Em O diário de Bridget Jones, a narradora-protagonista encarna as possibilidades de problemas enfrentados pela mulher “moderna”. O enredo baseia-se nas suas tentativas de vencer o relógio biológico e conseguir subir na carreira e ter um relacionamento estável. E não é só isso, Bridget acredita que precisa emagrecer porque os homens só gostam das mulheres magras, precisa parecer mais nova porque os homens só consideram interessantes as mulheres até os vinte e poucos, precisa ter alguma decência vinda das ideias feministas para tentar ignorar essas imposições, parar de beber, fumar, organizar a casa.
Ninguém disse que a vida das mulheres tem sido fácil nas últimas décadas, as conquistas foram muitas, em consequência vieram, porém, imensos desafios. Em qualquer época, a sociedade e opinião geral encontram uma forma de dizer à mulher qual é o seu papel, pela leitura desse romance-diário, entende-se que não é porque a mulher encontra-se batalhando no mercado de trabalho que ela pode se dar ao luxo de não conseguir – ou não querer – assumir as responsabilidades de uma família, como boa esposa e boa mãe e ela precisa fazer isso em tempo recorde, antes dos trinta anos, quando todos os seus amigos casados e parentes já tomam para si a tarefa de lembrar-lhe que o tempo está passando e ela deve ao mundo um casamento e filhos.
Bridget alimenta o desejo de encontrar o par ideal e ter uma família, mas fica claro que sua maior preocupação é com as cobranças vindas de terceiros. Muitas vezes cobranças que já estão enraizadas na mente das pessoas e sem que elas percebam. É o que acontece com a personagem em datas comemorativas, ela passa todos os dias sem um namorado, mas passa a sofrer mais com isso com a aproximação do dia dos namorados pelo fato de que todos vão perceber que ela não ganhou um cartão. O mesmo procede nas reuniões com amigos e familiares e o temido Natal, quando todos resolvem questionar sua vida sexual e amorosa, como se, por não ser casada, ela ainda merecesse ser tratada como adolescente.
Da mesma forma que Bridget, outras mulheres não são completamente felizes, mas por outros motivos, há a que é casada e com filhos, mas lamenta o fato de não ter investido em si própria quando é traída pelo marido e não vê outras perspectivas de vida.Em ambas as circunstâncias há o ‘problema’ das muitas possibilidades que estão abertas às mulheres e nem todas sabe lidar com tantas funções ou escolher uma delas e aceitar e ser feliz com sua escolha.
Em tom de humor e ironia, o diário de Bridget também revela seus problemas com o consumismo do Natal e os hábitos que as pessoas adquiriram, mas que só servem para complicar a vida, como trocar presentes, gastar dinheiro com algo que o presenteado provavelmente não vai gostar e receber em troca um presente que também não queria e todos fingindo que adoram a situação.
De tudo isso, imaginamos que andamos complicando demais a vida, seja com cobranças pessoais ou aos outros e também vivendo situações desnecessárias apenas por convenções sociais, justo uma sociedade que se prega tão defensora da liberdade.


FIELDING, Helen. O diário de Bridget Jones.


3 Comentários

  1. É a primeira vez que um texto me faz sentir empatia pela Bridget Jones e vontade de ler a história.
    Aqui tem muitas verdades sobre a mulher moderna que nunca pensei serem refletidas indiretamente nesse livro, vou procurar reconsiderar e pelo menos assistir os filmes.

    Beijos
    Fernanda - Leitora Incomum

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  2. Realmente parece ser um bom livro.
    Com certeza vai para a minha lista
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  3. eu só vi o primeiro filme, mas tenho muita curiosidade de ler a série toda. Adorei a crítica sobre o livro e a relação com nossa vida moderna, rs
    beijos
    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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