Quando criança nunca entendi o conformismo das pessoas diante da morte, viver era tão bom, queria viver 100, 200 anos. Claro, as crianças não têm consciência de si, nem da vida, hoje sei que é impossível ser adulto e não estar extremamente entediado da vida, de todas as perdas que enfrentamos e do tempo que nos resta pra perder, como não entender os ultra- românticos?
‘Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro.’
(Lembrança de Morrer – Álvares de Azevedo)