Título: O feijão e o sonho
Autor: Orígenes Lessa

Editora: Ática 
Páginas:128


Sinopse:

Romance que narra a história do poeta Campos Lara, professor de uma pequena cidade do interior paulista, dividido entre o universo sensível da poesia e as amargas necessidades do cotidiano. 



Será que você consegue passar uma tarde totalmente inútil, apenas admirando a brisa, ou ficar até de madrugada comentando um livro com amigos? Será que você já sofreu a angústia de escolher entre um sonho e a obrigação? Esse livro é para essas pessoas extremamente sonhadoras e inadaptáveis a esse mundo prático.
O feijão e o sonho é a história do poeta Campos Lara, mas vai bem além disso, chega e ser a história de muitos outros escritores. O título explica-se, um homem sem grandes condições financeiras sonha em viver de sua vocação que é escrever, mas os versos não dão dinheiro para sustentar a família e ele não tem senso prático para ter sucesso em outros trabalhos. Campos Lara sofre com a insistência da esposa Maria Rosa para que para de sonhar, ela é implacável e não se conforma em viver na miséria com os três filhos. Maria Rosa está certa, mas  aos poucos ela consegue entender a alma do marido, como ele também com o tempo percebe o quão egoísta é com a família, pois essas pessoas sonhadoras são tão alheadas do mundo que não percebem coisas óbvias aos outros.
Nesse conflito de não conseguir um emprego normal, nem lucrar com os livros, Campos Lara vai parar numa cidade pequena, que é o terror de qualquer um que goste de cultura e arte, já que até hoje o interior é um lugar onde as pessoas só tem como meio de quebrar o tédio o hábito de falar da vida alheia. Um artista precisa estar onde as coisas acontecem.
Numa discussão com Campos Lara, Maria Rosa o acusa de querer chamar atenção com seus escritos, que essa é sua grande vaidade, ele dá uma resposta que eu sempre imaginei.
“ – Mas isso não é vaidade, é a alegria de encontrar alguém que nos compreenda.”
Sou uma mera amadora no ramo, mas penso exatamente assim, no fundo, os escritores não querem dinheiro, prestígio ou fama, mas apenas alguém que o leia, entenda e, quem sabe, o aceite. Lembram que o Flaubert disse que Madame Bovary era ele? Penso que é isso, o personagem não é o escritor, mas é tão ele quanto um filho, saiu dele e faz parte dele, é através dele que o escritor vive outras vidas além da sua limitada existência.
Campos Lara também fala que pode sonhar com a posteridade, mas jamais ser analisado nas escolas, isso me fez pensar tanto no ensino da Literatura, deve ser torturante mesmo imaginar pessoas lendo seus livros por obrigação.
Alguém que leia O feijão e o sonho e não tenha um pezinho no lunático mundo dos sonhos pode chegar até a ter raiva do poeta, de seu egoísmo, de sua impotência diante do sofrimento da esposa e dos filhos, mas as outras pessoas, essas que se identificarem e aceitarem o poeta, terão a salvadora sensação de ver que não estão sozinhas no mundo.

 


Um Comentário

  1. me ajudou bastente no meu trabalho !Obrigada! se puder visitar meu blog> rosaemglitter.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Obrigada por visitar meu espaço. Fico muito feliz com comentários, mas apenas sobre a postagem. Opiniões, elogios e críticas construtivas são bem-vindos.
Para outros assuntos, use o formulário de contato.