Resenha do livro O Apanhador no Campo de Centeio / J.D. Salinger

Comentários de uma viciada: Eu sou dessas pessoas que você jura que não enxerga um palmo na frente do nariz, assumo mesmo, tenho fama de avoada. Acontece que tem pequenas coisas que me deixam imensamente impressionada, foi assim com a primeira vez que li algo sobre Salinger. Foi na Veja, é a segunda vez que cito a Veja aqui e isso pode pegar mal, mas eu gostava mesmo da coluna "cultural" deles, nunca mais li, não sei como é agora. O caso é que desde que li essa matéria fiquei interessada pelo autor e louca para ler esse livro, eu tinha a matéria até a última limpeza que fiz em minhas velharias, joguei fora várias coisas porque sabia que encontraria na internet.



A ninfeta e a fera

Ex-namorada de Salinger revela esquisitices
do autor em um volume de memórias
Depois de passar vários anos lidando com a rejeição de editores, o escritor americano J.D. Salinger finalmente conseguiu publicar seu primeiro livro em 1951. O romance se chamava O Apanhador no Campo de Centeio e, para surpresa dos detratores do autor, transformou-se instantaneamente em clássico. Com seu protagonista rebelde, sua linguagem coloquial, seu retrato saboroso da idade dos distúrbios hormonais, o romance ganhou os adolescentes do mundo assim como O Pequeno Príncipe arrebata legiões de leitores infantis. Mas, em vez de saborear o sucesso, Salinger disse basta. Corria o ano de 1965 quando ele fechou a porteira de seu rancho na cidadezinha de Cornish, trancou seus inéditos num cofre e não deu mais notícias ao mundo. Nenhuma obra sua foi publicada desde então. Imprensa, reportagens, fãs — adeus! A curiosidade alheia se tornou o flagelo de Salinger, que luta com unhas e dentes para defender sua privacidade diante da ameaça dos bisbilhoteiros. Há dez anos, por exemplo, um estudioso descobriu algumas de suas cartas de juventude. Salinger o processou e impediu que as publicasse. No próximo mês de outubro, porém, uma obra cheia de revelações bombásticas deverá vir à luz. Sua autora é Joyce Maynard, ex-namorada do famoso recluso. E será difícil pará-la. "Tivemos todos os cuidados legais", diz Linda McFall, executiva da editora Picador, que prepara o lançamento de At Home in the World (Em Casa no Mundo) nos Estados Unidos.
O romance entre Joyce e Salinger durou só nove meses, entre 1972 e 1973. Quando começou, ela não era mais que uma ninfeta de QI elevado. Tinha 18 anos, era caloura da Universidade Yale e havia escrito uma reportagem de capa para a revista do New York Times. O artigo causou frisson. Entre as mensagens de elogio, surpresa: uma carta de J.D. Salinger, a estrela da ficção americana, um dos 25 autores mais lidos na história do país. Os dois engrenaram na troca de correspondência. Salinger, com 53 anos, pedia que ela o chamasse de Jerry e dissertava sobre homeopatia e enlatados de TV. Depois de alguns meses, Joyce mudou-se de mala e cuia para a fazenda de Cornish. Nos episódios do livro que foram antecipados, Salinger aparece alternadamente como um homem gentil e cruel, esquisito e implacável.
A gentileza se manifesta no tato com que ele reagiu a certos problemas de sua amada, que a impediam de consumar o ato sexual. A crueldade, na maneira seca com que pronunciava frases do tipo: "Você está ridícula". A esquisitice tinha a ver com seus hábitos: ele causava vômitos em si mesmo (e em Joyce) cada vez que tinha de ingerir alimentos "impuros", fazia sessões diárias de meditação e era adepto de terapias alternativas. Mas sua obsessão era mesmo a privacidade. Salinger dizia a Joyce que publicar livros era um "negócio sujo" e por isso escondia no cofre dois romances já terminados. Quando sentiu que a presença da moça punha em perigo seu santuário, foi inflexível. Mandou-a embora. Ponto.
Ao revelar esses fatos, Joyce Maynard alimenta a bolsa de fofocas, mas acrescenta pouco à compreensão literária de seu ex-par romântico. No máximo demonstra que ele deixou para trás os bons sentimentos contidos em O Apanhador no Campo de Centeio. Afinal, o romance afirma: "Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, faz com que queiramos ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade". Nem pense nisso com Salinger.
Carlos Graieb

A reportagem tinha uma foto de Salinger e outra da ex-namorada. Eu não fiquei muito interessada no livro de memórias dela, nem tanto na vida pessoal dele, eu não tinha ouvido falar nele, acho que foi a descrição do romance, a frase final, sei lá, fiquei tão impressionada que guardei a matéria e depois de catorze anos lembro das linhas, das fotos, de tudo. Acebei adiando a leitura do romance, também não sei exatamente porquê,mas eis que começo agora essa tarefa tão sonhada.



 (15/01/2013)
Minhas considerações



A principio, Holden Caulfield parece alguém insensível, não se interessa pelos estudos, é expulso do colégio, mas interessa aos professores, pelo menos ao velho Spencer, isso mostra que tem personalidade. É muito comum bons alunos e boas pessoas em geral não chamarem mais atenção que um poste e isso é péssimo porque perdem grandes oportunidades, é sempre bom chamar atenção, nem que seja no sentido negativo, pois mesmo com uma bronca aprende-se muito. Se eu pudesse voltar aos meus dezesseis anos, certamente escolheria um ano para reprovar em metade das matérias, me faria bem.

É um tipo muito descolado, é muito gostoso ler suas descrições de passeios casuais pela Broadway cheia de gente num domingo qualquer, acontece que ele tem um desprezo enorme pelas pessoas banais que circulam a sua volta, que vestem suas melhores roupas para ir ao cinema. E Holdem é tão indiferente que chega odiar os espetáculos! Holden me parece uma pessoa extremamente perturbada pelas questões da vida, e não é crise existencial, está mais para um cara que questiona os valores humanos, o modo como eles viviam, e não é tão diferente do modo como vivemos hoje, apenas acentuamos as coisas que ele cita. Ele é sensível, mas para as coisas reais, não como nós que morremos pela arte, sinto-o muito verdadeiro, quantas pessoas não lamentam por um personagem de livro e nem ligam se o vizinho morrer? Ele me perdoe, então pelo que vou escrever, mas me emocionei quando, bêbado, ele imaginava sua morte e lembrava da morte do irmão, acho que não somos mais as mesmas pessoas quando convivemos com a morte tão próxima de nós. Ele fala tanto na irmã Phoebe que acabamos por achá-la fascinante também, muito esperta para a idade que tem.

Mas me causaram arrepios mesmo os momentos de Holden com o professor Mr. Antolini, as coisas que o professor falou pareciam que eram para mim, também fiquei pensando nas coisas que falam sobre Salinger, realmente ele devia ter levado esse conselho a sério.

“Um homem quando cai só sabe que caiu quando atinge o fim da queda. Afunda-se lentamente. As coisas complicam-se com as pessoas que passam a vida inteira à procura de um ambiente que o seu meio social não lhes pode oferecer ou que elas julgam que não se lhes pode oferecer. Desistem. Desistem mesmo antes de iniciarem a busca.”

Agora sei por que eu queria tanto ler esse livro e por que esperei tanto, talvez antes eu não tivesse entendido, foi uma coincidência incrível ter lido depois de Policarpo Quaresma, porque o eco da injustiça estava em minha mente e está sendo substituído por essas palavras. Nas últimas páginas, não sei como explicar, a narração torna-se tão profunda que ouso dizer que até Holden se emocionaria se não fosse a história dele e ele lesse por acaso. Quando eu tiver tempo de fazer uma leitura mais atenta vou perceber que não se trata de um rapaz rebelde, não é uma fase, não é o desprezo a escola, é um repudio a tudo, até Phoebe percebe que ele é incapaz de gostar das coisas todas. E ninguém pode culpá-lo, já é difícil entender todas as coisas do mundo, imagine amá-las! Talvez todas as pessoas que se identificam muito com Holden devam precisar de um psicanalista, li em algum lugar que alguns suicidas eram fãs do livro, mas isso é muito complexo, na verdade a linha entre o sensível e o perturbado me parece muito fina e frágil. Sei que pra mim a leitura faz muito bem. Salinger deve ter escolhido o Oeste, ou mais uma vez, não era questão de escolha.
 


8 Comentários

  1. Já ouvi muitos comentários positivos a respeito desse livro e fiquei super curioso para lê-lo também ^^

    Beijos e Um feliz natal pra você
    Guilherme.
    http://umcompulsivoleitor.blogspot.com.br/

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  2. Olá,
    Acho que o livro não faria tanto meu estilo,porém irei procurar mais sobre ele.. quem sabe não acabo me surpreendendo? :P
    Beijo
    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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    1. Quando terminar de ler,vou fazer uma resenha pra vcs terem uma ideia melhor.
      bjs

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  3. Sempre falam super bem desse livro
    Mas ainda não tive oportunidade de ler

    Beijos
    Boas festas *-*
    @pocketlibro
    pocketlibro.blogspot.com.br

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    1. obrigada, Angela e boas festas pra vc também!

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  4. Gpstei da estória pessoal do escritor, e muitos escritores enfremtam a mesma dificuldade em publicar um livro.

    Espero que tenha uma boa leitura.

    http://enfimshakespeare.blogspot.com.br/

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  5. Não conhecia
    Mas tem muita coisa boa na sua resenha

    Beijos
    Boas festas *-*
    @pocketlibro
    pocketlibro.blogspot.com.br

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  6. Já ouvi falar desse livro e também da personalidade do autor... Existem várias lendas acerca desse livros, mas nunca procurei saber sobre. Mesmo assim, gostaria de conhecer a história :)

    Beijos
    aritmeticadasletras.blogspot.com

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