Não é arrependimento, não é a droga do arrependimento, é só a análise, a constatação de uma vida de deixa pra lá, não vale a pena. É a constatação de que a lista de desistências só aumenta, são as pessoas que não são como eu sonhei, são os empregos que decepcionam e entediam. E mais uma vez, eu não olhei pra trás, eu não me despedi, eu não me dei esse trabalho. Devia ser proibido te fazerem desistir de um sonho, mas quem paga pela fraqueza e quem perde é quem desiste. O mundo, os outros continuam lindos e felizes, ninguém vai parar pra pensar no porquê eu nem sequer me despedi, ninguém vai sofrer por ter me magoado, ninguém vai lamentar a minha partida por muito tempo, mas não importa, eu não me arrependo, eu só lamento porque sempre tem que acabar assim. Eu só precisava da novidade, a doentia necessidade de novidade, de que tem algo melhor em um lugar perdido no universo, novos ares, a sensação de estar sozinha e não ter nada e precisar começar do zero. Porque quando eu digo que quero paz, o meu íntimo pede guerra, pede luta, suor e tormento pra depois, aí sim, cansado, pedir paz. Por fora estou calma, por dentro turbulência.



3 Comentários

  1. Difícil, mas as vezes não conseguimos seguir adiante com nossos sonhos
    Talvez seja a hora de fazer novos sonhos e mirar em outros alvos

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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  2. nossa, que texto incrível, Daniele!
    Denso, cru, quase consigo ouvir a voz da pessoa com raiva e frustrada consigo mesmo, falando pra si mesma, olhando no espelho e se odiando. Mas acho que, no fim das contas, é o que todo mundo pensa. Uma vida inteira de "deixa pra lá". Sensacional!

    abração!


    Pedro Almada

    http://inspirados-oandarilhodotempo.blogspot.com.br/

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