''Chico Bento parou. Alongou os olhos pelo horizonte cinzento.
O pasto, as várzeas, a caatinga, o marmeleiral esquelético, era tudo de um cinzento de borralho.O próprio leito das lagoas vidrara-se em torrões de lama ressequida, cortada aqui e além por alguma pacavira defunta que retorcia as folhas empapeladas.Depois olhou um garotinho magro que, bem pertinho, mastigava sem ânimo uma vergôntea estorricada.E ao dar as costas, rumo à casa, de cabeça curvada como sob o peso do chapéu de couro, sentindo nos olhos secos pela poeira e pelo sol uma frescura desacostumada e um penoso arquejar no peito largo, murmurou desoladamente:Ôh sorte meu Deus! Comer cinza até cair morto de fome!''


(Rachel de Queiroz - O Quinze)


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