Não é o tipo de coisa que acontece comigo. Eu nunca me atrasei. Então corri e tomei banho e me vesti e tomei meu café da manhã. E correria como uma louca se não fosse um engarrafamento pra me impedir. Fera presa, olhei ao redor, olhei a cidade por onde passo todos os dias sem ver nada porque nada nunca prendeu a minha atenção.Até que eu te vi de óculos escuros tomando caldo de cana.Juro que nunca vi uma imagem tão sensual,talvez porque eu não viva a procura de rostos sensuais.Mas você estava lá,jogando seu charme na cara de todos e eu achei que todo mundo que passava,te olhava e se não olhava,devia.Você tirou os óculos,olhando o mundo como quem pede desculpas por ser tão lindo enquanto todo o resto fica cinza e perde a beleza diante do teu gesto impaciente de despentear os cabelos com as mãos,alguns fios meio grisalhos.Sua camisa estava mais que amassada e se fosse outro homem,eu desprezaria e mandaria pentear o cabelo e vestir uma roupa limpa e passada.Mas se tratando de você qualquer traje ficava bem,eu sabia,mesmo que nunca tivesse te visto de outro jeito.Vai ver teu charme mora nesse ar de desleixo.Todos os mortais na rua suavam e ameaçavam derreter em baixo do sol,mas você estava intacto,nada nesse mundo te atingia,alias eu não perdoaria o sol se te queimasse e não perdoaria o vento se desfizesse o teu cabelo despenteado com tanto esmero.E eu que estava atrasada e nunca me atrasei,desejei que o engarrafamento não andasse nunca porque eu não ia conseguir tirar os olhos dos teus.Só porque eu te olhava e quase não havia distancia entre nós,eu te achava muito meu.Não precisava saber teu nome,nem muito menos pedir teu telefone,você me pertencia durante toda a eternidade daqueles minutos.E você me olhava com a cara mais lavada do mundo como se não tivesse culpa de estar perturbando a minha paz,de estar me tirando da rotina. Ah, como eu queria que a tua imagem não me acompanhasse ou que você me acompanhasse pra sempre. Mas você ficou lá se refrescando com seu caldo de cana e eu segui com você só no pensamento.Dia seguinte, antes de ir trabalhar, percebi que estava atrasada e não corri porque não tinha pressa. E achei a vida muito coerente porque você existe em algum lugar do mundo mesmo que não seja meu.



Autor: James, E L
Editora: Intrinseca

Sinopse - Cinquenta Tons Mais Escuros - Livro 2 - E. L. James

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele põe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresário e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propõe um novo acordo, ela não consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possível. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demônios interiores, Ana se vê diante da decisão mais importante da sua vida.


Quem leu o primeiro livro, Cinquenta Tons de Cinza, e gostou do romance de Anastácia Steele e Christian Grey ficou com o coração na mão ao ler que ele realmente era capaz de machuca-la fisicamente em suas brincadeiras eróticas masoquistas. Mas o fato é que fica uma torcida para que o casal se reencontre. Em Cinquenta Tons Mais Escuros, Ana mostra que não é uma pamonha completa e decide seguir sua vida sem o dominador,maluco,incompreensível Grey. Entretanto a atitude da moça faz com que Grey perceba seu verdadeiro sentimento por ela. Vão-se os contratos, limites rígidos, Quarto Vermelho da dor e eles vão tentar ser um casal de namorados quase normal. A coisa toda fica meio melosa e repetitiva, nem dá para contar as centenas de vezes em que Christian fala que poderia observar Ana o dia inteiro e ela fala que ele é lindo. Mas a chegada de duas personagens dá um pouco de emoção à trama, Leila, ex-submissa, e Elena, ex-dominadora de Christian. Também é nesse livro que Ana passa a conhecer todos os traumas e profundezas da loucura do homem que ama e claro, como toda moça ingênua, ela acredita que será capaz de transformá-lo.


Como não criticar um livro



Não é muito aceitável uma amante de literatura confessar que está lendo Cinquenta Tons de Cinza, e o pior, gostando! Tenho ouvido criticas de absurdas a incoerentes e não me importo nem um pouco com elas, tanto que vou dar uma forcinha para os novos críticos literários reforçarem seus argumentos.
Dica nº 1- Não aceito que o livro é ruim porque o personagem é machista, por favor, a obra de Nelson Rodrigues é repleta de personagens machistas e nem por isso é inferior.
Dica nº 2 – “As leitoras de Cinquenta Tons de Cinza são adolescentes imaturas ou mulheres submissas, que não têm nada na cabeça.” Comparar personagem com leitor é de matar, certo que muitas vezes nos identificamos com personagens fictícios, mas daí seria demais pensar que eu sou infiel porque gosto de Madame Bovary, gosto de apanhar porque leio Nelson Rodrigues e por ai vai...
Dica nº 3- “Pelo sucesso do livro, eu esperava muito mais”. Suas expectativas, problema seu. Também me disseram que a vida é bela...
Dica nº 4- “O livro não presta porque é cheio de palavrões”. Nelson Rodrigues vai se revirar no túmulo com essas comparações, mas é só pra citar que muitos autores consagrados não perderam o valor por se utilizar de palavrões.
Dica nº 5 – “A história não é interessante” Clarisse Lispector provou que o importante não é o que se conta e sim como se conta.
Antes que algum gênio acuse-me de comparar E. L. James com nossos melhores escritores, vou logo falando que só usei os exemplos para provar que críticas desses tipos são incoerentes. Na minha hoje soberba opinião eu aceitaria e concordaria que Cinquenta Tons de Cinza tem o enredo fraco, batido, acrescido de uma péssima escrita, repleto de clichês. E apesar de concordar com isso, como diria Alice, aquela do país das Maravilhas, uma história é sempre uma história, é bom pra quem conta e pra quem ouve. No nosso caso, pra quem lê. Cinquenta Tons de Cinza e Cinquenta Tons Mais Escuros têm uma história que prende algumas pessoas, inclusive eu. E lá vou rumo aos Cinquenta Tons de Liberdade.
 








Naquela época eu passava quase o dia inteiro na escola. Às vezes eu me irritava e me cansava de tudo, queria estar em casa, mas mamãe trabalhava e eu só tinha nove anos. Nesse dia eu estava tranqüila, conformada, a professora me ajudava em alguma tarefa quando ele chegou. Eu não percebia isso, mas eu estava tão em casa lá, eu via a minha professora e os meus colegas todos os dias e eu sabia muitas coisas sobre eles e eles sobre mim. Era como estar mesmo em casa, mas com meu próprio pai era diferente, quando eu o vi senti um misto de sensações, era uma ternura tão grande e ao mesmo tempo acanhamento, eu não sabia o que falar com ele. Fiquei no meu canto enquanto ele falava com a professora. Acho que eu também não tinha noção do quanto nos parecíamos, eu herdei muito das características dele. Então ele saiu da sala sem que nos falássemos e eu fiquei meio frustrada, depois perguntei à professora o que ele foi fazer lá. Eu ia passar o resto do dia com ele. Oh, uma tarde inteira com meu pai! Ele morava sozinho e eu fiquei brincando em silêncio. Lembro de seus cabelos brancos, os pais de meus amigos não tinham cabelos brancos, nem aquela calma no olhar. Eu tentei sentar na janela pra ver um pássaro que pousava na árvore em frente enquanto ele estava na cozinha e bati a cabeça na quina, fiquei sem saber o que fazer, vi que saia sangue e ele estava vindo, não me recordo da dor, nem nada, era uma sensação esquisita, como se estivesse na casa de um estranho e tivesse feito uma coisa errada. Inutilmente eu tentei tapar o sangue com as mãos e disse que estava bem. Mas era tanto sangue e não parava, comecei a ficar assustada, ele foi ao banheiro e trouxe uma toalha molhada, enxugou minha cabeça, fez um curativo, a toalha lá ensopada de sangue e ele tão sereno que não tive mais medo. Não lembro bem de suas palavras, mas os gestos ficaram, tão doces, sentou no sofá e me colocou no colo, assistimos TV. Adormeci com a cabeça em seu peito, aspirando um aroma gostoso de roupa lima, pele macia, quentinha, sentindo- o tão meu pai.



Fifty Shades of Grey

Autor: James, E L
Editora: Intrinseca
Categoria: Literatura Estrangeira / Romance

Sinopse - Cinquenta Tons de Cinza - Livro 1 - E. L. James

 Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja, mas em seus próprios termos. Veja mais informações em: www.cinquentatonsdecinza.com




Minha curiosidade por Cinquenta Tons de Cinza já estava a mil devido aos tantos comentários ouvidos e lidos. Livrei-me de todas as opiniões, despi-me de todos os preconceitos e comecei a ler. Pensei que seria mais um romance erótico no melhor estilo Sabrina, e é, só que é bem mais quente! Nada de mocinho perfeito e entediante. Anastácia, a protagonista, uma garota de vinte e poucos anos apaixonada por Literatura, insegura, desastrada, inexperiente, que tropeça nas próprias pernas ... digamos que não é uma figura tão rara de se encontrar por aí, talvez seja um dos motivos do sucesso do livro, não é tão difícil identificar-se com ela. Já Christian Grey parece mais irreal, extremamente dominador, imprevisível,sedutor, tudo-de-lindo, extraordinariamente bem sucedido e se  interessa por uma garota boba e mediana. Até os caras mais ou menos procuram mulheres bem - resolvidas e já falam por aí que jamais olhariam para uma garota trajando jeans e all stars. Mas o fato de ser diferente nesse quesito não faz de Grey exatamente um príncipe encantado, ele tem as piores intenções com Ana, ou melhores, depende do ponto de vista e ele tem segredos pertubadores. O caso é que eles têm uma química inegável, o romance chega a ser repetitivo, enredo fraco, mas não dá para parar de ler! A linguagem é fácil, tem um humor legal, as irônias entre o casal divertem e o tempo passa rápido durante a leitura. Não é o estilo de livro para refletir, com muito conteúdo, mas quem deseja conteúdo que procure em outra estante.

Enfim, amigos beletristas, perdoem essa leitora assídua dos clássicos, mas já estou indo para a metade do segundo livro e ainda não entendi o porquê do mesmo incomodar tanta gente.  Realmente ele não é lá essas coisas, mas os pseudo-intelectuais que tentam se promover se esmerando em elaborar criticas ofensivas contra o livro e seus leitores acabam aumentando o rebuliço em torno da obra e gerando mais curiosidade e mais leitores. Ou seja, com certeza  autora e editora devem estar amando as criticas.
Resumindo, o livro não é tão bom quanto aclamam seus fãs, nem tão ruim quanto brandam seus odiadores mortais, mas que provoca sentimentos extremos, provoca.