Minha amiga tem vinte anos e um hímem intacto. Todas as outras amigas acham que ela tem que transar logo, já arrumaram os caras, planejaram os esquemas e se irritaram muito porque ela não topou quanso só estavam tentando livra-la de uma grande vergonha. Acham que ela tem complexo de rejeição ou inferioridade. Porque é errado uma mulher bonita não transar logo. Acham que ela é infeliz e insegura e fazer sexo vai resolver. Algumas delas não são felizes com relacionamentos casuais ou no casamento porque casaram só para não perder a oportunidade, uma melhor poderia não surgir.
Não acontece uma conversa em que elas não coloquem a virgindade da outra em questão e apontem soluções, dêem dicas de como resolver logo o problema, de como se arrumar, aonde ir, como agir, o que dizer. Mesmo que ninguém tenha solicitado ou perguntado.
Os pais de minha amiga têm orgulho de sua pureza, acham que ela vai ser uma boa esposa e mãe. Ela não é igual a essas outras por aí que saem com o primeiro que aparece, ela sabe se dar ao respeito e vai encontrar alguém que reconheça isso. Mas não pode demorar muito porque a mulher tem prazo de validade.
Ninguém pergunta pra ela sua opinião sobre o uso ou desuso de sua zona sul, se é orgulho ou vergonha ou nada demais.




A chuva fininha que batia em seu corpo franzino era o primeiro banho do dia. Em seus nove anos de vida, Sabrina já aprendera bem a se virar, se acordava com a barriga e doer de fome, era ir à rua onde há comida por toda a parte, sempre uma dona generosa disposta e lhe servir algum resto do jantar da noite anterior. Matar a fome, levar algo para casa, pois a mãe e os irmãos poderiam não ter tido a mesma sorte e assim ia vivendo sem grandes preocupações, aspirações ou questionamentos.
Não ia a casas ricas, eles nem abrem a porta. Passando por um desses bairros, havia poucas casas, lojas, depósitos e uma escola. Para em frente à escola um jovem casal, a menina é uma rainha de vestido rodado e esplendorosamente colorido, algumas partes do vestido rosa, outras amarelas, verde-claro, um interminável colorido. Ela entra com seu par e Sabrina tenta acompanhar. Entre ela e a rainha um portão e um enorme porteiro negro que a impede de entrar. Ela ainda olha o penteado da outra, dividido em duas tranças, laços e mais cores. E também o perfume, outras crianças passam por ela, coloridas e perfumadas. Ela fica parada em frente a escola e não lembra mais da fome. Pensa que aquelas crianças não são como ela, são limpas, claras, bonitas e usam roupas cheirosas. O porteiro é da sua cor e não tem dentes, mas olha de cara fechada quando ela se aproxima do portão.
Começa uma música. E o porteiro negro enorme não sai da frente do portão, ele tem uns cabelos brancos, tem uma cara de bom... Não pode entrar aí?
Não.
Mas não é uma festa?
Só para os alunos da escola.
Parece longe, nem dá para ver mais o vestido colorido e os meninos de chapéu e camisa xadrez, poderia ter ao menos uma brechinha que permitisse ver a festa. Sabrina nunca teve atração por escola, mas a escola que frequentou um dia era diferente daquela, tudo onde mora é diferente, as pessoas pareciam menos gente que as outras, não pareciam nunca ser tão limpas, nem tinham os cabelos tão bonitos, pareciam feitos de outra natureza.
 Ela percebe algo de inferior em sua gente, agora via tudo, não podia entrar por ser diferente, só queria ver a festa, pensou que seria bom ser como aquelas crianças. Achou um fragmento de espelho no chão, tirou os olhos do porteiro e apanhou. Viu seus olhos de sono, a pele encardida, dentes sujos, as roupas em trapos incrivelmente sem cor. Sentiu vontade de ter outra vida, de ser outra. Percebeu que a música parara, talvez o fim da festa. E a chuva fininha continuava.


Felicidades provocando infelicidades, abrindo feridas disfarçadas em cura. Eu pensei que era pragmática, prática, resolvida. A gente se blinda, eu me blindei tanto em busca de proteção que eu não me lembrava mais do que queria me proteger. Eu queria me proteger de mim, me salvar de ser eu. Eu era as minhas feridas, eu era meus sentimentos não correspondidos, era meu medo de amar, minha insegurança. Escondi isso tudo achando que podia me vencer. Eu era os sonhos que eu tinha e que de tão impossíveis eu também escondi, disfarcei em outros mais realizáveis. Não sei até que ponto eu posso viver sem mim, isso é, sem isso tudo que eu imaginava já ter destruído, mas descobri tão forte aqui dentro. Só pela visão de duas pessoas felizes de verdade, ela era frágil, era aceita assim e não precisava fingir. Então veio tudo, estranhamente não na hora, só o choque. Bem depois veio tudo, as lágrimas, as feridas guardadas, tudo tentando voltar. Se alguém já teve medo de si mesmo pode entender. Achei que era livre, mas era uma liberdade apática, que só gera aceitação e nunca amor ou ódio. Talvez me blindando de mim também tenha me blindado dos outros.



Em O diário de Bridget Jones, a narradora-protagonista encarna as possibilidades de problemas enfrentados pela mulher “moderna”. O enredo baseia-se nas suas tentativas de vencer o relógio biológico e conseguir subir na carreira e ter um relacionamento estável. E não é só isso, Bridget acredita que precisa emagrecer porque os homens só gostam das mulheres magras, precisa parecer mais nova porque os homens só consideram interessantes as mulheres até os vinte e poucos, precisa ter alguma decência vinda das ideias feministas para tentar ignorar essas imposições, parar de beber, fumar, organizar a casa.
Ninguém disse que a vida das mulheres tem sido fácil nas últimas décadas, as conquistas foram muitas, em consequência vieram, porém, imensos desafios. Em qualquer época, a sociedade e opinião geral encontram uma forma de dizer à mulher qual é o seu papel, pela leitura desse romance-diário, entende-se que não é porque a mulher encontra-se batalhando no mercado de trabalho que ela pode se dar ao luxo de não conseguir – ou não querer – assumir as responsabilidades de uma família, como boa esposa e boa mãe e ela precisa fazer isso em tempo recorde, antes dos trinta anos, quando todos os seus amigos casados e parentes já tomam para si a tarefa de lembrar-lhe que o tempo está passando e ela deve ao mundo um casamento e filhos.
Bridget alimenta o desejo de encontrar o par ideal e ter uma família, mas fica claro que sua maior preocupação é com as cobranças vindas de terceiros. Muitas vezes cobranças que já estão enraizadas na mente das pessoas e sem que elas percebam. É o que acontece com a personagem em datas comemorativas, ela passa todos os dias sem um namorado, mas passa a sofrer mais com isso com a aproximação do dia dos namorados pelo fato de que todos vão perceber que ela não ganhou um cartão. O mesmo procede nas reuniões com amigos e familiares e o temido Natal, quando todos resolvem questionar sua vida sexual e amorosa, como se, por não ser casada, ela ainda merecesse ser tratada como adolescente.
Da mesma forma que Bridget, outras mulheres não são completamente felizes, mas por outros motivos, há a que é casada e com filhos, mas lamenta o fato de não ter investido em si própria quando é traída pelo marido e não vê outras perspectivas de vida.Em ambas as circunstâncias há o ‘problema’ das muitas possibilidades que estão abertas às mulheres e nem todas sabe lidar com tantas funções ou escolher uma delas e aceitar e ser feliz com sua escolha.
Em tom de humor e ironia, o diário de Bridget também revela seus problemas com o consumismo do Natal e os hábitos que as pessoas adquiriram, mas que só servem para complicar a vida, como trocar presentes, gastar dinheiro com algo que o presenteado provavelmente não vai gostar e receber em troca um presente que também não queria e todos fingindo que adoram a situação.
De tudo isso, imaginamos que andamos complicando demais a vida, seja com cobranças pessoais ou aos outros e também vivendo situações desnecessárias apenas por convenções sociais, justo uma sociedade que se prega tão defensora da liberdade.


FIELDING, Helen. O diário de Bridget Jones.


Saber criar e usar estratégias na vida é fundamental para ter sucesso em qualquer área. E para pessoas pouco práticas isso é bem difícil. Foi com esse  pensamento que adquiri um Box de livros chamados O essencial da Estratégia. Escolhi ler primeiro O livro dos cinco anéis por minha curiosidade pela cultura japonesa.
Logo de cara é uma luta tentar estabelecer relações entre os relatos sobre samurais com a nossa vida atual. Com muito esforço, é possível tirar lições básicas como a importância da disciplina, a observação dos detalhes, da paciência, de agir na hora certa e com as armas certas.
Tem alguns princípios que são úteis para todos:
1. Evitar todo e qualquer pensamento perverso.5. Discernir as vantagens e as desvantagens que existem em todas as coisas.6. Desenvolver a capacidade de discernir a verdade em todas as coisas.8. Prestar atenção aos menores detalhes.9. Nada fazer de inútil.

O livro certamente é mais útil para samurais, o que se pode absorver dele são lições de difícil aplicação e que não representam uma novidade. No entanto, é sempre bom refletir o quanto estamos nos empenhando em sermos os melhores no que fazemos.





A Tania Kaufmann


Berna, 6 janeiro 1948


Minha florzinha,

Recebi sua carta desse estranho Bucsky, datada de 30 de dezembro. Como fiquei contente, minha irmãzinha, com certas frases suas. Não diga porém: descobri que ainda há muita coisa viva em mim. Mas não, minha querida ! Você está toda viva! Somente você tem levado uma vida irracional, uma vida que não parece com você. Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades, depois disso fica-se um pouco um trapo.Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos levar de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. 
Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi ? assim fiquei eu...., em que pese a dura comparação....Para me adatar (sic) ao que era inadatável (sic), para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus guilhões, cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante.Espero que o navio que nos leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida, que não era maravilhosa mas era uma vida, eu me transformei inteiramente. Mariazinha, mulher do Milton, um dia desses encheu-se de diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora e disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com uma lasidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. 
Não haveria nem necessidade de lhe dizer, então....Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Minha irmãzinha, ouça meu conselho, ouça meu pedido: respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver. Eu tenho tanto medo de que aconteça com você o que aconteceu comigo, pois nós somos parecidas. Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia – será punida e irá para um inferno qualquer. 
Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma moral amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber – pois somente saber de sua presença me transformaria e me daria vida e alegria. Isso seria uma lição para você. Ver o que pode suceder quando se pactuou com a comodidade de alma. Tenha coragem de se transformar, minha querida, de fazer o que você deseja – seja sair nos week-end, seja o que for. Me escreva sem a preocupação de falar coisas neutras – porque como poderíamos fazer bem uma a outra sem esse mínimo de sinceridade ?
Que o ano novo lhe traga todas as felicidades, minha querida. Receba um abraço de muita saudade, de enorme saudade de sua irmã

Clarice.

(Postei essa carta porque ela foi lida pelo professor Dr. Alexandre Furtado em minha aula da saudade e me comoveu muito e sei que comove muitas outras pessoas, mesmo não tendo sido escrita para nós).


    A Culpa é das Estrelas. Começo a escrever gastando uma
caixa de lenços e sem saber o que dizer desse livro. Que ele arrebatou corações pelo mundo afora não é novidade. Posso apenas fazer eco a todos os elogios. Não imaginei que fosse me apegar a ele, principalmente por ser uma história adolescente, na verdade, larguei a leitura umas três vezes bem no começo por causa dos livros obrigatórios da faculdade. Mas agora, ao retornar, li tudo em três dias.
    Penso que só alguns escolhidos conseguem apreciar a beleza da melancolia e eu devo ser uma privilegiada que admira mais esse livro do que muitos outros leitores porque sou melancólica por natureza. Se você é feliz por natureza e nunca viveu nada triste talvez não entenda esse livro, mas se mesmo assim for sensível o bastante, mesmo feliz, ficará triste impregnado pelos destinos dos personagens.
    Hazel é uma menina com câncer em fase terminal, ela tem pais amorosos que fazem tudo por ela e está sobrevivendo graças a uma nova droga que estão testando nela. Ela conhece Augustus em um grupo de apoio aonde as crianças/ adolescentes vão e compartilham suas histórias com a doença. Quando eles se conhecem ele está praticamente curado, apesar de ter amputado uma perna.
    Tem um livro chamado Uma Aflição Imperial que é sobre uma menina que tem câncer, é o livro favorito de Hazel e ela o apresenta a Augustus, só que o livro não tem fim e ele vai fazer o possível para que ela encontre o autor do livro em Amsterdã e possa perguntar o final.
    É uma breve e infinita história de amor. Também sobre o sofrimento de saber que vai morrer e fazer os outros sofrerem. Os personagens são bem construídos e fogem muito do que imaginamos de pessoas com câncer que sabem que vão morrer, não ficam rezando e esperando um milagre de um Deus onipotente e nem por isso são constantemente deprimidos, isso os torna fortes até, não heróis, porque é claro, se pudessem fugiriam da doença, mas não podem. Para ser bem realista, não conheço quem tenha realmente escapado do câncer, conheço pessoas pobres que morreram pouco tempo depois do diagnóstico e pessoas ricas que sobreviveram por alguns anos a mais e infelizmente a doença vence.
    O livro é real nisso, é interessante por ter esses personagens tão carismáticos e corajosos que muitas vezes riem das próprias desgraças. Hazel e Augustos sabem que sua história de amor não pode durar muito em relação ao tempo real, mas eles criam um pequeno infinito, um instante eterno de felicidade. Uma maneira de fazer a vida mesmo curta ter valido a pena.


    (Spoillers) O final é quase Uma Aflição Imperial, imagino muitas coisas, não dá pra parar de pensar em como estão os personagens, Hazel e Isaac, imagino que depois que ela morrer seus pais vão se dedicar a outras crianças com câncer, o que é lindo, mas queria que eles tivessem ou adotassem outro filho. Hazel não merece ser esquecida, mas eles precisam continuar a viver. Ao menos os pais do Augustus têm outros filhos.





Frases/ Quotes / A Culpa é das Estrelas

Esse é o problema da dor (...) ela precisa ser sentida. 

Todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa. 

Enquanto ele lia, me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra. 

Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.



Buscas: A culpa é das estrelas
Uma aflição imperial vai existir?



Os cachos soltos ao vento. A menina solta ao vento, solta na vida, na rua, no mundo. Um dia disseram pra ela que as pessoas sérias pensam no futuro, desde esse dia ela soube que nunca seria, nem queria ser uma pessoa séria. Todos os dias ela anda se esquivando do que pode ser negativo e selecionando os motivos pra comemorar. Brinda as flores que desabrocham, a chuva que cai, o verde que renova, a criança bonita que brinca no parque e os velhinhos que ensinam a viver. Pra ela a vida é um constante abrir de janelas cada qual com uma oportunidade de ser feliz. Seu sorriso é um convite aberto ao mundo. Hoje é dia de comemorar, dia de ser feliz, de fazer amigos, de convidar as pessoas na rua pra cantar. As tristezas ficaram no passado, lá onde não se pode mais voltar. Se lá no fundo tiver uma dorzinha querendo aparecer, deixa pra amanhã, preocupações, deixa pra amanhã, sempre pra amanhã e quando amanhã for hoje deixa pra amanhã de novo. Ela vive o agora enquanto ele existe e acredita que o amanhã é uma surpresa boa de Deus.





Vou pensar em lugares distantes ou em pequenas ruas por onde já passei. Naquela pesquisa chata e insignificante que tenho pra fazer. Vou pensar nos meus problemas, nas minhas contas, na minha vida, parar de fugir de mim, qualquer realidade onde eu faça parte é melhor que uma ilusão que me exclui. Não vou apagar tudo, vou jogar fora mesmo. Aquele sonho insistente em que eu sempre acordo na melhor hora e vejo que é só invenção. 
Vou te escrever e te esquecer num texto estúpido e sem sentido.




Você reclama da chuva
reclama do sol
dance na chuva
aproveite o calor
a chuva tem muito tempo
o sol ainda muito brilhará
Sua vida é tão curta
Curta sua vida.




Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. 


Sorteio de livros na aula de Literatura Norte- Americana.
Sempre a sortuda Andreza é a pessoa do meu grupo que encarregamos de sortear nosso livro / futuro objeto de pesquisa.
Ganhamos A Letra Escarlate, mas não levamos porque outra pessoa chegou na frente. Ficamos um grupo órfão, sem livro para trabalhar, trágico se não fosse cômico, mas contamos com a solidariedade de outra amiga que entrou no grupo e dividiu conosco Lolita e Extremamente Alto e Incrivelmente Perto. Literalmente, pulei de alegria, eu queria A letra escarlate, mas também há muito tempo queria ter tempo de ler Lolita. Ainda tivemos a sorte de encontrar essa adição linda em capa dura por 10 reais na estante virtual 




Meu primeiro contato com Lolita foi com o filme dirigido por Adrian Lyne que assisti há muito tempo e preferi não reassistir pra não mudar de opinião antes de escrever aqui. Naquela época, achei Lolita uma menina diabólica, sensual, cheia de truques pra seduzir um homem mais velho e o pobre Humbert ficou em minha mente quase como uma vítima, levado a fazer as maiores loucuras pra satisfazer sua paixão por essa menina ardilosa.


Sempre ouvi falar de Lolita como a história de uma paixão entre um homem mais velho e sua enteada adolescente.
Não foi o que eu li no romance, só consegui ver uma história horrível de abuso, em que um adulto estraga a vida de uma criança.

Humbert perdeu um amor na adolescência e nunca se recuperou disso, ele parou no tempo, procurando a antiga namorada Annabel em todas as meninas que encontrava. Nunca desejou realmente uma mulher adulta. Ele conta suas histórias de sanatório e debocha de como enganava os psicólogos, pois claramente sabia que tinha um problema, mas não queria ajuda, preferia satisfazer-se admirando as meninas pelas praças e parques.
Encontra Dolores Haze quando ela tem doze anos e ela é exatamente o que ele considera uma ninfeta.

O doente casa-se com a mãe pra ficar perto da filha. Apenas nos primeiros momentos Lolita parece interessar-se por ele. A mãe dela morre unicamente por culpa de Humbert, horrorizada com tudo que descobre lendo seu diário. Apesar de não ser a mãe mais amorosa do mundo, ela certamente daria à filha um destino melhor do que com Humbert. Durante todo os tempo em que estão juntos fica claro que a menina não é feliz e só espera uma oportunidade para fugir.
No hotel, ficamos em quartos separados, mas no meio da noite ela entrou soluçando no meu, e fizemos a coisa muito suavemente. Vocês compreendem, ela não tinha mesmo pra onde ir.
Enquanto eu estiver agarrado às grades da prisão, você, uma infeliz criança abandonada, poderá escolher entre várias moradias, todas mais ou menos iguais: a escola correcional, o reformatório, a casa de detenção juvenil ou num desses admiráveis asilos para moças (...)
Alguns podem argumentar que Lolita não era tão inocente, nem era virgem, mas há muita diferença entre relacionar-se por vontade e ser abusada por um homem que finge protegê-la.

(...) Ela havia penetrado em meu mundo, na negra e umbrátil Humberlândia, com uma curiosidade impetuosa; examinara-o com um erguer de ombros de jovial desagrado; e agora parecia pronta a escapar dele com algo semelhante à mais pura repugnância. Jamais vibrou sob minhas carícias, e um estridente: "Opa, que que você está fazendo?" era tudo o que eu merecia em troca de meus esforços.
Em todos os momentos, o cínico narrador confessa que sua vítima não era feliz.
(...) e os soluços de Lô no meio da noite – de todas as noites, de cada noite – tão logo eu fingia que estava dormindo.
Lolita é impedida de ter uma vida normal, por causa dos ciúmes de Humbert que a todo momento imagina-a insinuando-se para todos os homens a sua volta.
Verdade que ela era consumista e sempre dava um jeito de arrancar-lhe presentes e dinheiro, nas ocasiões em que ele pedia favores os quais não poderia obter por força, mas essa era também uma forma de juntar meios de fugir.
Mesmo o fato de Dolores se interessar por outro homem mais velho não diminui minha repugnância por Humbert, o outro ela amava, ele não. É simples, mesmo que uma mulher ou menina não seja virgem e interesse-se por homens, isso não dá o direito de outro homem sequestra-la e abusar dela frequentemente.
Humbet nada mais é que um monstro.
(...) por volta de 1950 teria de livrar-me sabe-se lá como de uma adolescente difícil, cuja mágica ninfescência se teria evaporado, ao pensamento de que, como sorte e paciência, eu poderia fazer com que ela eventualmente gerasse uma ninfeta que teria meu sangue correndo em suas delicadas veias, a Lolita II, que teria uns oito ou nove anos em 1960, quando eu estaria ainda dans la force de l’âge; na verdade, a faculdade telescopia de minha mente, ou de minha demência, era ao forte que me permitia divisar, no horizonte do tempo, um vieillard encore vert – ou seria o verde da putrefação? -, o excêntrico, carinhoso e salivante dr. Humbert, praticando com a soberbamente adorável Lolita III a arte de ser avô.
Ele me lembra esses seres horrorosos que de vez em quando saem nos jornais, descobertos depois de aprisionar e abusar das filhas por longos anos chegando a ter fihas-netas e repetindo os abusos.
Só depois de tudo acabado, Humbert tem alguma consciência do que realmente aconteceu entre ele e Lolita, do quanto ignorou os sentimentos dela pra aliviar sua consciência, alguns leitores podem jurar que ele a amava, pois a quis mesmo não sendo mais uma ninfeta, mesmo estando grávida de outro, mas pra mim, era apenas uma obsessão doentia, ele nem a conhecia direito pra amá-la, ele se importava apenas com seus próprios desejos.

Achei mais uma história de horror do que de amor, e mesmo com tudo isso, é impossível não se deslumbrar com Lolita, não se admirar com a originalidade, a grandiosidade dessa obra.



Lolita - Vladimir Nabokov 




Cair de para-quedas no meio do mundo, no meio da vida das pessoas, ter o poder de fazer alguma coisa. Ter mil braços, envolventes, ser envolvente. Sentir dói muito, importar-se machuca, enlouquece. Mas apesar de toda a impotência, não desejo não ver, não desejo passar pelos outros e não sentir em seus olhos as suas dores, as suas lutas, os seus sonhos perdidos revestidos de desesperança, chocados com a realidade. A dor intensa é preferível a alienação, a felicidades fúteis e cegas. Sonho com um mundo igual para os diferentes, lamento tantas vidas perdidas antes de o ser humano atingir essa evolução, mas acredito que em um futuro esse mundo existirá. Hoje uma florzinha verde nasceu em mim.




Novidades sobre o filme baseado no livro A menina que roubava livros.


Confira o trailler do filme A menina que roubava livros





O filme baseado em A menina que roubava livros será lançado em 31 de Janeiro de 2014 aqui no Brasil!

Sophie Nélisse é Liesel Meninger. Acredito que não sou a única que imaginava Liesel um pouco diferente, mas ao que tudo indica, a história foi bem adaptada e será quase ou tão emocionante quanto o romance.









Geoffrey Rush e Emily Watson viverão seus pais adotivos.A direção do filme é de Brian Percival.

















Primeiro pôster de A menina que roubava livros - filme








Segundo pôster do filme A menina que roubava livros.



Alice Munro - Prêmio Nobel de Literatura


A vencedora do prêmio Nobel de Literatura 2013, Alice Munro,  é umas das escritoras de contos mais importantes da atualidade, ela tem 82 anos e é canadense.


ela foi saudada pela Academia Sueca como "mestre do conto contemporâneo". "Suas histórias se desenvolvem geralmente em cidades pequenas, onde a luta por uma existência decente gera muitas vezes relações tensas e conflitos morais, ancorados nas diferenças geracionais ou de projetos de vida contraditórios", destacou a Academia Sueca. (Folha)

Eu preciso confessar que não conhecia a obra de Alice (desculpem-me a intimidade, mas amo esse nome) e só cheguei a interessar-me  por ela hoje, quando li sobre a temática de seus textos, a vida e os conflitos no interior.

Os livros de Alice Munro que já foram lançados no Brasil são:

  "Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento" (2004), pela Editora Globo,
 "A Fugitiva" (2006), "Felicidade Demais" (2010) e "O Amor de uma Boa Mulher" (2013) pela Companhia das Letras.

A Veja disponibilizou um conto de Alice Munro para ler / baixar grátis em pdf.

http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/files/2013/10/o-amor-de-uma-boa-mulher-trecho.pdf

Eu adorei o conto, de certa forma, lembra minha infância e transmite uma sensação de liberdade, de desejo de transgressão.

Leia outro conto de Alice Munro disponibilizado pela Companhia das Letras

http://www.blogdacompanhia.com.br/wp-content/uploads/2013/10/Alice-Munro-As-criancas-ficam-Companhia-das-Letras.pdf


    Graças a meu curso e minha curiosidade, tive a oportunidade de conhecer a obra de ótimos escritores contemporâneos, pode parecer meio contraditório escrever isso, depois do último post de opinião, mas foi ele mesmo que levou-me a escavar em minha memória todos os melhores livros contemporâneos que li ultimamente, para salvar-me da sensação de que está tudo perdido, e feliz, percebi que não está, temos incríveis talentos, uns muito reconhecidos, outros que o grande público de leitores ainda precisa conhecer, então, fazendo minha parte, vou apresentar alguns nomes e espero que outras pessoas façam o mesmo, apresentem-me seus autores favoritos!

    Muitas pessoas que escrevem blogs também postam seus textos e procuram dicas para escrever melhor, como todo mundo sempre fala, para escrever bem, você precisa ler bem, ler os melhores.
É uma dica excelente para novos autores e pessoas que sonham escrever um livro, começar estudando literatura, veja que a maioria dos escritores é ou foi professor de Literatura, ler os clássicos, procurar os bons em sua época, saber como estão escrevendo, sobre o quê estão escrevendo e a partir daí, sim, pensar em escrever e descobrir seu estilo.

Ronaldo Correia de Brito (Saboeiro, Ceará) é um escritor, médico e dramaturgo brasileiro. Radicado em Recife, formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, 1975. Foi escritor residente da Universidade de Berkeley, Califórnia, participou de diversos eventos internacionais, como a Feira do Livro de Bogotá e o Salon du Livre de Paris. Recebeu homenagens por sua obra, como a da VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.
Sua carreia artística envolve as mais diferentes linguagens, como literatura, teatro e música. São de sua autoria O baile do menino deus (teatro), Lua Cambará (disco em parceria com Antúlio Madureira, ), Faca (livro de contos), Galiléia (romance ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura) e o mais recente Estive lá fora (romance). Em 2013 será um dos autores brasileiros convidados a participar da Feira do Livro de Frankfurt e da Jornada Literária de Pequim.

Obras
  • Três histórias na noite - contos, 1989.
  • Arlequim – teatro – CEPE – 1990.
  • Baile do Menino Deus – prosa infantil – Editora Bagaço – 1996.
  • As noites e os dias – contos – Editora Bagaço – 1997.
  • Bandeira de São João – prosa infantil – Editora Bagaço – 1998.
  • Arlequim – prosa infantil– Editora Bagaço – 1999.
  • Faca – contos – Editora Cosac Naify – 2003.
  • O Reino Desejado – teatro – Revista de La Associación de Directores de Escena de España – Madri, 2003.
  • Baile do Menino Deus – teatro – Editora Objetiva – 2004.
  • Livro dos homens – contos – Editora Cosac Naify – 2005.
  • O Pavão Misterioso – prosa infantil – Editora Cosac&Naify – 2005.
  • Bandeira de São João – teatro – Editora Objetiva – 2005.
  • Arlequim – teatro – Editora Objetiva – 2005.
  • Galiléia – romance – Editora Alfaguara – 2008.
  • Retratos Imorais – contos – Editora Alfaguara – 2010.
  • Baile do Menino Deus – teatro – Editora Objetiva – 2011.
  • Crônicas para ler na escola – crônicas – Editora Objetiva – 2011.
  • Arlequim de Carnaval – teatro – Editora Alfaguara – 2011.
  • Bandeira de São João – teatro – Editora Alfaguara – 2011.
  • Estive lá fora – romance – Editora Alfaguara – 2012
  • Le jour où Otacílio Mendes vit le soleil - Chandeigne - 2013 (em francês)





Teolinda Gersão nasceu em Coimbra  é uma escritora e professora universitária.
Estudou Germanística e Anglística nas Universidades de Universidade de Coimbra, Universidade de Tuebingen e na Universidade de Berlim, foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, docente na Faculdade de Letras de Lisboa e posteriormente professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada até 1995. A partir dessa data passou a dedicar-se exclusivamente à literatura.
Além da permanência de três anos na Alemanha viveu dois anos em São Paulo (reflexos dessa estada surgem em alguns textos de Os Guarda-Chuvas Cintilantes,1984), e conheceu Moçambique, cuja capital, então Lourenço Marques,é o lugar onde decorre o romance de 1997 A Árvore das Palavras.
Escritora residente na Universidade de Berkeley em Fevereiro e Março de 2004, esteve presente na Feira do Livro de Frankfurt em 1997 e 1999 e, entre outros prémios literários, recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu romance A Casa da Cabeça de Cavalo (1995), os Prémios de Ficção do Pen Clube pelos livros O Silêncio (1981) e O Cavalo de Sol (1989)e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco por Histórias de Ver e Andar (2002).

Obras publicadas
  • Silêncio
  • Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo (1982)
  • História do Homem na Gaiola e do Pássaro Encarnado
  • Os Guarda-Chuvas Cintilantes
  • O Cavalo de Sol (1984)
  • A Casa da Cabeça de Cavalo
  • A Árvore das Palavras
  • Os Teclados
  • Os Anjos (livro)|Os Anjos
  • Histórias de Ver e Andar
  • O Mensageiro e Outras Histórias com Anjos
  • A Cidade de Ulisses


Aqui tem um resumo de a Árvore das Palavras


Luzilá Gonçalves Ferreira (Garanhuns ) é uma escritora e foi professora brasileira e natural de Pernambuco.
Foi professora na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Feminista, foi também pesquisadora nas áreas de Literatura Escrita por Mulheres em Pernambuco e Imprensa Feminina em Pernambuco. Seus romances mesclam uma proposta panfletário-denunciadora a uma tentativa de conferir certa densidade psicológica às personagens.

Obras
  • Muito Além do Corpo (1988)
  • A Anti-Poesia de Alberto Caeiro (1990)
  • Os Rios Turvos (1993)
  • A Garça Malferida (1995)
  • Em Busca de Thargélia (1996)
  • Humana, Demasiado Humana (2000)
  • Voltar a Palermo (2002)
  • No Tempo Frágil das Horas (2004)

Gilvan Lemos


Gilvan de Souza Lemos (São Bento do Una/Pernambuco, 1 de julho de 1928), escritor.


Obras

Romances

Noturno sem música (editora Nordeste, 1956).
Jutaí Menino (Edições O Cruzeiro, 1968).
Emissários do diabo (editora Civilização Brasileira, 1968).
Os olhos da treva (editora Civilização Brasileira, 1975).
O anjo do quarto dia (editora Globo, 1976).
Os pardais estão voltando (editora Guararapes, 1983).
Espaço terrestre (editora Civilização Brasileira, 1993).
Cecília entre os leões (editora Bagaço, 1994).
A lenda dos cem (editora Civilização Brasileira, 1995).
Morcego cego (editora Record, 1998).

Contos e Novelas

O defunto aventureiro (editora Universitária, 1974).
A noite dos abraçados (editora Globo, 1975).
Os que se foram lutando (editora Artenova, 1976).
Morte ao invasor (editora Francisco Alves, 1984).
A inocente farsa da vingança (editora Estação Liberdade, 1991).
Neblinas e serenos (editora Bagaço, 1994).
Na rua Padre Silva (editora Nossa Livraria,2007)

Fonte: Wikipédia


Crônica nova


Ela é dura como essas pedras no caminho que as pessoas pisam todos os dias e mesmo cansadas, feridas, despedaçadas, continuam firme no lugar. Algum escritor poderia escrever sobre ela, mas sua vida nunca teve uma poesia obvia, como a que procuram. Ela nem chegou a conhecer poesia, saiu da escola para trabalhar aos dez anos. O sonho dela é sobreviver. Não sabe o que é saneamento, não indaga aonde vão parar os impostos que paga. Não conheceu o pai, perdeu um filho por não poder pagar o médico ou ter um atendimento a tempo de salvá-lo, mas consolá-se com a ideia de que os anjos lhe pouparam os sofrimentos da terra, ela duvida de tudo, mas quer acreditar em Deus, pois sua fé é tudo que resta. Dorme exausta e sonha em acordar todos os dias com força para a luta. Sonha sem saber que sonha porque, em sua vida, só conhece o cru concreto, não há espaço para o abstrato. O sentimento que conhece é a perda, é a dor, a saudade e o amor, causador de todos os outros. Dentro dela tem amor, sim, desses que não se escreve, desses raros, incalculado, que não se declara e nem sabe que se chama amor.



(Mensagem de motivação)

Quando disserem que você não é capaz, ouse tentar,
quando te tratarem como um qualquer, destaque-se,
quando ninguém mais acreditar em você, acredite, lute, vença e prove que todos estavam errados,
nós temos um potencial enorme, todo mundo tem, não deixe que te façam perder a fé em si mesmo.




Crônica


No finalzinho do último capítulo, ela percebe que não faz parte da história, nem como uma amiga qualquer dos coadjuvantes. No máximo uma figurante sem nome, daquelas que aparece em uma sala cheia de gente. Puramente mais uma na multidão. Não é a típica mocinha, nem linda,nem loirinha,nem doce e radiante, ela não chama a atenção por onde passa, mas aprendeu que nos dias atuais os personagens contam sua própria história e alguém pode muito bem invadir a cena e assassinar o ideal de perfeição. Se sua imagem não permite ser a protagonista talvez seja melhor se aceitar como vilã e roubar essa história antes que chegue ao fim. Levantar no meio da multidão e falar, prazer, eu existo.





Email recebido e compartilhado, tentei programar-me pra ir a Bienal, mas provavelmente não será possível, quem for, curta por mim. É lamentável que não haja mais incentivo a esse evento, mas certamente será maravilhoso, invejas brancas de quem pode estar lá.

A Cia de Eventos é uma produtora cultural com 30 anos de bons serviços prestados à Cultura de Pernambuco e do Brasil. A Bienal Internacional do Livro, realizada pela Cia de Eventos desde 2001, é um evento que se propõe não apenas a impulsionar o mercado de livros, mas também a realizar atividades importantes de formação de novos leitores, proporcionando uma extensa grade de programação com dezenas de lançamentos de livros, cursos e oficinas, palestras e debates, intervenções artísticas.

Sobre os ingressos para a IX Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, a Cia de Eventos vem a público informar:
1- Que apesar da ausência do apoio histórico do Governo do Estado de Pernambuco e da Secretaria de Educação do Estado, em particular, à IX Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, retirando a realização de Caravanas Estudantis e de Professores de municípios do interior para a visitação ao evento e a realização da política pública de incentivo à participação dos seus Profissionais de Educação através de concessão de bônus-livro;
2 - Que apesar da ausência do apoio histórico da Prefeitura da Cidade do Recife, através da aquisição de cotas de patrocínios em apoio a realização do evento;
3 - Que apesar de todas as dificuldades impostas ao evento nesta edição:
Compreendemos que se faz necessário beneficiar e prestigiar todos aqueles que, com esforço pessoal, virão de várias regiões do Estado por sua conta e por seu próprio interesse de participar em um evento da dimensão cultural da Bienal do Livro, reconhecendo a oportunidade de intercâmbio cultural única pela magnitude dos nomes referenciais - nacionais e internacionais- que aqui estarão neste período.
E, nos unindo a esse esforço coletivo de resistência para que a Cultura e a Educação possam continuar sempre sinônimos de crescimento, de auto-conhecimento e de libertação. A Cia de Eventos incentivará, por seus próprios meios, o acesso de todos aqueles que buscam o conhecimento, a inspiração, a magia e o conhecimento que só o livro, a leitura e a literatura provê.
A edição da IX Bienal Internacional do Livro de Pernambuco terá acesso livre e gratuito.
Nessa oportunidade, solicitamos aos visitantes da Bienal que, se possível, colaborem com a campanha solidária promovida pela Cruz Vermelha Brasileira - filial PB, com a doação de 1kg de alimento não perecível para  entidades beneficentes do Estado. Haverá um posto de coleta no local.

Atenciosamente,
Cia de Eventos




Não é arrependimento, não é a droga do arrependimento, é só a análise, a constatação de uma vida de deixa pra lá, não vale a pena. É a constatação de que a lista de desistências só aumenta, são as pessoas que não são como eu sonhei, são os empregos que decepcionam e entediam. E mais uma vez, eu não olhei pra trás, eu não me despedi, eu não me dei esse trabalho. Devia ser proibido te fazerem desistir de um sonho, mas quem paga pela fraqueza e quem perde é quem desiste. O mundo, os outros continuam lindos e felizes, ninguém vai parar pra pensar no porquê eu nem sequer me despedi, ninguém vai sofrer por ter me magoado, ninguém vai lamentar a minha partida por muito tempo, mas não importa, eu não me arrependo, eu só lamento porque sempre tem que acabar assim. Eu só precisava da novidade, a doentia necessidade de novidade, de que tem algo melhor em um lugar perdido no universo, novos ares, a sensação de estar sozinha e não ter nada e precisar começar do zero. Porque quando eu digo que quero paz, o meu íntimo pede guerra, pede luta, suor e tormento pra depois, aí sim, cansado, pedir paz. Por fora estou calma, por dentro turbulência.