Prendeu o cabelo na nuca para conseguir se equilibrar no meio fio. Sentia-se tão leve que qualquer ventinho poderia leva-la. Amava mudanças e surpresas. Pela manhã acordou uma menina comum, à noite do mesmo dia era a mulher mais feliz do mundo. A felicidade correndo pelas veias impregnada em cada gota de sangue.Precisava liberar a adrenalina, cantar, dançar, sorrir para as pessoas na rua, dar boa noite aos cães e gatos vadios.Contar ao vento que a sensação de vazio passara  que estava completa, repleta de vida, de ilusões de um futuro feliz. A franja dos castanhos cabelos de Maíra caíam pelos olhos, pela boca.A lembrança do encontro passando em sua frente como um filme. Eles se despediam com um simples abraço e promessas de reconciliação suspensas no ar. Quando os dois lados estão a um passo de ceder mas adiam mais uma vez,só para prolongar o prazer da espera, para sonhar com novas provas de amor. Podia gritar o nome dele e acordar a cidade inteira "Teo". Estranhos olhavam-na, cantando e cambaleando no meio fio. Que importa? Amar é estar livre para dançar na calçada às onze da noite. A lua e as estrelas concordam. E quando o sol chegar todas as promessas de felicidade serão cumpridas.


por Daniele Silva





Através da janela,ela via as luzes, a cidade inteira brilhava, cada casa ostentando sua constelação. O olhar perdido nas luzes via tudo como se fossem gotas de lágrimas coloridas, lágrimas brilhantes, longe,perto, até onde podia enxergar tudo era lindo e triste ao mesmo tempo. Lúcia pensava em quem morava em cada casa que dava pra ver da sua janela, em poucos dias as famílias estariam reunidas, algumas completas e felizes, outras faltando um pedaço,como ela. Pensava nos outros pra não pensar tanto em si, para não chorar,não se revoltar. Porque no fundo ela sabia que também tinha o direito de ser feliz. Todos têm. Enquanto o vento frio da noite batia em seu rosto inquietava-se imaginando o futuro, o filho crescendo. Daria a ele outro pai? E a revolta voltava, a raiva dele, era infeliz e talvez não achasse mais graça na vida,mas não tinha o direito de partir, ela recomeçaria, existiria sem ele, substituiria suas fotos na parede, o filho acostumaria com outro rosto de pai e em poucos anos ele seria só uma lembrança distante. Em poucos minutos a compaixão lhe invade, o remorso embrulhando o estômago, porque nessas horas sempre aparece um resquício qualquer de culpa por não ter dado seu melhor, por não ter mostrado amor o suficiente e só pensar nisso quando é verdadeiramente tarde demais, sempre haverá a culpa de não ter amado como realmente amava, por ter deixado o mais importante para um amanhã que nunca mais será.
Até onde a gente vai pra ser feliz? A gente esquece quem ama, pisa em cima das lembranças, sorri de mentira até esquecer que era mentira. Mas quando o outro não tem culpa é tão difícil. Um calculo errado na engrenagem que gira o universo e quantos sonhos se vão... É interessante ficar imaginando as vidas dessas pessoas que passam de madrugada pelas ruas desertas, enquanto a cidade dorme e as luzes brilham, cada um com sua história, seus pesos e agora ela imagina que por trás de cada sorriso tem uma dor escondida. Ela não se anima para fechar a janela porque lá fora as lágrimas são coloridas e aqui dentro talvez nunca mais se comemore o Natal.



Título: Assassinato no Beco
Autor: Agatha Christie / Tradução de José Inácio Werneck
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 239






Sinopse - Assassinato no Beco - Agatha Christie

Como uma mulher poderia segurar um revólver com a mão direita e, ao mesmo tempo, conseguir atirar na própria têmpora esquerda? Que relação haveria entre a visão de um fantasma e o desaparecimento de planos militares ultra-secretos? Como a bala que matou Sir Gervase pôde estilhaçar um espelho que ficava do outro lado do quarto? E quem destruiu o ´eterno triângulo amoroso´ que envolvia a famosa beldade Valentine Chantry? Hercule Poirot está diante de quatro casos misteriosos - cada um deles é um clássico em miniatura, tanto pelas caracterizações e incidentes quanto pelo suspense.






Assassinato no Beco é composto por quatro instigantes estórias: a própria Assassinato no Beco, O roubo inacreditável, O Espelho do Morto e Triangulo de Rhodes. Os livros de Agatha Christie me acompanharam na adolescência , num tempo em que nem sabia nada sobre clássicos, autores bons ou ruins, não que hoje eu saiba muito sobre isso, mas acredito que ela e Sidney Sheldon, por exemplo, não estão entre os favoritos dos mais intelectuais. E eu tenho uma queda e tanto por esses autores, fazia tempo que não tinha tempo de pegar nada da Agatha pra ler, mas a tentação de ter seis livros dela ainda não lidos aqui foi mais forte que a necessidade de estudar. Escolhi Cai o Pano, mas depois lembrei que é o último caso de Hercule Poirot e claro que adiei a leitura. Então comecei a ler Assassinato no Beco e foi uma leitura muito prazerosa. As quatro estórias resumem bem o estilo de Agatha e o clima de suspense é magnífico, não consegui desvendar o mistério em nenhuma delas porque sou muito ansiosa pra ler o final e não presto atenção nas pistas. Na primeira história há um suicídio, muito óbvio pra ser suicídio; na segunda, um roubo realmente indecifrável,menos para Hercule Poirot; na terceira, mais um suicídio suspeito,mas não é repetitivo; e finalmente a última traz um perigoso triângulo amoroso, o caso é descobrir de que triângulo de trata.É mais um livro pra distração, Deus me livre se algo que me faça pensar demais nesses dias tão difíceis em que tudo que precisamos são duas horas de fulga da realidade.







Título: Cinquenta Tons de Liberdade
Autora: E. L. James
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 601



Sinopse - Cinquenta Tons de Liberdade - Livro 3 - E. L. James

 Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade. Veja mais informações em: www.cinquentatonsdecinza.com



Continua a saga de Anastásia Steele e Christian Grey. Claro que a linguagem continua bem adolescente, a personagem narradora é mentalmente adolescente, e essa fase é a mais romântica, Christian Grey está enfrentando seus problemas, tentando ser menos pervertido, mas percebemos que Anastásia também é fã de uma vida sexual mais que agitada. Há alguma emoção a mais graças ao ex-chefe da mocinha, um pouco de melodrama por causa da gravidez e o final é... surpreendente para o que esperávamos de Cinquenta Tons e normal para leitoras de Sabrina, Bianca e companhia.

 "Ana" Steele é uma narradora autodiegética, ou seja, ela conta sua própria história e só conhecemos seu ponto de vista, isso nos três livros, mas nesse último há um capítulo bônus, uma parte do primeiro livro narrado por Christian Grey, eu particularmente achei bem divertido, claro que algum beletrista vai achar que a linguagem dele é tão adolescente quanto à de Ana, mas eu chamo isso de leitura de lazer, danem-se as técnicas narrativas, expressionismo, impressionismo, é um livro leve e bobo pra ler em algum dia preguiçoso quando não se quer pensar em nada. Muito menos pensar em virar submissa de algum maluco qualquer, sim porque alguns criticos pensam que os leitores fazem tudo que leem nos livros. Depois de certas criticas lidas, acho que tem critico mais ingênuo que Ana Steele.


Bom, eu já cansei de falar sobre esse livro, mas não gosto de dar opinião antes de ler a obra inteira, no caso, a trilogia. Terminei de ler o último livro Cinquenta Tons de Liberdade e repito o que achei dos primeiros livros, é mal escrito, o enredo é fraco e eu adorei. Contraditório, mas gosto não se discute, se aceita. Acontece que ninguém pode mais falar que gostou desses livros porque virou moda entre os beletristas de plantão falar mal dele.Quer dar uma de intelectual? Diga que Cinquenta Tons de Cinza é uma merda. Ok, que o livro é fraco e não agrada as mentes exigentes até minha gata já sabe, apenas escrevam uma novidade, escrevam um livro melhor ou escrevam sobre os livros que gostam. Nem eu gostaria de ainda estar nesse assunto, mas como leitora tenho o dever de me defender das criticas que também nós recebemos.
E vou falar o que penso das criticas, doa a quem doer. Eu sei que muitos críticos e blogueiros escrevem muito bem e até têm livros publicados que mereciam fazer bem mais sucesso que Cinquenta Tons ou qualquer desses livros bobos que atraem milhares de leitores. Mas eu simplesmente sinto dó quando vejo essas pessoas criticando o trabalho alheio, não é porque o seu não deu certo que tem que jogar pedra no dos outros.Muitos sentem-se incomodados com o sucesso dessa autora, tanto que existem muitos livros ruins por aí, mas só falam nesse. Essa moça acreditou num sonho, escreveu como gosta, se jogou, arriscou, talvez nem esperasse tanto retorno, mas ele veio, sabe-se lá o motivo, acho que críticas são sempre bem-vindas quando construtivas e não para esculachar livros, autores e leitores. Esse é o tipo de livro que faz não-leitores começarem a ler e muitos não vão parar em Cinquenta Tons, vão ler cada vez mais e melhores livros.
I don't make love. I fuck... hard.
Grandes livros podem ter frases mais escrotas que essa, mas eu não disse que esse é um grande livro, quero apenas confundir os intelectuais.
E só para acrescentar:
Não lemos livros porque somos iguais aos personagens.
Não lemos livros porque queremos ser iguais aos personagens.
Não lemos livros porque queremos casar com os personagens (Não todos).
Não vamos fazer tudo que lemos nos livros.
Nem todos os livros nós lemos para aprender alguma coisa.

ps: só uma coisinha que queria acrescentar (23/12/2012). Sim, esse é um livro romantico, acredito que a maioria das mulheres que se encantaram por Christian Grey não foram apenas conquistadas por seu gosto sexual pervertido, é toda a questão do homem problemático que você vai salvar, é a questão de se sentir protegida, porque mesmo com toda a indepêndencia, muito bem-vinda, ainda queremos cuidar e ser cuidadas. Todo mundo critica uma mulher insegura, atrapalhada, apaixonada, indecisa, mas Christian Grey se apaixona por uma mulher assim e se dispões a enfrentar seus traumas para tê-la ao seu lado, e francamente é foda ter que ser a mulher maravilha todos os dias, não somos mulherzinhas, mas cansamos às vezes, queremos ter o direito de ser frágil de vez em quando.
É, no mínimo constrangedor ver gente sem um pingo de talento, usando o sucesso de um livro ruim para se promover com resenhas do tipo Livro para Mulheres Mal Comidas, quem escreve isso deve ser o maior tipo de mal- comedor ( se é pra esculachar,vamos esculachar, estamos aqui para agradar).