Através da janela,ela via as luzes, a cidade inteira brilhava, cada casa ostentando sua constelação. O olhar perdido nas luzes via tudo como se fossem gotas de lágrimas coloridas, lágrimas brilhantes, longe,perto, até onde podia enxergar tudo era lindo e triste ao mesmo tempo. Lúcia pensava em quem morava em cada casa que dava pra ver da sua janela, em poucos dias as famílias estariam reunidas, algumas completas e felizes, outras faltando um pedaço,como ela. Pensava nos outros pra não pensar tanto em si, para não chorar,não se revoltar. Porque no fundo ela sabia que também tinha o direito de ser feliz. Todos têm. Enquanto o vento frio da noite batia em seu rosto inquietava-se imaginando o futuro, o filho crescendo. Daria a ele outro pai? E a revolta voltava, a raiva dele, era infeliz e talvez não achasse mais graça na vida,mas não tinha o direito de partir, ela recomeçaria, existiria sem ele, substituiria suas fotos na parede, o filho acostumaria com outro rosto de pai e em poucos anos ele seria só uma lembrança distante. Em poucos minutos a compaixão lhe invade, o remorso embrulhando o estômago, porque nessas horas sempre aparece um resquício qualquer de culpa por não ter dado seu melhor, por não ter mostrado amor o suficiente e só pensar nisso quando é verdadeiramente tarde demais, sempre haverá a culpa de não ter amado como realmente amava, por ter deixado o mais importante para um amanhã que nunca mais será.
Até onde a gente vai pra ser feliz? A gente esquece quem ama, pisa em cima das lembranças, sorri de mentira até esquecer que era mentira. Mas quando o outro não tem culpa é tão difícil. Um calculo errado na engrenagem que gira o universo e quantos sonhos se vão... É interessante ficar imaginando as vidas dessas pessoas que passam de madrugada pelas ruas desertas, enquanto a cidade dorme e as luzes brilham, cada um com sua história, seus pesos e agora ela imagina que por trás de cada sorriso tem uma dor escondida. Ela não se anima para fechar a janela porque lá fora as lágrimas são coloridas e aqui dentro talvez nunca mais se comemore o Natal.


7 Comentários

  1. Engraçado que de uns tempos pra cá desenvolvi esse hábito meio amélie poulain rs Peguei a barca pra vir pra casa e uma moça veio puxar papo comigo, e me falou sobre o que cada pessoa ali ao nosso redor deveria estar passando e tal em suas vidas...Consigo imaginar profissões, frustações...Um passatempo bem divertido! rs

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    1. É divertido sim, você sempre pode conversar e descobrir,mas nada melhor que sentir

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  2. Lindo texto, adorei o arranjo das palavras!
    Estou te seguindo, retribui?

    http://mmmorango.blogspot.com.br/

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    1. obrigada,
      ah,adorei seu blog,claro que sigo.

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  3. Belo o seu texto. Ás vezes eu me sinto como a Lúcia nos dias de natal e ano novo =S

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  4. Belíssimo texto, parabéns!

    Seguindo o blog, segue o meu?

    http://euvejoporai.blogspot.com.br

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  5. Que lindo, Dani! Acho que o Natal é bem isso: uma época bela e triste. A gente começa a reavaliar a vida, a redescobrir sentimentos... A verdade é que a linha entre a alegria e a tristeza é bem tênue. Passamos de uma pra outra com muita facilidade, não? Beijo

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