Resenha do livro Incidente em Antares - Érico Veríssimo

Autor: Érico Veríssimo
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1971
Páginas: 496 


Incidente em Antares foi publicado em 1971 e faz parte da chamada terceira fase de Érico Veríssimo, uma fase mais critica e de engajamento social.
O que pode acontecer em uma cidade tomada pelo caos, uma greve geral e mortos que retornam para exigir sepultamentos dignos? O enredo é fantástico e a forma de contar, melhor ainda, é Veríssimo! 
Os mortos, já diria Brás Cubas, não devem nada a ninguém, podem falar o que quiserem, pois estão livres do julgamento humano e impossibilitados de fingir para Deus, só eles podem ter a ousadia de dizer todas as verdades e desmascarar os habitantes de Antares.

Como na vida real, nada de personagens decididamente bons ou maus, seguindo a linha da realidade, em Incidente em Antares quase todo mundo tem muitos defeitos. A primeira parte do romance é interminável e não tem cara de romance, li por aí que tem mais formato de novela, mas em minha opinião parece mais crônica daquelas chatas de antigamente, com muitos detalhes sobre a política do país. O bom é que antes mesmo do fim da primeira parte a narrativa começa a ficar interessante e não para mais. A técnica narrativa é brilhante, ao longo de todo o romance a voz do narrador se alterna, há um narrador principal, , mas em vários momentos há a transcrição de algum texto de um dos personagens, o que aproxima o leitor do pensamento daquelas pessoas. E, é claro, esse não é o único ponto marcante do Modernismo na obra, as próprias descrições sobre os fatos políticos estão cheios de denúncia da realidade da época, as injustiças, as diferenças sociais, irônia, tudo relatado numa obra onde ficção, fantástico e real caminham lindamente juntos. 




Trechos do livro Incidente em Antares

Quotes:

"– É pecado a gente se suicidar. Vai pro inferno.

– Mas o inferno não será aqui mesmo?"



"– É verdade que ela foi presa e interrogada

brutalmente pela polícia?

Baixei a cabeça, olhei para a minha própria

sombra, com uma súbita vergonha de pertencer à

espécie humana. "


"Um morto devia conhecer o seu lugar. Mas é que a morte não matou o meu amor por vocês. Nem por todos os seres vivos do mundo. Nem pelo mundo... e pela vida. "


"Às vezes neste mundo é preciso mais coragem para continuar vivendo do que para morrer. "


"Afinal de contas, para quem escrevo? Creio que é para os

outros eus que virei a ser com o passar do tempo "


"Quando muito moço, eu me sentia como uma personagem que

tinha entrado por engano numa peça a cujo elenco

não pertencia. Eu me movia num palco estranho sem

ter idéia do meu papel, e tudo a meu redor parecia

impreciso, absurdo e relativo."







2 Comentários

  1. Oi!
    Eu amei esse livro. Me fez rir e refletir sobre vários assuntos.

    Bjs
    Jéssica
    Lilian & Jéssica

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  2. Fazia dias que eu tentava lembrar o nome desse livro para atualizar minha estante no Skoob, e agora você me ajudou :) . Li já tem alguns anos e gostei bastante da história.
    petalasdeliberdade.blogspot.com

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