeiras também não te julgam, fornecem a sombra necessária para o descanso no passeio. As árvores te servem verdemente felizes com as presenças humanas, enquanto pequenas ervas daninhas tentam impedir a invasão. A natureza mostra sua superioridade.
 Ficamos felizes, ficamos simples, só precisamos do brilho do sol, do afresco e do canto dos pássaros para viver. Podia ser sempre assim. 

Mas, no dia a seguir, a mente implora para voar para outro lugar, outras paisagens capazes de preencher o seu vazio pelo tempo que o encanto durar.



Há algum tempo eu venho rejeitando os livros que estão ao meu alcance. Histórias de amor, ou focadas em problemas existenciais de mulheres brancas da classe média ou alta. Eu procurava ler sobre os excluídos, os sofridos. Já falei também quando percebi que nós, mulheres negras, estamos excluídas da literatura e diria que os negros em geral estão. Parece uma coisa tão óbvia, mas tenho certeza que todos demoram para enxergar.

O que eu procurava estava bem na minha frente, em um livro muito mais duro do que o que eu estava preparada para ler. Eu ainda quero ler livro com personagens negros que não tenham sua vida marcada pela cor, que sejam 'pessoas normais', mas talvez essa ainda não seja uma realidade geral.

A cor púrpura de Alice Walker, 1982, é um romance em forma de cartas. Primeiro Celie escreve para Deus contando detalhes de sua triste vida que se torna mais lamentável pelo seu caráter. Ela aparenta não ter forças, talvez nem vontade suficiente para lutar contra os abusos do padrasto. Vê a mãe sendo abusada sucessivamente e condenada a ter vários filhos. Logo o pai a escolhe para ocupar o lugar da mãe e ser abusada e ter filhos que serão afastados dela. Celie nunca resiste, a única coisa que ainda a faz reagir é a necessidade de proteger a irmã, Nettie.

Demorei para perceber a força dessas mulheres, elas lutam para sobreviver, sem imaginar o que será delas no dia seguinte. Esforçam-se para estudar, até o acesso à educação lhes é negado. Suas vidas são traçadas pela vontade dos homens, primeiro o pai, depois o marido. Celie só consegue um casamento porque o marido, que ela chama de Sr.,  precisa dela para cuidar da casa e dos seus filhos, além de servir como saco de pancadas.

A vida de Celie é transformada ao conhecer mulheres diferentes, Sofia, a mulher de seu enteado, e Shug, amante de seu marido. Elas não aceitam as imposições masculinas a ponto de surpreenderem Celie, para esta o normal é que a mulher aceite a vontade dos homens e nunca questione ou revide uma agressão.

Em Shug, Celie encontra o sentido de um afeto, um amor, coisas que nunca julgou ser capaz de sentir. Nem ao menos ela tem ciúmes do marido pois este nunca a levou a sentir nada além de dor, assim como os outros homens de sua vida.
Quando as mulheres se unem, elas são as protagonistas de suas próprias histórias, elas são capazes de mudar os seus destinos. Essa é uma coisa que eu amei nesse livro, as mulheres não são rivais ou inimigas, elas podem passar por desentendimentos, mas há uma conexão. Você consegue sentir o quanto elas entendem umas as outras e querem o bem das outras. Irmãs, amantes, ex e atual de alguém, não importa, elas são muito mais que esses rótulos.
Pelo que me falaram sobre esse livro e pelo seu próprio enredo, eu pensei que seria só tristeza, mas foi muito diferente. Pelas cartas de Nettie, vivendo na África, temos uma noção das reflexões dos negros africanos, negros americanos, do que os negros pensam sobre os brancos.

Uma sensação muito forte de que nós somos moldados, vítimas de forças superiores, não destino, mas resultado da ação de outras pessoas, de outras épocas. O nosso caráter, as nossas ações... às vezes sabemos tão pouco sobre nossas raízes, sobre nós mesmos. E no entanto somos mais fortes, mais fortes que o destino, mais fortes que o passado, mais fortes que o rancor... e há sim uma forma de tudo acabar bem.


 ( Voltando a postar crônicas, eu pretendo escrever algumas inspiradas em nosso dia a dia, vida moderna, etc. Fiquei pensando aqui, por que todo mundo só escreve sobre dor-de-cotovelo? Sim, vou ser a variante. )


Sentindo-se pressionada pelo pouco tempo para finalizar um artigo e planejar uma apresentação brilhante, ela resolve ou não resolve, mas não resiste a entregar-se ao exercício de repensar a vida. Não normalmente como fazem as outras pessoas, mas embalada pelo momento, faz isso desesperadamente, perdidamente, como alguém que está prestes a morrer e precisa de uma ideia urgente para se salvar.
- É só uma apresentação, mais um leão entre tantos que eu sempre tenho que matar e no fim saio viva e vitoriosa.
Ela tenta se convencer, sabendo que a angústia do medo agora é maior que o alívio da vitória. E não consegue não querer encerrar tudo.
Mas a avaliação é só mais um estopim. Algo para mostrar que está no caminho errado.
- Queria apagar tudo e começar de novo. O artigo e a vida. Queria abolir os estudos científicos, escrever sobre mim. Ter um amor para quebrar meu coração e escrever sobre o meu coração partido como fazem todas as mulheres. Um coração partido é desejável diante de uma vida partida, é até mais fácil de consertar.
Quando se sente nada e tudo ao mesmo tempo. Falência múltipla de sentidos.
Passa as páginas em frente ao computador. Tudo é mais interessante que o que deveria fazer.
Uma imagem de alguém em algum lugar isolado do passado. – É onde eu deveria estar. Em todas as crises eu tento me reinventar. Procurar dentro de mim tudo o que eu perdi lá fora. Talvez eu não esteja mesmo mais em mim. Porque o mundo me fez me arrancar os pedaços para ser alguém mais aceitável. Os modos de um, o jeito de vestir de outro, o cabelo daquela, o charme de alguém, a desenvoltura daquele. E não sou eu no espelho. O que eu consegui? Não ser eu. Não ser ninguém que eu pretendi imitar. Ser aceita lá fora e não me reconhecer quando estou sozinha. Às vezes acho que sou uma alma sem corpo ou um corpo sem alma. Procuro juntar os pedaços e voltar a mim, mas até para esse ato preciso de referências. Como é uma pessoa inteira?